#Guitarrista

Entrevistas

Wednesday 13 sobre Joey Jordison: «Nunca mais terei outro amigo como ele»

Wednesday 13 recorda a criação de Murderdolls com Joey Jordison, o seu legado e os últimos contactos.

«O Joey mudou o meu mundo e mudou o mundo da música.»

Falecido prematuramente em Julho de 2021 aos 46 anos, Joey Jordison deixou um vazio e um legado, ambos enormes. Membro-fundador e baterista dos Slipknot, onde esteve de 1995 a 2013, Jordison participou ainda em projectos como Sinsaenum, Vimic, Scar the Martyr e Murderdolls. No último como guitarrista, Joey travou uma longa amizade com o vocalista Wednesday 13.

Em entrevista à Metal Hammer [#353], Wednesday 13 conta como tudo aconteceu no início do novo milénio: «Foi no fim da digressão do “Iowa” [álbum dos Slipknot] e ele ia montar uma banda nova no imediato. Eu estava com a minha filha, que tinha três anos na altura, a jantar, e o Joey telefona-me. ‘Sou o Joey dos Slipknot.’ E eu disse: ‘Qual deles és? Há para aí uns 20 de vocês!’ Ele achou muita piada. Eu conhecia Slipknot mas não era fã – eu era um gajo do punk rock – e acho que isso fez-me gostar dele ainda mais. Eu não sabia na altura porque estava fora da Carolina do Norte, mas Iowa e donde eu sou são basicamente o mesmo tipo de lugar. Ligámo-nos instantaneamente. Quando pensava em Slipknot, ficava do tipo: ‘Não vou conseguir dar-me com o gajo desta banda.’ E ele acabou por se tornar um dos meus melhores amigos.»

Banda de horror punk, é claro que os filmes de terror desempenharam um papel de relevo na hora de se aliarem forças, resultando no primeiro álbum “Beyond the Valley of the Murderdolls” (2002). «No início era uma colaboração. Fazíamos a nossa própria cena e combinávamo-la», recorda. «As músicas que já tínhamos eram um aceno aos filmes de terror. Perguntei ao Joey: ‘Quais são os teus filmes favoritos?’ Ele disse “The Texas Chain Saw Massacre”, “Phantasm”, “Dawn of the Dead”… Fiquei do tipo: ‘Será que nos tornámos os melhores amigos?’ Era uma extensão das coisas que adorávamos e gostávamos de ser geeks com isso.»

Depois do trabalho em estúdio, situação em que Wednesday 13 nunca tinha estado antes e teve em Joey Jordison um professor, seguiu-se a digressão de promoção ao álbum. «Sonhava com isso desde os meus 10 anos. Não bebia antes da digressão dos Murderdolls, mas dávamos um concerto e depois bebíamos durante quatro horas e passávamos um bom bocado. O burburinho no Reino Unido era enorme por causa de Slipknot. Eram pessoas que estavam fartas de nu-metal – éramos uma lufada de ar fresco. Era tão divertido para nós como para o público. Não acreditávamos que tínhamos um público de doidos com a sobrancelhas rapadas! Mandávamos o Joey em crowdsurfing até ao bar. Dizíamos: ‘Ok, vamos mandar o Joey para aí, mas não o podem magoar! Não lhe tirem a roupa!’ Ele ia até ao bar, o barman tirava um shot de Jack Daniel’s, ele mandava-o abaixo e depois surfava de volta. Fazíamos isso em todos os concertos.»

«O Joey disse: ‘Temos de fazer Murderdolls outra vez!’ E andávamos a falar sobre isso.»

Com Murderdolls, Wednesday 13 garante que Joey pôde «expressar o seu sentido de humor». Continua: «Os Slipknot são tão pesados e ele era um baterista do caraças que não dava para brincar com isso. Mas Murderdolls era uma cena tão nada séria. Ele adorava o exagero do espectáculo e o elemento diversão, e isso assustou-o um pouco porque ele pensava que as pessoas não o iam levar mais a sério. Mas correu bem, toda a gente o adorava.»

Considerando que aquilo de que terá mais saudades é «o sorriso e a personalidade tão grandes quanto os seus solos de bateria», ao longo dos anos o contacto foi mantido, mas não tanto quanto Wednesday 13 gostaria, conforme conclui: «Mantivemos contacto, mais numa troca de mensagens. Os Slipknot andavam a tocar e eu estava em digressão. Mas, na verdade, há três ou quatro anos tirámos um dia perto de Iowa e fomos a casa do Joey para um churrasco e ficámos por lá. Foi a primeira vez que estivemos juntos em muito tempo. Dava para dizer que não era o mesmo Joey por andar pelo mundo com esta grande banda, mas ainda era meu amigo e não quis intrometer-me muito. Eu só queria voltar a ligar-me a ele. De facto, ele disse: ‘Temos de fazer Murderdolls outra vez!’ E andávamos a falar sobre isso. Andámos para trás e para a frente até há três meses. Recebi a sua última mensagem quando ele acordou e estava a ver o “The Texas Chain Saw Massacre”, e de repente foi como antigamente. Ele disse: ‘Brother, I love you, keep your horns up.’ Isso foi um mês e meio antes de morrer, e continuo a ficar irritado comigo mesmo: ‘Será que devia tê-lo contactado mais? Será que devia ter-me aproximado?’ Tenho muitas memórias e a maioria são boas. Nunca mais terei outro amigo ou parceiro de composição como ele. Ele mudou o meu mundo e mudou o mundo da música, e nunca mais terei outro gajo como ele. Qualquer pessoa que o tenha conhecido é abençoada, acredita.»

Lê também “Joey Jordison: cinco momentos que fizeram história” aqui.
Conhece os produtos da revista Guitarrista aqui.

Facebook

Apoia a nossa causa

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021