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Visions of Atlantis: «Estamos a trabalhar em novas ideias desde o início da pandemia»

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Foto: Napalm Records

Com vinte anos de carreira, nunca se ouviu falar tanto de Visions of Atlantis (VoA) como nos últimos dois anos. A razão é simples: para além do orelhudo metal sinfónico marítimo que fazem, o line-up tornou-se muito mais estável com Clémentine Delauney (desde 2013) e Michele Guaitoli (desde 2018) ao leme da banda fundada pelo baterista Thomas Caser (CEO da Napalm Records). Em 2019 actuaram no festival Bang Your Head com a particularidade de serem acompanhados pela Bohemian Symphonic Orchestra Prague, com o momento a ser eternizado no DVD / BluRay “A Symphonic Journey to Remember”. Em entrevista à Metal Hammer Portugal, Michele Guaitoli recorda a experiência com emoção, fala da devoção dos fãs, comenta a pandemia e revela que novas músicas estão a ser compostas.

«Foi uma experiência única na vida.»

Michele Guaitoli sobre o concerto com a orquestra em 2019, que originou o DVD

A primeira pergunta que se impõe é: quão majestoso foi tocar com uma orquestra e era isto um objectivo de longa data?
Foi uma experiência única na vida. Não importa quantas vezes teremos a hipótese de o fazer novamente, vamos sempre lembrar-nos da experiência no Bang Your Head como o nosso primeiro concerto com uma orquestra a sério. Acredita em mim quando digo que foi pura magia. Durante os ensaios, na véspera, todos tivemos arrepios e alguns emocionaram-se com o clima e a sensação maravilhosa que sentíamos no coração. Sabes, symphonic metal é baseado na magia dos arranjos orquestrais incluídos no som pesado do metal… Um conceito extremamente óbvio e simples, mas ainda assim absolutamente verdadeiro. Na maioria das vezes, é impossível transportar isto à realidade, por isso o symphonic metal explodiu nos anos 90, quando a tecnologia possibilitou a formação de orquestras virtuais. Apenas algumas bandas tiveram a honra de se apresentar ao vivo com uma orquestra e apenas mais algumas tiveram a hipótese de ter uma orquestra a sério nos seus discos. Sentimo-nos com sorte!

Metal e música clássica não são estranhos entre si, mas o impacto para um músico clássico em relação ao metal pode ser mais estranho do que para um metaleiro em relação à música clássica. Como é que tudo correu entre Visions of Atlantis e a orquestra?
A minha experiência pessoal diz-me que, geralmente, músicos clássicos têm mente-aberta, apesar dos rumores que às vezes circulam no ambiente clássico. Mesmo as orquestras mais pequenas são compostas por músicos profissionais que servem a música sem questionar muito o estilo. Às vezes, vês discussões malucas entre metaleiros nos fóruns, com alguém a dizer que uma banda específica tende mais para o “extreme symphonic power speed metal”, enquanto outro responde que está a tocar “super symphonic epic power progressive metal”. O que tenho visto, não só com a Bohemian Symphonic Orchestra Prague mas em todas as minhas experiências com músicos clássicos (mesmo quando os gravo no meu estúdio), é que eles querem apenas servir a música, independentemente do estilo ou do rótulo que damos para uma faixa específica. Eles procuram a sua melhor forma de expressão para fazer com que o que estão a tocar soe da melhor maneira possível.

2019 estava a correr tão bem para Visions of Atlantis com um álbum e uma estrada aberta à vossa frente para espalharem a vossa música. Quão dura foi e é esta pandemia para a banda?
Às vezes, a vida é irónica. Os Visions of Atlantis lutaram muito ao longo dos anos para chegarem onde estão. Basta pensar em todas as mudanças na formação e em todas as dificuldades encontradas na estrada. Em 2018 entrei na banda e, de alguma forma, encontrámos uma estabilidade nunca antes encontrada. A formação actual dos VoA é uma família de pessoas que não actuam apenas umas com as outras. Gostamos uns dos outros, somos amigos nas nossas vidas: partilhamos experiências que vão muito além da música. Chamamo-nos irmãos e irmãs. Os VoA demoraram 20 anos para chegar aí, e não é estranho que, exactamente quando essa estabilidade aumentou, a banda começou a crescer em todo o lado. Nos últimos dois anos, temos feito muitos concertos, digressões que duram meses, temo-nos apresentado em todos os lugares que podíamos sem nos sentirmos cansados. 2020 deveria ter sido o ano dos VoA. Teríamos feito a nossa primeira digressão como atracção principal (da qual apenas realizámos a primeira etapa em Fevereiro), a nossa primeira digressão pelos EUA (da qual realizámos apenas os cinco primeiros concertos) e tínhamos no nosso calendário muitos outros concertos por anunciar. Ainda assim, somos uma banda que olha sempre para o lado positivo. Mesmo que haja um gosto amargo em tudo isto, decidimos fazer de cada dia, desde o início da pandemia, um bom dia. Temos estado a planear, a trabalhar online e na vida real quando pudermos viajar novamente. Estivemos a compor novas músicas, como já dissemos no Facebook, lançámos uma versão acústica de “Nothing Lasts Forever” gravada nas nossas próprias casas e agora estamos superprodutivos e prontos para promover o novo DVD / BluRay. A Clémentine [Delauney, voz] lançou o seu website / blog (www.clementinedelauney.com), estou a trabalhar muito no meu estúdio (The Groove Factory, em Udine) e há muito por vir. Ninguém pode moldar o futuro como quer, só podemos dar o nosso melhor para que as coisas sigam na direcção que queremos – estamos a dar o nosso melhor.

«Acreditamos em cada palavra que a Clémentine escreve: é simplesmente um elemento central de Visions of Atlantis.»

Pelo que vemos nas redes sociais, Visions of Atlantis tem uma base de fãs muito forte e dedicada. Quão cheios de alegria ficam os vossos corações com tanta devoção?
É simplesmente maravilhoso. Um dos elementos mais importantes da nossa música são as mensagens que passamos aos nossos fãs com as nossas canções. A Clémentine é a única autora das nossas letras, mas não é segredo que ela é a voz de toda a banda. Acreditamos em cada palavra que ela escreve: é simplesmente um elemento central de Visions of Atlantis. Ter uma base de fãs tão dedicada dá-nos força, pois significa que o que escrevemos chega ao coração dos nossos fãs a um ponto em que eles não só gostam da nossa música como também compartilham os nossos sentimentos. Isto é claramente perceptível nas redes sociais, na resposta que temos à nossa newsletter, na presença constante dos nossos obstinados fãs nas nossas digressões por toda a Europa. Como disse: isto é simplesmente maravilhoso, e sublinhe-se bem que nos importamos.

Infelizmente, algumas bandas estão a entrar em hiato devido à pandemia, mas outras estão a usar estes meses para criarem colaborações via Internet, para lançarem EPs surpresa e, claro, para começarem a escrever novos álbuns. Sabendo que este álbum ao vivo é uma forma de se ligarem aos fãs neste momento, mas, e como disseste antes, como está a reunião de ideias para um possível novo lançamento em 2021?
Estamos a trabalhar em novas ideias desde o início da pandemia. Pela primeira vez também decidimos tentar algo novo para VoA ao escreverem-se músicas em conjunto. No passado, escrevemos algumas faixas por nossa conta: a “Wanderers” foi totalmente composta (e interpretada) pela Clémentine, a “A Life of our Own” é uma música que eu escrevi. Isto é o que a maioria das bandas faz: há um ou alguns compositores que põem as suas ideias na mesa. A Clémi e eu decidimos tentar algo diferente e passar algum tempo juntos no estúdio, a escrevermos novas músicas nascidas da ideia de um ou de outro e desenvolvidas em conjunto. Já vos posso dizer que cada instante que passámos juntos valeu a pena, e que no próximo disco terão algumas coisas como, por exemplo, o verso escrito por mim, o refrão escrito pela Clémi, o arranjo feito em conjunto e por aí fora. É muito cedo para falar sobre uma possível data de lançamento e é extremamente importante entender o futuro. Se a situação da COVID-19 não mudar, todas as bandas terão de ter cuidado a planear os seus futuros lançamentos.

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“A Symphonic Journey to Remember” tem data de lançamento a 30 de Outubro pela Napalm Records.

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