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Tuomas Holopainen: incerteza e renascimento

Tuomas Holopainen sobre o possível fim prematuro de Nightwish, o sucesso de “Once” e as relações com Tarja Turunen e Alexi Laiho.

Tuomas Holopainen sobre o possível fim prematuro dos Nightwish, a depressão e as relações com Tarja Turunen e Alexi Laiho.

Ícones dos metal sinfónico, os Nightwish podiam ter tido um fim muito prematuro em 2001 após o lançamento do terceiro álbum “Wishmaster”, quando o baixista original Sami Vänskä foi despedido.

Em entrevista à Metal Hammer, o líder e teclista do grupo, Tuomas Holopainen, afirma que teria voltado à universidade, para continuar os seus estudos em biologia, caso os Nightwish tivessem cessado actividades. Pelos vistos, a salvação aconteceu, e veio de fora, conforme conta: «Estava numa caminhada com o meu amigo Tony [Kakko, vocalista dos Sonata Arctica] e ele disse: ‘Se desistires agora, vais-te arrepender para o resto da vida.’ Ele também nos disse que tínhamos de contratar um agente, porque era eu e o Jukka [Nevalainen, ex-baterista] a gerir a banda. Era horrível marcar concertos e tratar dos contratos sem ninguém a apoiar-nos. Portanto contratámos um agente em quem podíamos confiar, e isso fez toda a diferença.»

Recuperaram com “Century Child” (2002), mas um novo nível foi desbloqueado com “Once” (2004) e com o single “Nemo”. «Foi uma das melhores eras da banda», assegura Tuomas. «Estávamos no lugar certo à hora certa. A cena metal na Finlândia estava a crescer massivamente: HIM, The Rasmus, Lordi, estavam todos a tornar-se realmente grandes. Surfámos a onda, mas também fizemos o nosso álbum mais forte até ao momento. Gastámos muito dinheiro, mas lembro-me de estar realmente confiante de que não falharíamos. Do tipo: ‘Uau, isto pode ser algo grande.’»

Depois, mais um baque: a adorada vocalista Tarja Turunen foi despedida, momento marcado pelo DVD “End of an Era” (2006). Será que, novamente, Tuomas viu a banda a acabar? «Curiosamente, não», afiança. «Tive esse sentimento duas vezes. A primeira foi em 2001, depois de termos despedido o nosso primeiro baixista, e a segunda foi quando o Marko [Hietala] saiu. Mas quando a Tarja saiu e quando a Anette [Olzon] saiu, nunca senti: ‘Ok, é o fim.’ Pelo contrário. A persistência estava lá: ‘Temos de ultrapassar isto e mostrá-lo ao mundo.’»

Passados tantos anos, nada está completamente sarado, mas existe contacto entre Tuomas e Tarja. «Trocámos alguns e-mails. Embora as feridas ainda lá estejam dos dois lados, as coisas estão melhores.» E acrescenta: «Depois da separação, os meses seguintes foram realmente negros. As coisas que me salvaram de fazer algo idiota foram a minha família, os meus amigos mais chegados e o filme “The Village” do M. Night Shyamalan.»

Mas que o que significa ‘fazer algo idiota’? «Nunca fui suicida, nem de perto», esclarece, «mas eu estava mesmo num lugar negro. Foi o pior período da minha vida. Chama-lhe depressão, mas não era suicida. Quero deixar isso claro».

Para o fim, fica a recordação do compatriota Alexi Laiho, génio da guitarra dos nossos dias e líder dos extintos Children of Bodom, que faleceu no final de 2020. «Éramos muitos chegados há 10 ou 15 anos», diz Tuomas. «Saíamos muito. Eu ia a casa dele, ele vinha à minha casa em Kitee. Partilhávamos o amor pela música, pelo Donald Duck e por jogos de tabuleiro – coisas inocentes e infantis. Nos últimos anos, não estivemos muito em contacto. Trocávamos SMS e falávamos duas ou três vezes por ano, mas era isso. Não houve uma razão, simplesmente não nos víamos muito.»

Contudo, apesar do afastamento acidental, a morte de Alexi atingiu Tuomas, que remata: «Sabíamos que ele estava a passar por alguns problemas na sua saúde física, mas, quando recebi o telefonema, lembro-me de perder as forças nas pernas, do tipo: ‘Não pode ser.’ Afectou-me muito. Tenho saudades dele. Ele tinha uma personalidade maravilhosa. Havia uma inocência e ingenuidade nele quanto à música que respeito muito.»

“Human. :||: Nature.”, lançado em 2020 pela Nuclear Blast, é o mais recente álbum de originais de Nightwish. Uma versão remasterizada de “Once” será lançada a 6 de Agosto de 2021 também pela Nuclear Blast.

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