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Wardruna: «Há muitos equívocos quanto ao tempo que chamamos de Era Viking»

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Vampiros, zombies, vikings… Três mundos que vão tendo o seu momento ao longo dos anos com séries de TV, filmes, livros e videojogos. Nos últimos anos, a cultura nórdica tornou-se mainstream muito à custa da série que dá pelo nome de… “Vikings”.

Ao que muitos podem chamar de apropriação cultural, há bandas norueguesas, como Helheim, que não apreciam de todo o que foi e é feito à volta das suas origens. «Diria que 90% [dos filmes e séries] são porcaria total!», disse H’grimnir à Ultraje Magazine em 2017.

Renomado no panorama folk, Wardruna, de Einar Selvik, é um projecto que já colaborou activamente com a sua música tanto em séries como em videojogos. Em declarações à Metal Hammer Portugal numa conferência via Zoom, Einar comentou sobre o assunto: «Há muitos equívocos quanto ao tempo que chamamos de Era Viking. Há algumas fortes noções populares que não são historicamente precisas. Mas acho que a questão principal para mim é que a palavra viking é problemática, porque tens toda uma cultura nórdica, que se estende por milhares de anos, que está a ser definida por uma palavra e por aquilo que uma pequena quantidade de pessoas fez num curto espaço de tempo. Basicamente, isso não reflecte toda a cultura. Mas também compreendo por que é que tem recebido tanta atenção e por que é que as pessoas ficam tão fascinadas com os vikings, porque dominaram no seu tempo. Estou muito ciente em relação a Wardruna ao não usar a palavra viking quando descrevo a minha música. Prefiro usar a palavra Norse, porque estende-se a um maior período de tempo – inclui todas as partes da cultura, não apenas o que uma pequena quantidade de pessoas fez num curto espaço de tempo.»

O novo álbum de Wardruna intitula-se “Kvitravn” e será lançado a 22 de Janeiro de 2021.

Segundo Einar, este trabalho continua onde a trilogia Runaljod parou, «mas ainda assim marcando uma evolução» na sonoridade. «Ao longo de 11 canções, “Kvitravn” discute a feitiçaria nórdica, espíritos animais, sombras, natureza e animismo, a sabedoria e os significados de certos mitos, vários conceitos espirituais nórdicos e a relação entre o sábio e as canções.»

E acrescenta: «Recitar e copiar não é muito difícil, mas compreender e integrar pensamentos ancestrais, ferramentas e métodos com um propósito verdadeiro numa criação que é relevante para a era moderna é verdadeiramente desafiante e mantém-se o nosso objectivo primário no nosso trabalho.» Embora o título do disco seja uma variante do seu pseudónimo Kvitrafn (diferente de “Kvitravn”), o norueguês esclarece que se «refere ao simbolismo e lendas dos animais brancos sagrados encontrados na cultura nórdica e noutras culturas pelo mundo».

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