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Vader “Solitude In Madness”

Em 2020, os Vader fazem o que sempre fizeram melhor, e isso é investirem tudo o que têm num disco nunca abaixo de excelente.

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 01.05.2020
Género: death/thrash metal
Nota: 4/5

Em 2020, os Vader fazem o que sempre fizeram melhor, e isso é investirem tudo o que têm num disco nunca abaixo de excelente.

Existe uma palavra para definir o metal que nos chega da Polónia desde meados dos anos 1990 – consistência. Sendo que os Vader sempre foram os porta-vozes da mesma desde o início do grupo (com discos fundamentais como “The Ultimate Incantation” ou “De Profundis” em carteira) até à actualidade, poucas dúvidas restam sobre a importância deste quarteto no que toca a criar e exportar música pesada de alta qualidade, pese o facto de, passados quase 40 anos de actividade, ser difícil manter-se relevante e até actual numa época em que a quantidade de informação que nos chega já ultrapassou há muito a nossa capacidade de a assimilar.

“Solitude In Madness”, a mais recente investida do estandarte polaco, é um disco que não desilude, que ajuda a manter acesa a chama do death metal, uma chama sempre forte, mas que pouco mais tem a oferecer no departamento da originalidade. A primeira faixa do novo disco, “Shock And Awe”, é uma declaração nítida de intenções – nela, percebemos que os Vader regressaram ao glorioso passado da velocidade estonteante e de um peso despreocupado, quase irresponsável. “Solitude In Madness” decorre maioritariamente dessa forma: rápido, bastante violento e caótico, ainda que com algumas excepções.

Gravado de outra maneira, com mais atenção a pormenores ínfimos e numa paragem distante da pátria, existe um punhado de temas mais lentos, nos quais os Vader injectam groove para reafirmarem o peso que compensa a ausência de velocidade. Depois, há o devido tributo a uma banda polaca de altíssima qualidade e quase sempre negligenciada, os Acid Drinkers, cuja “Dancing In The Slaughterhouse” é devidamente revista por Peter & Cia.. Por esta altura, a meio do disco, sentimos nele a influência de trabalhos como “Litany” ou “De Profundis” a virem ao cimo.

O desempenho mais impressionante cabe a James Stewart (bateria), o único integrante que não é polaco mas que disfarça muito bem, atingindo velocidades praticamente inumanas e milimetricamente executadas, recordando-nos o saudoso “Doc”, o eterno baterista dos Vader. Ainda assim, sentimos que o jogo de guitarras e a voz foram melhoradas, bem como o som do baixo que, tendo tamanha importância na cozinha dos Vader, é agora mais nítido do que anteriormente. Mesmo nas partes vocais conseguimos distinguir esforços redobrados e apurados da parte de Peter, tudo prova da entrega incondicional dos polacos.

Em 2020, os Vader fazem o que sempre fizeram melhor, e isso é investirem tudo o que têm num disco nunca abaixo de excelente. Todas as características da marca Vader estão lá, desde o som inconfundível à forma muito individual do death metal polaco, mais agressivo, mais incessante, mais patogénico. “Solitude In Madness” não é e não será o disco de Vader por excelência, até porque é difícil suceder a “De Profundis”, mas é uma boa continuação do que estes quatro magníficos nos têm habituado desde então.

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