#Guitarrista

Reviews

Vëlla “Coma”

“Coma” é uma surpresa muito interessante que tem tudo para causar burburinho na cena nacional e, claro, evoluir, porque está provado que não há dogmas criativos no seio da banda.

Editora: Raising Legends
Data de lançamento: 09.03.2020
Género: alternative metal
Nota: 3.5/5

“Coma” é uma surpresa muito interessante que tem tudo para causar burburinho na cena nacional e, claro, evoluir, porque está provado que não há dogmas criativos no seio da banda.

Com músicos rodados na cena nacional, os Vëlla movimentaram-se praticamente nas sombras para, no momento que acharam ser certo, revelarem-se ao mundo através das redes sociais, originando um hype que tem dado os seus frutos. Dessa revelação surgiu “Coma”, o álbum de estreia do quinteto que, conceptualmente, baseia as suas letras na exploração e na dissecação de noções de vida que nos parecem ser bastante negras, bastando olhar para títulos como “Tempest”, “Despair”, “The Fall” ou “Tormento”.

No departamento sonoro, pode parecer que os Vëlla caminham por duas avenidas diferentes, encontrando-se definitivamente numa perpendicular que culmina num som refrescante e num equilíbrio favorável entre melodia electrónica e poderosos ganchos de guitarra. Basicamente, quem apenas ouviu os primeiros dois singles, “Mannequin” e “Otherside”, poderá achar de antemão que se trata de uma banda que abraça o metal industrial e alternativo da viragem do século, mas enganem-se porque há muito mais do que isso.

Sim, é verdade que os Vëlla se apoiam muito em noções de alt-metal e nu-metal de há 20 anos, mas é no todo de “Coma” que surpreendem ao incluírem fluxos de death metal e deathcore contemporâneo e moderno. “Tempest” é, por exemplo, um portento musical que, se utilizado na abertura de um concerto, tem todo um potencial para criar logo um circle-pit repentino. Por outro lado, e demonstrando diversidade, “Tormento” oferece-nos a língua portuguesa, por momentos quase em modo fado, com Ana Marques e Ariana Pereira, e “The Promise” (c/ Miguel Inglês, dos Equaleft) coloca a banda em planos sinfónicos com as guitarras e os arranjos a funcionarem como orquestras. O mesmo método acaba por ser usado na violenta “Freak Show” e em “The Fall”, esta que tem tanto de death metal melódico como de Slipknot. A fase final do disco, com “Otherside” e “I’ll Be The End” (c/ André Ferreira), funciona quase como uma ode ao rock/metal alternativo oriundo dos EUA, em que se consegue sentir as influências mais friendly da música pesada do outro lado do Atlântico.

Aparecer praticamente do nada foi um risco que os Vëlla quiserem tomar e em boa hora o fizeram, mas só porque o hype está a resultar – se fosse ao contrário, estaríamos certamente com outro discurso. Posto isto, o risco pode, de facto, compensar e tal está a ocorrer com “Coma”, uma surpresa muito interessante que tem tudo para causar burburinho na cena nacional e, claro, evoluir, porque está provado que não há dogmas criativos no seio da banda.

Facebook

Apoia a nossa causa

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021