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Terra Brasilis: a arte negra e protestante dos Paradise In Flames

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Paradise In Flames é uma das revelações do metal extremo no cenário brasileiro. Fomados em 2002 com uma proposta para confrontar as ideias, utilizam da essência do death/black metal com um clima denso e pesado: «Queríamos fazer algo diferente, e na altura não havia nenhuma banda a fazer este tipo de som na nossa região.» O grupo chamou a atenção este ano com o lançamento do terceiro disco “Devil’s Collection”, que conquistou um contrato com a editora digital Bloodblast (Nuclear Blast) e será distribuído em formato físico pela pela Your Poison Records no Brasil e pela editora portuguesa Hellven Records em toda Europa.

Sobre o início, o vocalista e guitarrista A. Damien conta que pensou que a banda nunca mais fosse tocar: «Lembro-me de que no nosso primeiro lançamento obtivemos um bom reconhecimento nacional e conseguimos realizar diversos concertos pelo Brasil. Mas com a rotina pesada de concertos, alguns membros não suportaram e deixaram a banda, facto que nos prejudicou em manter o foco nos nossos objectivos. E por fim tivemos uma longa pausa de 2013 a 2017. Durante um tempo achei que nunca mais tocaríamos, mas voltámos, e mais renovados do que nunca.»

Os Paradise In Flames revelam a inspiração na hora de compor, em busca de uma identidade própria, que pôde ser vista no novo álbum. «O segredo foi uma mistura peculiar dos nossos gostos musicais, em que o objectivo era obter brutalidade e melodia sem soar comum. São os acontecimentos deste mundo louco – isso força-nos a querer mandar cá para fora tudo aquilo que nos incomoda. E usamos a música para protestarmos contra os factos revoltantes do quotidiano.» Sobre o novo disco, a banda conseguiu assinar com a Bloodblast (Nuclear Blast) para lançamento digital. «Ficámos muito satisfeitos com o contrato, um sinal de que o trabalho está a ser bem feito. O álbum “Devil’s Collection” já estava pronto desde 2018, mas o objevtivo era ter uma editora de peso para que conseguíssemos atingir novos públicos, pois sozinhos não teríamos condições para alcançar novos mares. Passámos o ano de 2019 a finalizar os últimos ajustes e a decidir para quem mandar o álbum. Por incrível que pareça, a nossa primeira opção foi a Nuclear Blast e felizmente obtivemos uma resposta positivo através da subsidiária BloodBlast.»

Para o lançamento físico de “Devil’s Collection”, a banda assinou com a Your Poison Records do Brasil e com a Hellven Records de Portugal. «Foi uma história interessante. Eu tinha comentado com o ilustrador da banda sobre o nosso interesse em lançar o disco em formado físico e ele falou sobre a Your Poison Records. Eu já conhecia a editora e pensei que seria muito bom se nos aceitassem. Após a troca de contactos, aconteceu a parceria. Your Poison Records e Hellven Records são óptimas editoras e cumprem com tudo o que foi acordado. Ficámos muito satisfeitos com o resultado final do disco. Eles possuem um ótimo canal de distribuição e isso deixa-nos mais seguros de que tomámos a decisão correcta.»

O perfil do consumidor de música mudou. Hoje em dia, com as plataformas de streaming em alta, é crucial conseguirem uma grande distribuidora digital. Mas ainda há uma boa procura por materiais físicos entre o público que consome classic rock e heavy metal. A banda acha importante lançar o álbum em vários formatos e promete o próximo disco num material fonográfico e gráfico especial para vinil, em que toda a gravação será totalmente analógica. «Concordamos que as plataformas digitais são a nova realidade de se consumir música, mas temos a noção absoluta de que em contrapartida o público do metal underground ainda é um mercado considerável de consumo de formatos físicos, inclusivamente os analógicos, como vinil e cassete. Hoje temos uma parcela do nosso público que consome música digital e outra que consegue formatos físicos, portantos temos que nos preocupar com a forma com que iremos disponibilizar o nosso trabalho. Infelizmente, para “Devil’s Collection” não tínhamos preparado a masterização deste álbum para tal.»

«São os acontecimentos deste mundo louco – isso força-nos a querer mandar cá para fora tudo aquilo que nos incomoda. E usamos a música para protestarmos contra os factos revoltantes do quotidiano.»

Sobre o recente lançamento, a banda está surpreendida com a repercussão nos media especializados. «Quando retomámos a banda em 2017, o projecto iria apenas colocar as músicas que ficaram perdidas no tempo numa plataforma na qual todos pudessem escutar, mas de lá para cá muita coisa aconteceu. Sinceramente não esperávamos toda essa repercussão. Conseguimos fazer grandes festivais no Brasil, tocámos em alguns países na América do Sul e obtivemos reconhecimento de uma grande editora.» A. Damien também ressalta a vantagem das plataformas digitais, que possibilita acompanhar em tempo real o comportamento e receptividade do público. «Hoje, pela primeira vez , temos mais ouvintes em alguns países da Europa e nos EUA do que no Brasil. Isso nunca tinha acontecido e estamos muito agradecidos com o trabalho promovido pela BloodBlast.»

A cena no Brasil sofre com momentos de instabilidade, e ter uma banda de black metal no país do Carnaval talvez seja uma missão difícil, mas não impossível. «Enxergo como uma filosofia que nós seguimos sem pretensão de se obter sucesso – queremos apenas reconhecimento, pois entendemos que ess abusca não é natural do estilo. A arte negra é o que nos atrai e é o que importa – fazêmo-lo pelo discurso, melodia, ideias e linha de pensamento. É uma forma de vida. Acreditamos que seja difícil manter uma banda independente do estilo no Brasil, mas por estarmos a fazer algo de que gostamos e nos identificamos faz com que as coisas se tornem mais simples. Estamos a criar arte e isso relaxa-nos a mente neste mundo louco.»

Paradise In Flames ressaltam que têm muitos fãs em Portugal, pois o primeiro álbum, “Homo Morbus Est”, de 2006, também foi lançado ness país. «Na altura não tínhamos como medir e analisar como foram as vendas mas sempre tivemos um carinho especial pelos portugueses.» Agora, com um lançamento que recebeu boas críticas, e que é distribuído pela editora portuguesa Hellven Records, os Paradise In Flames têm planos para se realizar uma digressão pelo país. «Antes da pandemia tínhamos agendado uma tour pela Europa com 20 datas. Infelizmente, Portugal não estava no cronograma, mas com o adiamento, devido à pandemia COVID-19, vou falar com o nosso manager sobre se existe a possibilidade. Espero que possa acontecer.»

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