#Guitarrista

Reviews

Werewolves “What a Time to be Alive”

Técnica, precisão e perícia, o que resulta numa pujança e velocidade, em que se cruzam death metal técnico, grindcore progressivo e d-beat num impacto vibrante.

Publicado há

-

Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 29.01.2021
Género: death/black metal
Nota: 4/5

Técnica, precisão e perícia, o que resulta numa pujança e velocidade, em que se cruzam death metal técnico, grindcore progressivo e d-beat num impacto vibrante.

Sam Bean (baixo/voz) e Matt Wilcock (guitarra), parceiros em The Berzerker e The Antichrist Imperium, reúnem-se com Dave Haley (baterista dos Psycroptic, inscrito também nos Ruins e nos King) para formarem os novos Werewolves. Vêm de Melbourne, uma cidade cujo circuito underground agitado e prolífico se recomenda a todos os interessados na monitorização de ondas rock abaixo do radar. É com este line-up que os Werewolves mostram o dente a 2021 e revelam o sucessor do primogénito “The Dead Are Screaming”, editado no ano passado. Agora que 2020 está enterrado, toca a despachar “What a Time to be Alive”, um bloco de nove temas no limite da música extrema com uma mensagem contra tudo e contra todos, inclusive os que gostam disto. Não fazem música para agradar. A avaliar pela amostra raivosa e embrutecida destes 33 minutos e pela mistura conturbada de death e black metal, os gajos andam f****** da vida, como fica claro no primeiro single e tema de abertura “I Dont´t Like You”.

As medidas sanitárias impostas pela pandemia e o isolamento vieram decidir, fomentar e instituir outras formas de produção e de consumo de música desde a Austrália a Coimbra-B. Quando questionado numa entrevista a um órgão da imprensa local sobre a forma como esta nova ordem mundial veio afectar a actividade da banda, Sam Bean, o porta-voz do projecto, disse que era normal para os elementos da banda trabalharem online, compondo e gravando de forma remota, por residirem em cidades separadas por 800km. Se não fosse a Internet, a sobrevivência destes grupos estava comprometida. De resto, a maioria dos artistas envolvidos nestes nichos não é gravemente afectada por esta circunstância, uma vez que não dependem da sua actividade musical como sustento. A militância na música extrema e pesada é um “Mission Statement”, como referido no terceiro título do novo álbum – não é um emprego, é uma carga de trabalhos. O power-trio australiano já conhecia a lição e fechou-se em casa a passar música a ferro, com tudo no berro, para cima dos 260bpm. Os temas “Sublime Wartime Voyeurism” e “Antisocial” explicam-no bem.

No entanto, não deixa de ser impressionante como uma banda, que diz nunca se ter reunido presencialmente para um ensaio, foi capaz de construir uma sonoridade tão orgânica e intensa, com baixo, guitarra e bateria ligados de forma tão coesa, e um resultado com esta definição. O papel de Joe Haley na produção – o músico e irmão do baterista, também nos Psycroptic – terá sido determinante. Ainda assim, é de um gajo ficar embasbacado face à técnica, precisão e perícia do conjunto dos músicos, o que resulta numa pujança e velocidade, em que se cruzam death metal técnico, grindcore progressivo e d-beat num impacto vibrante. A atenção divide-se entre faixas como o mais recente single “Crushgasm”, “Unfathomably Fucked”, “Traitors and Bastards” ou “They Will Pay with Their Own Blood”, o tema final num ritmo inicialmente lento, cadenciado e dramático, até se mandar na cavalgada de blast-beats que se impõe sobre a maioria dos temas.

O cancelamento forçado da digressão do álbum de 2020 foi aproveitado para produção deste e de outros conteúdos, para se aprender a capitalizar os mesmos online e sobretudo para se produzir música nova. A que já têm gravada vai render para os próximos quatro anos, dizem eles, e não creem que antes de 2022 venham a existir condições para viajar em tournée. Para quem tinha como objectivo lançar um álbum por ano, já podem tirar umas férias. Por enquanto, temos o novo “What a Time to be Alive” para nos entreter, tal como nos é sugerido pela faixa “A Plague On All Your Houses”. Não ficou claro, mas a banda auto-recomenda-se a fãs de Marduk ou Mortician.

Facebook

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021