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Vulcano “Eye in Hell”

Volvidos cerca de 40 anos após a sua formação, Vulcano é uma banda que demonstra dignidade e vitalidade.

Editora: Mighty Music
Data de lançamento: 13.03.2020
Género: black/death/thrash metal
Nota: 4/5

Volvidos cerca de 40 anos após a sua formação, Vulcano é uma banda que demonstra dignidade e vitalidade.

Donos de uma extensa carreira iniciada no princípio dos anos 1980, os brasileiros Vulcano editam o seu 11º álbum, “Eye in Hell”, o primeiro pela dinamarquesa Mighty Music, que alberga nomes venerandos como Artillery, Blitzkrieg ou Tygers Of Pan Tang. Desengane-se, porém, quem pensa que a banda de Santos enveredou pelos caminhos sonoros da NWOBHM. Com lançamento agendado para a próxima sexta-feira 13, “Eye in Hell”, apropriadamente composto por um rosário de 13 temas, mostra-se fiel à sua já longa tradição musical de base thrash com condimentos death/black.

O tema inicial, “Bride of Satan”, enquadra-se num lote de faixas do qual fazem parte “Cursed Babylon”, “Evil Empire”, “Sirens of Destruction”, “Dealer of my Curses”, “Mysteries of the Black Book”, “Inferno” e “When the Day Falls”, que fará as delícias de um qualquer fã de Slayer. É, contudo, no diálogo entre o thrash e os seus congéneres mais sombrios que Vulcano recupera parte da aura demoníaca de início de carreira — uma faceta materializada no clássico “Bloody Vengeance” que, não obstante as tracklists sugerirem o contrário, tem sido paulatinamente relegada para segundo plano, temperada pelo adicional de experiência (e de cabelos brancos) adquirido durante a carreira. “Strugglin Besides Satan”, “Sinister Road”, “Devil’s Bloody Banquet” e “Cybernetic Beast” expressam essa dinâmica, em que o recém-chegado Bruno Conrado brilha na bateria, mostrando ser um digno sucessor de Arthur von Barbarian.

Surpreende a faixa de encerramento, “Eye in Hell”, que, lenta e opressiva, com uma atmosfera a fazer lembrar a “Dark is the Season” dos Benediction, acaba por ser o momento em que a banda mais arrisca, diferindo da estética musical dominante neste trabalho. A expressividade que Luís Carlos Louzada imprime na vocalização, a guitarra – ora cortante, ora melódica – e a toada minimalista à medida que o tema se aproxima do final, em que sobressai o baixo de Carlos Diaz, são elementos que proporcionam um momento de intensidade inigualável ao longo do álbum. Isto porque um denominador comum à maioria dos temas é a forma algo abrupta como terminam, uma tendência presente nos últimos registos de originais do grupo brasileiro que, ao suprimir elementos que consideram supérfluos, acabam por limitar o seu potencial efeito catártico.

Longe de ser um trabalho emblemático no panorama actual, “Eye in Hell” é, contudo, vívido, contagiante e descomplexado, fruto de uma banda que assume a sua herança, sem que isso signifique manter-se refém do passado – argumentos mais que válidos para que lhe seja dispensada atenção. Volvidos cerca de 40 anos após a sua formação, Vulcano é uma banda que demonstra dignidade e vitalidade, quer em estúdio, quer ao vivo, como foi possível comprovar aquando da sua passagem por terras lusas em Dezembro de 2019.

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