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Trivium “What the Dead Men Say”

Tendo-se em conta que Trivium é já uma banda de primeira divisão e que, como muitas do seu calibre, pode gerar opiniões díspares e acesas discussões, a Metal Hammer Portugal pediu a dois dos seus redactores que analisassem “What the Dead Men Say” separadamente. Descobre se o novo disco da banda de Matt Heafy reuniu concordância ou não…

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Editora: Roadrunner Records
Data de lançamento: 24.04.2020
Género: heavy/thrash metal / metalcore

Tendo-se em conta que Trivium é já uma banda de primeira divisão e que, como muitas do seu calibre, pode gerar opiniões díspares e acesas discussões, a Metal Hammer Portugal pediu a dois dos seus redactores que analisassem “What the Dead Men Say” separadamente. Descobre se o novo disco da banda de Matt Heafy reuniu concordância ou não…

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Diogo Ferreira

Os Trivium têm em 2020 um “What the Dead Men Say” com todos os condimentos para agradar aos mais duros de ouvido por um lado e aos menos full-metalheads por outro, o que muito poderá ajudar à inexistência dum ódio generalizado.

Diogo Ferreira

Os Trivium são, sem sombra de dúvida, um dos grupos da actual primeira liga do metal mundial, por isso vamos pôr isto desta forma: imaginemos uma banda – Metallica? – que começa forte, inovadora e até define um género, mas que perde a pujança seminal quando ruma em direcção ao mainstream com álbuns mais amigáveis e cada vez mais longínquos do poder inicial. Agora foquemo-nos no percurso dos Trivium: não será honesto dizer que tenham definido um género, mas ajudaram, e muito, a tornar o metalcore em algo de e para as massas, e, de forma equilibrada com o olho no sucesso garantido pelo almejado airplay, continuaram a soar a metal pesadão (não confundir com extremo).

O que se quer dizer com esta introdução – para muitos rebuscada, é certo –, é que passados 17 anos desde o primeiro álbum, os Trivium têm em 2020 um “What the Dead Men Say” com todos os condimentos para agradar aos mais duros de ouvido por um lado e aos menos full-metalheads por outro, o que muito poderá ajudar à inexistência dum ódio generalizado. Portanto, ainda que encontremos temas mais amigáveis e potencialmente melosos, como “Bleed into Me” e “Scatttering the Ashes”, feitos de propósito para airplay nas grandes rádios norte-americanas e canadianas, a banda de Matt Heafy é capaz de incorporar riffs e blast-beats de thrash e death metal (tema-título e “Sickness unto You”), algo que talvez só uns Slipknot possuam a coragem para tal quando se fala em mainstream. Depois, pelo meio, há todo um conjunto de típicas músicas de metalcore, algumas com um cheirinho a NWOBHM (“The Defiant”), que, como é expectável, oscilam entre o berro e a espantosa voz limpa de Heafy, entre o riff compacto e o acorde solto.

“What the Dead Men Say” é um álbum com uma generosa dose de diversidade e de fácil audição, que obviamente não agradará ao metaleiro ortodoxo do black e death metal, mas que encherá as medidas ao headbanger comum e de mente-aberta.

Nota: 3.5/5

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João Correia

“What the Dead Men Say” é um disco que tem tudo, mas rigorosamente tudo, para ser, uma vez mais, um ponto de viragem na carreira dos americanos.

João Correia

Poucas bandas conseguem criar um nível de expectativa demasiado elevado nos tempos que correm. Caso fôssemos obrigados a apostar, obviamente que teríamos de lançar os dados na direcção dos maiores intérpretes actuais da cena, com Iron Maiden, Rammstein, Mastodon, Ghost e Metallica à cabeça. Nem só do primeiríssimo escalão costumam surgir pepitas, como os Trivium demonstram sem margem para dúvidas com “What the Dead Men Say”, um disco que tem tudo, mas rigorosamente tudo, para ser, uma vez mais, um ponto de viragem na carreira dos americanos.

Se a intro “IX” dá inicialmente a entender que estamos perante um trabalho de metal progressivo que promete uma faixa-título seguinte em aberto, quando esta inicia apercebemo-nos que se trata apenas de uma faixa de metal moderno. Apenas, como quem diz camadas sobre camadas de música técnica, agressiva, com vozes melódicas, bem como de death metal, blast-beats com fartura, solos prodigiosos e riffs que gritam E.U.A. a plenos pulmões. Sem darmos por ela, acabámos de ouvir uma das músicas mais emocionantes dos últimos 10 anos. Mas a coisa melhora.

O single “Catastrophist” continua a marcha dos Trivium por avenidas largas cheias de olhos dos dois lados, como um cortejo presidencial no qual a multidão não só presta respeito à banda, como deseja vê-la no seu período áureo. “Catastrophist” é um tema que rapidamente destrona o anterior devido à técnica, a (ainda) mais solos inspirados, riffs a la Cynic/Atheist, a voz multifacetada de Heafy a trazer emoções à flor da pele e o trabalho impossivelmente inumano mas orgânico de Alex Bent ao comando da bateria. Por esta altura, não temos a mínima dúvida que, sem Bent, “What the Dead Men Say” talvez nem tivesse sido possível.

“Amongst the Shadows and the Stones” faz regressar a “Shogun”, para felicidade dos fãs desse disco, com toda a agressividade descomprometida e o escalar das competências técnicas que fazem dele o que é. Guitarras, bateria, baixo e voz coabitam em simbiose. Já a seguinte “Bleed into Me” toma um caminho completamente inverso, quase direccionada às rádios, tal é a facilidade e relativa amenidade com que se ouve. “The Defiant” quase soa a Iron Maiden clássico e “Sickness unto You” regressa a “Shogun” pelos motivos já descritos.

“Scattering the Ashes” é o volver aos momentos mais épicos, “Bending the Arc To Fear” é o registo mais técnico de todo o trabalho e a final “The Ones We Leave Behind” é o tema perfeito para encerrar “What the Dead Men Say”, pois mistura os melhores momentos do disco, quase parecendo uma colagem das partes mais inspiradas dos nove temas anteriores. Dito de forma tão breve, poderia parecer que se trata apenas de mais um disco de uma banda que não tem nada a provar a ninguém, mas é difícil criticar um disco do calibre de “What the Dead Men Say” com quinhentas palavras. Junte-se a isso uma produção imaculada e está o mote dado para o melhor disco dos Trivium até agora.

Nota: 4.5/5

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