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White Stones: uma dança death metal contra o isolamento

Martín Méndez sobre o novo álbum de White Stones, “Dancing into the Oblivion”.

Foto: Sandra Artigas

«Não gosto de rotular música. Isto para mim é metal.»

Depois de terem lançado o primeiro álbum “Kuarahy” em Março de 2020, mesmo no início da pandemia a nível global, os White Stones de Martín Méndez (Opeth) regressam aos discos com o segundo “Dancing into Oblivion”, que apresenta um som death metal progressivo mais compacto devido à atenção que a banda deu a todos os detalhes para que o resultado fosse ainda melhor do que a apresentação estreante.

Mais pessoal do que a primeira obra, “Dancing into Oblivion” retrata o que Martín sentiu durante o isolamento imposto pela covid-19. «Iniciei [o novo álbum] muito calmamente em Março [de 2020] quando o “Kuarahy” foi lançado e quando o confinamento começou. Compus este novo disco e fluiu muito bem. É o meu ponto de vista dos sentimentos que tive durante o confinamento nesse estranho ano. Tirei proveito do momento e sinto-me entusiasmado por isso.»

Os altos e baixos emocionais gerados por uma situação como esta são, de facto, reflectidos no álbum, como Martín salienta: «É uma mistura de sentimentos, que vai do medo à incerteza, passando pela confusão, já que não sabes o futuro e quase sentes que o tempo parou. Os músicos serão os últimos a voltarem ao trabalho e não temos nenhum sinal de um regresso rápido, o que cria uma enorme incerteza. Tenho uma família e tenho de cuidar dela. Esta situação cria um sentimento de desconforto que se pode sentir no álbum.» Por outro lado, acrescenta «que tem sido porreiro estar em casa com a família, e esses momentos pacíficos também aparecem na música». «Escolhi incluir alguns interlúdios entre as canções para que haja um contraste maior e para que seja mais fácil apreciar os diferentes sentimentos.»

E já que fala em contrastes, um dos destaques deste álbum passa pelos componentes díspares que coabitam ao longo de oito faixas. Há o elemento agressivo, que pode ser ouvido no instrumental frenético, e um lado mais suave e delicado que faz desenvolver uma atmosfera que envolve quem ouve. «É difícil definir o estilo do álbum», assegura. «Não gosto de rotular música. Isto para mim é metal. Tem elementos da minha interpretação do death metal, mas também tem influências conscientes de outros géneros. Apresenta-me como músico e demonstra o meu gosto musical na incansável tentativa de fazer algo diferente.»

À medida que se vai explicando, Martín comenta também o processo de um álbum que tem influências tanto de John Coltrane como de Deicide. «A primeira [faixa] que compus foi a “Chain of Command”, com que tive a ideia de escrever músicas mais ousadas do que as do disco anterior, em que me restringi e não quis tocar algo demasiado técnico, só quis criar algo que fosse mais fácil de ouvir. Neste [novo álbum] quis fazer algo ligeiramente mais elaborado e técnico para adicionar alguma cor.»

Todavia, e por mais diferenças sónicas que haja, a composição de “Dancing into Oblivion” foi algo semelhante a “Kuarahy”, com o próprio Martín Méndez a compor todo o instrumental. Contudo, não se coibiu de criar espaço criativo para os colegas de banda. «Deixei secções abertas para a interpretação de cada um dos outros músicos, tanto na bateria como nas vozes. O Eloi [Boucherie, voz] escreveu as letras e depois trabalhámos em conjunto nas partes vocais para se chegar ao resultado final em estúdio.»

Por fim, a mistura e masterização foram supervisionadas pelo conceituado Jaime Gómez Arellano (Paradise Lost, Moonspell, Mayhem), no Orgone Studios, uma vez que os White Stones ficaram mais do que satisfeitos com o trabalho do produtor no álbum anterior. Eloi reconhece como remate: «A gravação teve mais experiência e mais qualidade sonora porque fizemos melhores decisões durante a pré-produção graças a um maior nível de auto-consciência enquanto banda. O Jaime também nos conhecia melhor, portanto isso simplificou o processo e ajudou a que “Dancing into Oblivion” ficasse tão bom como é.»

“Dancing into Oblivion” é o segundo álbum dos White Stones e tem data de lançamento a 27 de Agosto de 2021 pela Nuclear Blast.

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