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Wiegedood: «Somos todos feitos da mesma porcaria»

Jurados à negritude da humanidade, os Wiegedood evocam o sempre presente ódio pelo mundo moderno mas não esquecem o poder que todos temos para nos reerguermos dos escombros.

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Foto: cortesia Century Media Records

«O sentimento geral não é sobre agachar mas sobre reerguer.»

Formados em 2014, os belgas Wiegedood começaram a construir um reputação assente em black metal contemporâneo e visceral logo com o primeiro álbum “De Doden Hebben Het Goed” (2015). Desde então, os adeptos deste tipo de metal extremo que cruza a pureza dos 90s com a rebeldia dos 2010s foram agraciados com mais duas propostas discográficas repletas de escuridão e sentido apocalíptico. Agora, neste início de 2022, o trio reemerge com “There’s Always Blood at the End of the Road”, um tour-de-force feroz que nasceu da frustração e do sempre presente ódio pelo mundo moderno.

«Usámos sempre a mesma fórmula em todos os nossos discos anteriores – em todos os discos da trilogia “De Doden Hebben Het Goed” havia quatro músicas com uma a ser a faixa-título», recorda o vocalista/guitarrista Levy Seynaeve através da Century Media Records. Continua: «Uma vez que este é o primeiro álbum que fazemos fora da trilogia, isso deu-nos mais liberdade para fazermos o que quer que fosse que nos viesse à cabeça. Para além do mais, tivemos muito mais tempo para juntar tudo. Acabámos por ter um disco muito mais coerente e pensado do que antes.»

Possivelmente classificado como o álbum mais violento e focado de Wiegedood, este quarto registo é composto por riffs em erupção constante, vindos de todos os ângulos, e por arranjos de fundo perversos e catastróficos.

«Musicalmente, acho que fizemos o nosso disco mais desconfortável até agora», assegura Levy. «É mais rápido do que qualquer coisa que tenhamos feito e mais impiedoso do que toda a trilogia combinada. Para mim, soa como uma banda-sonora para um filme ainda por fazer. Um filme sobre as partes mais sujas e nojentas da natureza humana e da sociedade, e sobre a luta que travamos interiormente a tentarmos vencer o facto de que somos todos feitos da mesma porcaria.»

Jurados à negritude da humanidade, o novo álbum dos belgas lida com várias noções e Levy admite que o material representa uma certa mudança lírica.

«Uma vez que a trilogia foi uma ode ao nosso falecido amigo Florent Pevee, muitas das letras lidaram com a perda, o que não é o caso deste novo álbum», esclarece. «Se há uma grande mudança lírica, é porque há uma onda menos auto-comiserativa do que antes. O sentimento geral não é sobre agachar mas sobre reerguer. Aceitar a dor e vencê-la em vez de deixar que isso te defina. Mas há uma temática lírica por todo o disco. Senti-me mais à vontade para escrever sobre a diversidade das coisas em vez de encontrar novos caminhos para dizer que não me sinto muito bem.»

Iniciando assim um novo ano em que nada de plenamente positivo já está garantido no que toca à realização de eventos, estes destruidores sónicos não pretendem que lhes seja negado o direito de levarem a sua música às massas. Levy conclui: «Queremos principalmente voltar a sair e a tocar. Acredito na qualidade do disco. Esta pandemia foi uma coisa boa, mas já dura há muito tempo e acho que está na altura de ligar uma experiência ao vivo às músicas. No fim, é sobre isto: viver a música numa configuração ao vivo, tão barulhento e doloroso como tencionamos que seja.»

“There’s Always Blood at the End of the Road” tem data de lançamento a 14 de Janeiro de 2022 pela Century Media Records.

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