Os Vexed mostram dinamismo e criatividade, impondo-se com um metal modificado, com trejeitos de groove, progressivo e hardcore, o que denota... Vexed “Culling Culture”

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 21.05.2021
Género: prog/modern metal
Nota: 3/5

Os Vexed mostram dinamismo e criatividade, impondo-se com um metal modificado, com trejeitos de groove, progressivo e hardcore, o que denota uma intensidade e talento ímpares.

A começar nas lides da indústria, os britânicos Vexed dão ares da sua graça naquele que é o álbum de estreia de um metal moderno, alternativo, com toadas de metal hardcore, técnico e algum progressivo aqui e ali. “Culling Culture” é a estreia do jovem quarteto que tenciona irromper indústria adentro com trejeitos de peso e explosão, com a rebeldia certa num álbum credível e que vai agradar às juventudes fãs do género.

“Culling Culture” é a introdução certa para estes jovens britânicos que se rebelam num conjunto de 11 faixas que assolam os géneros mais cobiçados do momento, como o metal moderno, hardcore e até o groove metal em alguns temas. Os Vexed são Megan Targett, com uma voz explosiva e brutal, Willem Mason-Geraghty na portentosa bateria, Jay Bacon numa estridente guitarra e Al Harper num estrondoso baixo, criando uma atmosfera de impacto que deixará marcas.

O mundo Vexed parece versado no dinamismo sonoro, trocando de vocais limpos e guturais, sempre de forma impecável. Apesar de se denominarem como metal alternativo moderno, esta sonoridade assemelha-se mais ao hardcore – para tal basta atentar às batidas de bateria incessantes e impactantes que, com ritmo, embatem nos nossos tímpanos em faixas como “Fake”, “Hideous” e “Misery”. Claro, o metal moderno é uma generalização para tudo o que é diferente e daí o baptismo e o rótulo de moderno a uma banda que é mais nu-core do que outra coisa. Para muitos, a troca entre gutural e limpo pode parecer piroso, mas, para os fãs do hardcore, é ponto principal e forte numa sonoridade dinâmica e, sobretudo, brutal.

Em termos narrativos, os Vexed tiveram neste “Culling Culture” uma atenção ao negativo, quase não demonstrando qualquer esperança na humanidade e sociedade, criando mensagens putrefactas e nefastas em temas como “Epiphany” (sobre ódio próprio) e “Weaponise” (sobre violência). Não fica por aqui – as faixas são maioritariamente sombrias e obscuras, tristes e deprimentes. “Lazarus” e “Narcissist” são duas grandes críticas de um quarteto rebelde e zangado com a presença humanitária actual.

O álbum é interessante, podendo não atrair os fãs mais acérrimos do progressivo da velha-guarda. Apesar de tudo, os Vexed mostram dinamismo e criatividade, impondo-se com um metal modificado, com trejeitos de groove, progressivo e hardcore, o que denota uma intensidade e talento ímpares. “Culling Culture” é uma boa estreia, podendo ser um belo chamariz para os fãs mais jovens do metal – um excelente indicador da mudança musical que já está a chegar ou que está, pelo menos, para breve. Quem sabe se os Vexed não poderão ser os novos mestres do progressivo?