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Wolves In The Throne Room: «A nossa música invoca os Espíritos que vivem nas montanhas e nos rios»

Aaron Weaver sobre o teor mais cósmico do novo álbum, a aproximação a tempos antigos, o death metal que o inspirou e a atitude de não se fazerem concessões.

Foto: cortesia Century Media Records

«O novo álbum é mais frio e afiado, como o ar cristalino das montanhas, mais próximo do espírito do mundo e mais longe dos domínios humanos.»

«A nossa música invoca os Espíritos que vivem nas montanhas e nos rios – o Sol e a Lua, a fauna e a flora. Estas deidades estão connosco desde tempos antigos, mas as suas vozes têm sido afogadas no mundo moderno.» É assim que o baterista Aaron Weaver descreve Wolves In The Throne Room (WITTR), banda de black metal atmosférico e pagão que formou em 2002 com o irmão, o guitarrista/vocalista Nathan.

Com álbuns aclamados, que se inserem no chamado Cascadian Black Metal, desde o debutante “Diadem of 12 Stars” (2006) até a títulos mais recentes como “Thrice Woven” (2017), o duo que se tornou terceto tem vindo a forjar um caminho muito próprio, uma vanguarda sonora que se baseia no black metal mas vai mais além rumo ao mundo selvagem das florestas densas e também dos nossos corações e mentes.

Nesta recta final de 2021, os norte-americanos lançaram “Primordial Arcana”, que emergiu como um dos álbuns mais majestosos do ano. Título muito adequado ao conceito geral de WITTR, é uma referência à constante vontade que a banda tem de conseguir experienciar as energias arquétipas de tempos antigos. «Quando éramos crianças, deparámo-nos com o trabalho de Joseph Campbell e o estudo de mitologias antigas de cada cultura humana. Estas verdades arquétipas e estruturas psicológicas inspiraram-nos e deram-nos força», diz Aaron.

Embora o esplendor do céu do norte continue na paleta sónica de WITTR, este “Primordial Arcana” expande-se além do black metal e inclui formas que surgiram mesmo antes da infame segunda vaga do género. «Depois de descobrirmos Metallica e Slayer na nossa juventude, as primeiras bandas extremas que gostámos foram Deicide e Morbid Angel. Death metal está aqui desde o início, e acho que isso aparece especialmente neste disco.» Acto contínuo, black metal sinfónico também foi uma inspiração proeminente. «Quisemos enfatizar o papel dos sintetizadores para criar uma atmosfera épica e grandiosa. [Os estúdios] The Owl Lodge têm uma torre monolítica de sintetizadores dos 1990s. Possuem sons que não podem ser criados doutra maneira.»

«Acho que temos uma voz singular e única no mundo do metal extremo.»

“Primordial Arcana” começou a ser promovido cerca de três meses antes do seu lançamento com o vídeo para “Mountain Magick”, um tema encrostado por guitarras melódicas de bradar aos céus, mesmo que naquele lead mais conhecido exibam uma certa simplicidade. «O [álbum] “Thrice Woven” foi muito terreno, mas este [novo] é um pouco mais frio e afiado, como o ar cristalino das montanhas, mais próximo do espírito do mundo e mais longe dos domínios humanos. “Mountain Magick” é uma invocação dessa energia. É um ponto de entrada para o mundo da magia e dos sonhos.»

Com “Spirit of Lightning”, que no alinhamento se posiciona logo a seguir em segundo lugar, regressamos fugazmente à Terra para uma homenagem às ligações humanas criadas pela música. «Metal é uma comunidade unida através de música e espiritualidade», sublinha Aaron. «Esta faixa é uma homenagem a essa comunidade, essa irmandade, e as virtudes que podem ser consagradas através dela até aos progenitores do género.»

Houve ainda tempo para um terceiro single na forma de “Primal Chasm (Gift of Fire)”, uma explosão de grandeza cósmica, uma interpretação da máxima “como em baixo, também em cima” preconizada pelo novo colega, o guitarrista Kody Keyworth. De facto, “Primordial Arcana” é o primeiro álbum em que o músico foi parte activa da composição desde o início, tendo tudo beneficiado do seu passado ligado ao doom metal fúnebre. «Esta música é o bebé do Kody, mas acho que as letras são um reconto sonhador da criação», explica Aaron. «O acto do universo se criar a si mesmo vem do mesmo impulso – vem tudo da mesma fonte, da mesma união entre fogo e gelo. É a relação entre opostos polarizados, e é dessa contradição e caos que acontece a vida e a música, e os planetas são criados.»

Com quase 20 anos de carreira, sempre foi evidente que os WITTR se destacam dos seus pares contemporâneos, e Aaron corrobora essa teoria: «Acho que temos uma voz singular e única no mundo do metal extremo. Vimos de uma perspectiva pessoal e real nada apologética, e nunca fizemos concessões em relação àquilo que é esperado de nós. Sempre fizemos as coisas como queremos e numa maneira muito ‘faz tu mesmo’.» Tal metodologia ganhou um pico com este “Primordial Arcana”. Aaron conclui: «Fomos ainda mais fundo no aspecto ‘faz tu mesmo’ ao construirmos o nosso estúdio e ao produzir e misturar os nossos discos. E agora fazemos os nossos vídeos na região selvagem local. Portanto, temos sido capazes de manter todo o controlo criativo entre os três enquanto elevamos a fasquia. À medida que dependemos mais de nós próprios, a arte torna-se melhor e mais afiada – uma representação mais perfeita daquilo que a banda é.»

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