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W.E.B.: pão, espectáculo, sangue e violência

Sakis Prekas mostra-se feliz com o novo álbum. Com a sociedade, a história é outra e Colosseum retrata isso mesmo.

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Foto: cortesia Metal Blade Records

«Metal é o género musical mais revolucionário que alguma vez existiu.»

Fundados no início do Séc. XXI devido à necessidade de se gritar, explodir e criar emoções que possam ser partilhadas em palco com o público, os gregos W.E.B. têm forjado um caminho em direcção ao topo do metal negro e sinfónico europeu. Neste final de 2021 regressam aos lançamentos com o quinto álbum “Colosseum”, uma combinação entre o brutal e o cativante, sem esquecermos as orquestrações épicas que encharcam todas as nove novas faixas.

«Queríamos que este álbum fosse directo», começa por dizer o guitarrista/vocalista Sakis Prekas através da Metal Blade Records. «Queríamos que fosse agressivo, no ponto, e ao mesmo tempo impulsionar tudo literalmente: maior, mais rápido, mais barulhento, mais duro. É o nosso álbum mais metal.»

Para este disco, a banda deu as boas-vindas a dois novos membros: o baterista Nikitas Mandolas (que se juntou logo após as gravações de “Tartarus”, de 2017) e a baixista/vocalista Hel Pyre. Prekas comenta: «Para além das grandes letras e da performance perfeita no baixo, ela forneceu as suas vozes brutais e limpas em várias partes do álbum, deixando a sua marca de fogo. É um elemento completamente novo para W.E.B., que deu um carácter único ao material.»

Com uma formação solidificada, o grupo começou a compor esta novidade no início de 2019, trocando ideias entre si até se chegar ao momento da pré-produção. «Sem referências, quando fazemos música, os nossos únicos pensamentos são sobre querermos fazer com que soe o mais incrível que conseguimos», revela Prekas. Quanto às orquestrações, essas estão a cargo de Christos Antoniou (Septicflesh). Prekas acrescenta: «Metal é, sem dúvida, o género musical mais revolucionário que alguma vez existiu. Adicionar orquestra sinfónica torna a experiência ainda mais épica e emocional. Queremos que a nossa música inspire os sentidos, e assim aspiramos a fazer com que seja intenso.»

Sobre o título “Colosseum”, os helénicos traçam comparações com o passado e o presente num estilo tipicamente brutal. «O coliseu era a famosa gigante arena em Roma que dava às pessoas pão e espectáculo, mas o que fazia verdadeiramente era saciar a sede de sangue e violência do povo, afastando-o de pensar. Tipo uma antiga TV para lavar cérebros. Hoje em dia, as pessoas parecem ainda mais sedentas de sangue. Procuram violência em quase tudo. Consegues ver isso nas redes sociais, nas ruas – até uma pequena luta entre crianças no recreio da escola atrai outras crianças, não para separar mas para observar. Os humanos sentem falta do coliseu e o que isso lhes dava à sua natureza violenta, mesmo que nunca admitam. O título “Colosseum” é a ironia de lhes dar o que secretamente desejam. Talvez depois comecem a compreender o que vêem ao espelho e, esperançosamente, isso vai incomodar.»

«Hoje em dia, as pessoas parecem ainda mais sedentas de sangue. Procuram violência em quase tudo.»

Liricamente, o traço de “Colosseum” escorre por cenários negros e de terror, assim como do oculto e da filosofia, sobre «tudo o que faz tremer as fundações das nossas almas, tudo o que odiamos, tudo o que louvamos». Na verdade, com este disco, a banda dá-nos muito que pensar. A inaugural “Dark Web” é uma interpretação entre o nome da banda e a camada oculta da Internet e todos os seus rumores, como compra de drogas, armas e homicídios por encomenda. «A música fala deste horroroso conceito combinado com a nossa compreensão de que quem domina o mundo olha para baixo como se fôssemos escravos, ou mesmo formigas», esclarece Prekas. Continuando-se a revelar o teor dos temas, a segunda faixa “Murder of Crows” é mais filosófica ao dissertar sobre a morte, o inevitável fim de todos nós e os últimos pensamentos de um homem a morrer sozinho, enquanto a faixa-título é o «monólogo de um gladiador e como o sistema abusou da sua existência». «Finalmente, na música, acontece uma insurreição de escravos contra a opressão e executa-se a aristocracia arrogante», conta Prekas.

Com lançamento a 19 de Novembro de 2021 pela Metal Blade Records, “Colosseum” foi gravado, misturado e masterizado em Atenas com supervisão de Psychon. Embora Prekas admita que este foi o álbum mais difícil que a banda gerou, também assegura que as sessões foram tranquilas, principalmente devido ao colectivo estar bem preparado. «Teve muito a ver com a química entre nós e a maneira como o Psychon trabalha connosco ao manter as gravações numa agenda estrita e, ao mesmo tempo, a deixar-nos confortáveis para nos expressarmos. Quem nos dera que todas as gravações daqui para a frente sejam tão agradáveis como as deste álbum.»

Ainda assim, os gregos tiveram de ultrapassar as dores de cabeça impostas pelas orquestrações e pelos arranjos. «Quando entras na toca da orquestra sinfónica e dos sintetizadores, estás num caos de sons e surgem sempre novas ideias. Passámos horas no design do som e em decisões como nunca antes, mas o resultado fala por si.»

Por mais poderoso que o resultado seja, um disco é apenas uma parte da experiência que retiramos de W.E.B. e a banda mal espera por regressar aos palcos. «Tocar ao vivo é o que dá verdadeiro significado à música. Ouvir música ao vivo transfere a paixão do momento e partilhar isso com o público é pura magia.» Com os concertos a começarem a acontecer e com o vigésimo aniversário da banda à porta, 2022 deverá ser um ano em grande para os W.E.B.. Prekas remata: «É estranho porque nunca pensas nisso, e, quando pensas, parece muito tempo, não é? Tem sido uma aventura. Continuamos a pensar em W.E.B. como uma banda que tem mais para oferecer, mais para alcançar, mais para dizer. Enquanto a chama arder, o tempo não importa.»

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