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Ulthar “Providence”

Oito temas de blackened death ou deathened black metal, condensados em 36 minutos, são quanto baste para demonstrar complexidade e técnica sem qualquer tipo de pretensiosismos. Para lá do híbrido, apresentam-nos antes uma quimera de leads imponentes, riffs penetrantes e passagens melódicas.

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Editora: 20 Buck Spin
Data de lançamento: 12.06.2020
Género: black/death metal
Nota: 4.5/5

Oito temas de blackened death ou deathened black metal, condensados em 36 minutos, são quanto baste para demonstrar complexidade e técnica sem qualquer tipo de pretensiosismos. Para lá do híbrido, apresentam-nos antes uma quimera de leads imponentes, riffs penetrantes e passagens melódicas.

Se quiséssemos atribuir um título de “regresso mais bem-conseguido destes últimos cinco anos”, esse pertenceria, muito provavelmente, ao old-school death metal. Novos projectos, inúmeros lançamentos, tours e merchandising a rodos serão apenas alguns dos factores que corroboram esta afirmação. A bandas como Blood Incantation, Tomb Mold e Sulphur Aeon junta-se então um punhado bastante considerável de outros nomes e entre eles encontrar-se-á certamente Ulthar. O trio de Oakland abriu apetites mais vorazes com a demo lançada em 2016, mas foi com o seu álbum de estreia “Cosmovore” que conseguiram a tão merecida atenção. Uma sonoridade equilibrada entre thrash e death, a prometer grandes composições, foi o que deixou a comunidade underground colada ao que ainda estaria para vir, sobretudo se acompanhada de referências como Vastum.

O dia chegou e “Providence” rapidamente se declara um forte candidato às listas de melhores álbuns do ano. Oito temas de blackened death ou deathened black metal, condensados em 36 minutos, são quanto baste para demonstrar complexidade e técnica sem qualquer tipo de pretensiosismos. Para lá do híbrido, apresentam-nos antes uma quimera de leads imponentes, riffs penetrantes e passagens melódicas, de onde facilmente se compõe uma quase infinita lista de influências. Bolt Thrower, Morbid Angel, Nile e Demilich são alguns dos nomes que suportam esta mistura cavernosa, e, pelo meio de diversos momentos que nos remetem para estas referências, os interlúdios entre temas e o gorgolejar maléfico merecem, sem dúvida, destaque.

A dualidade apresentada no registo vocal é inesperada, mas certeira, recorrendo-se ao uso de shrieks agonizantes a la black metal e de guturais intimidantes, como se o pântano nos falasse. Uma combinação perfeita para dar voz à criatura que vemos na capa (artwork de Ian Miller), numa versão evoluída de tentáculos e múltiplos apêndices vistos em “Cosmovore”, desta vez elevada a um novo nível de maldade e perversão. Um ser digno de qualquer conto de H.P. Lovecraft – ou não fosse “The Cats of Ulthar” uma inspiração – que se move ao ritmo dinâmico do álbum e que em momentos de rugidos e spoken-word nos remete de imediato para a imagem daquele pouco agradável tête-à-tête entre Ripley e o xenomorph.

A guitarra dedica-se à construção de intrincados labirintos dissonantes, enquanto a bateria e o baixo montam a derradeira tag-team para erguer uma ameaçadora wall of sound, que nos atinge as têmporas do início ao fim, sem quaisquer perguntas ou tempo para fôlegos extra. Com tanto de blast como de mid-tempo e groove, assumem o papel de guia nesta cavalgada infernal. Old-school mas moderno, conta ainda com uma produção refinada, em que a nitidez de cada instrumento em pouco ou nada compromete a murkiness que se exige a uma assinatura de som mais antiga.

Brutal e melódico. Técnico e sofisticado. Podíamos recomendar “Churn”, “Cudgel” ou “Furnace Hibernation” para explorar cada um dos elementos referidos acima, mas este trabalho não só merece como deve ser explorado como um todo. An otherworldy call.

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