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Terra Brasilis: o heavy metal clássico dos Hellish War

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Foto: Susi dos Santos

Hellish War é uma das principais bandas brasileiras dentro do seu estilo e conta com o vocalista Bil Martins, os guitarristas Vulcano e Daniel Job, o baixista JR e o baterista Daniel Person. A banda lançou recentemente o disco “Wine Of Gods”, que nasceu durante o processo de composição que o grupo realizou numa chácara. O material foi integralmente financiado pelo Proac Editais, programa de investimento directo do Governo do Estado de São Paulo através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

Sobre começar uma banda de metal no Brasil nos tempos de hoje e como é o estilo no país, o vocalista Bil Martins disse: «O heavy metal é um dos estilos musicais que mais exige investimento, tanto em equipamentos como em tempo dedicado. E com a realidade do nosso país, isso realmente não é algo assim tão fácil. Temos consciência de que o metal é um estilo/movimento grande e com muitos apreciadores e bandas excelentes, e que deveria ter mais reconhecimento também. O nosso intuito é seguir erguendo a bandeira do metal, expandindo os nossos horizontes, tentando colaborar ainda mais para o crescimento do estilo.»

Falando sobre o recente trabalho, que foi lançado em CD no Brasil, a banda também lançou o material em vinil com um selo de Portugal. «O lançamento do vinil foi realizado pela Abigail Records de Portugal. O Lucas Romão, dono da editora e grande amigo e apoiante de Hellish War, mostrou interesse e fez-nos o convite para o lançamento. Ficámos muito felizes com este lançamento, pois era algo inédito na carreira da banda e veio coroar esta óptima fase. Gostaria de aproveitar e agradecer ao amigo Fernando Beluci, sem o qual este lançamento não seria possível. Todos na banda são apreciadores de material físico, principalmente os vinis e o regresso da produção de LPs mostra que ainda existem muitas pessoas interessadas em adquirir um material nos moldes mais antigos, com uma arte de capa e encarte porreiros. Estamos muito satisfeitos.»

Apesar de ser difícil crescer no Brasil com uma banda de heavy metal, os Hellish War estão em grande ascensão, mesmo com intervalos longos entre o lançamento de um disco e de outro. «Acredito que a banda vem sempre numa crescente. Mesmo mantendo a raiz do estilo, nenhum disco de Hellish é igual ao outro. E estes detalhes fazem toda a diferença! Acredito que o “Wine of Gods” é o nosso álbum mais maduro. Tem uma sonoridade um pouco mais crua em relação ao anterior “Keep it Hellish”, mas, em termos de composições e parte lírica, tivemos um avanço significativo nessa maturidade. Temos recebido muitos elogios e isso faz com que sigamos no caminho certo e sem desapontar os nossos fãs.»

A Internet ajuda muito na divulgação, mas os discos acabam a passar por críticos que só falam bem de bandas clássicas ou estrangeiras e mencionam que tudo o que é novo são cópias. Muitas bandas novas passam por essa crítica, não só as bandas do Brasil. «Particularmente gosto muito de procurar bandas novas. Procuro sempre ouvir as bandas sem uma ideia pré-concebida. Podes perfeitamente inspirar-te nos mestres e acrescentar um pouco da tua identidade. O que acontece é que, em muitas críticas, o gosto pessoal do crítico vem em primeiro lugar. Sem uma análise mais técnica. Por isso não podemos levar tudo tão a sério. Algumas vezes não concordamos, mas o respeito pelas opiniões existe sempre.»

Hellish War tem um som comum, profissional e aceitado no meio metal. Sobre as influências e como chegaram a esse estilo, a banda conta: «Acredito que desde o início tudo aconteceu de forma natural, apenas com a banda a seguir os passos de grupos oitentistas que a inspiravam. Principalmente bandas como Running Wild, Helloween antigo, Accept, Grave Digger, Iron Maiden, Scorpions e assim por diante. Mesmo com todas essas influências, consigo perceber uma indentidade forte em Hellish War. Fazemos heavy metal clássico, altamente inspirado na escola alemã dos anos 1980. Nas letras procuramos abordar temas históricos, temas sobre comportamento humano, alguns contos que criamos também, fazendo sempre analogias para tornar a interpretação do ouvinte mais interessante.»

No recente álbum “Wine of Gods”, a banda contou com a participação de Chris Boltendahl dos Grave Digger na faixa “Warbringer”. «Quando estávamos na fase final de composição do álbum, surgiu a ideia de convidar um grande vocalista e pensámos qual música seria dedicada a isso. Pensámos logo em Chris Boltendahl para cantar comigo a “Warbringer”. A música já estava pronta, mas caiu como uma luva pois tem muita influência do metal germânico. As vozes de Boltendahl foram gravadas na Alemanha e enviou-as ao nosso produtor Ricardo Piccoli, que reside na Inglaterra e que fez um excelente trabalho. O Chris Boltendahl é uma grande influência para mim desde que comecei a cantar; então, além do sonho de lançar um LP, também pude realizar este sonho de cantar com um ídolo desse porte.»

«O álbum está a ser muito bem recebido pela imprensa e pelos fãs. Entrámos em várias listas entre os melhores do ano de 2019 e as críticas também estão a ser muito positivas. Acredito que “Wine of Gods” será um grande passo na nossa carreira. Para planos futuros, queremos continuar a divulgar fortemente “Wine of Gods” e realizar o máximo de concertos possíveis. Em breve lançaremos mais alguns lyric-videos também e, quem sabe, alguma digressão aqui no Brasil, América Latina ou Europa. Aguardem por novidades.»

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