#Guitarrista

Entrevistas

Tamás Kátai (Thy Catafalque): «Sempre gostei de pensar em escrever música como pintura»

“Naiv” é a nova proposta de Thy Catafalque, projecto avant-garde metal de Tamás Kátai.

Foto: Gyöngyi Kudlik

“Naiv” é a nova proposta de Thy Catafalque, projecto avant-garde metal de Tamás Kátai. Em 2020, o músico polivalente relaciona a sua liberdade e ingenuidade criativa com o movimento artístico do mesmo nome do disco. Nesta entrevista, o multifacetado artista húngaro revela o quão difícil é encontrar novas ideias após 20 anos de carreira, como é divertido incorporar instrumentos extra-metal e a importância da colaboração com Martina Veronika Horváth.

«Tive de concentrar-me para não me repetir e fazer um esforço para soar sempre um pouco diferente, porque gosto de criar coisas novas e não reescrever o mesmo álbum repetidamente.»

Tamás Kátai (Thy Catafalque)

Em entrevistas anteriores, sempre fugiste de rótulos como avant-garde e prog metal, e sempre elogiaste a ausência de fronteiras e limites. Com isso em mente, o título do novo álbum refere-se precisamente a esse pensamento, já que o movimento artístico Naïve apresenta criações de alguém que não tem a educação formal e o treino que um artista profissional pode possuir. Quão livre te sentiste desta vez?
Bem, não fiz nada de incomum ou que não tivesse feito antes. Tive exactamente a mesma atitude em relação à composição. Esse período durou desde Outubro de 2018 a Julho de 2019, que foi quando terminei e mandei a música à editora. Foram dez meses. Durante esse período, li sobre o movimento Naïve Art, só porque gosto de pintores naïve e percebi que o que faço está sempre muito próximo do que esses ele fazem, e o nosso contexto e toda a abordagem são semelhantes, apenas as ferramentas são diferentes. Mas sempre gostei de pensar em escrever música como pintura, e, antes de começar uma música, visualizo uma tela branca e pura, e desfruto de toda a liberdade de usar a cor e as forma que eu quiser. Tenho sempre essa imagem na cabeça.

Sente-se que é um álbum muito solto – parece-nos que as tuas ideias fluem de uma maneira tão suave e fácil. É claro que existem muitos detalhes e instrumentos, mas mesmo assim sente-se tudo tão suave e relaxado. O teu processo de criação é agora mais relaxado e instantâneo, 20 anos após a fundação de Thy Catafalque?
Não. Na verdade, é muito difícil encontrar novas formas a toda a hora. Antigamente, tudo o que compunha acabava no álbum a sério – era suave e rápido. Depois tive mesmo de concentrar-me para não me repetir e fazer um esforço para soar sempre um pouco diferente, porque gosto de criar coisas novas e não reescrever o mesmo álbum repetidamente. Não é inspirador e muito menos emocionante. Mas é definitivamente mais difícil ter ideias novas após 20 anos, quando já fiz muitas músicas diferentes. Muitas vezes estou a meio de uma música e decido colocá-la de lado porque não atinge o padrão ou não é tão divertida quanto deveria. Estou nisto por diversão, divirto-me a brincar com sons e a criar coisas novas do nada. Mas não é fácil, é preciso muito trabalho. É um bom trabalho, mas continua a ser trabalho. E é-o principalmente devido à minha falta de habilidades musicais e ao conhecimento que não tenho. E esta é a desvantagem de ser um músico naïve. Os métodos de expressão são limitados.

Desta vez, deste mais espaço aos instrumentos extra-metal, como oud, saxofone e violoncelo, sem esquecer os arranjos electrónicos, que achamos engraçados como sempre. Quão divertido e emocionante é encontrar espaço para esses instrumentos em músicas que têm metal como base?
É sempre muito emocionante. Dão uma dimensão extra, algo que não consigo prever e, quando aplicados, um novo conjunto de ideias entra em acção. Por isso tudo, é muito inspirador. Além disso, tenho que referir o quão bons são os convidados com os seus instrumentos, e a sua dedicação ajuda muito. Muitas vezes, basta enviar as camadas básicas e pedir que toquem o que sentem em vez de dar instruções exactas, o que também será uma surpresa para mim.

A Martina Veronika Horváth colaborou contigo novamente. Adoramos a sua voz e “Embersólyom” é uma música fantástica. Claro que não sabemos o futuro, mas como ela tem sido uma convidada repetente que oferece muitas coisas bonitas a Thy Catafalque, quão difícil é para ti imaginar um disco sem ela?
A Martina é realmente uma óptima vocalista e uma artista muito trabalhadora. Ela prepara os seus arranjos vocais com muito cuidado e geralmente não tenho muito trabalho com isso. É incrivelmente fácil de trabalhar com ela e tenho sorte por tê-la a ajudar-me. Ao mesmo tempo, ela é muito ocupada, tem as suas próprias bandas, SallyAnne e Nulah, e é sempre convidada por outras bandas. Agora, após o vídeo de “Embersólyom”, ela foi convidada por uma banda maior fora da cena do metal e estou extremamente feliz por ela. É muito bem-merecido. Isso também significa que o tempo dela é limitado, portanto temos de considerar isso. Felizmente, agora moramos os dois em Budapeste e podemos encontrar-nos e discutir tudo. Temos um excelente relacionamento, por isso gostaria de trabalhar com ela no futuro, e, de facto, ela aparecerá noutro lançamento de Thy Catafalque, em que metade já está gravado. Imaginar um álbum de TC sem ela? Bem, provavelmente farei um de puro black metal instrumental.

“Naiv” tem data de lançamento a 24 de Janeiro de 2020 pela Season Of Mist. Lê a análise ao álbum AQUI.

Facebook

Apoia a nossa causa

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021