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Static-X: a trágica morte e a estranha ressurreição de Wayne Static

Quando os Static-X decidiram reunir-se para um tributo macabro ao vocalista falecido, Wayne Static, a Internet passou-se. A banda insiste que faz tudo parte do processo de cura.

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Quando os Static-X decidiram reunir-se para um tributo macabro ao vocalista falecido, Wayne Static, a Internet passou-se. A banda insiste que faz tudo parte do processo de cura.

As pessoas que conheceram Wayne Wells dizem que havia um interruptor que mudava a sua cabeça quando ele pisava o palco. Longe dos holofotes, o vocalista / guitarrista nascido no Michigan e residente em Los Angeles era um homem de poucas palavras, a menos que o conhecesses bem.

Não tão tímido ou reservado, [mas] taciturno. Porém, assim que entrava em cena, o jogo começava. O seu longo cabelo preto estaria espetado como se fosse um choque eléctrico. A sua voz tornava-se um rosnado industrial. O homem que se contentava em sentar-se em silêncio e manter os seus próprios conselhos em particular, de repente tornava-se um fulcro de energia em público. Foi quando Wayne Wells se tornou Wayne Static.

«Ele era tão calmo como um ratinho fora do palco, depois subia [ao palco] e tinha aquela grande voz de rock, depois saía do palco e não dizia uma palavra novamente», diz Tony Campos, baixista e colega de longa data de Wayne nos heróis do industrial / nu-metal Static-X. «Ele era um gajo meio tímido ao início, mas ao passares a conhecê-lo, ele abria-se.»

Se Tony diz isto com um toque de emoção, é porque está a falar sobre o seu amigo e, às vezes, antagonista no passado. A 1 de Novembro de 2014, Wayne Wells morreu após ingerir uma mistura tóxica de drogas prescritas e álcool, resultado de um vício que atormentou a sua vida e o afastou dos seus antigos companheiros de banda.

Mas a sua história não acabou. A fragmentada formação original de Static-X – Tony, o baterista Ken Jay e o guitarrista Koichi Fukuda – reuniu-se em 2019 para uma digressão de modo a marcar o aniversário da estreia da banda em 1999 (“Wisconsin Death Trip”) e prometeu um novo álbum para o início de 2020.

Tomando o lugar do seu camarada caído está Xer0, um misterioso vocalista numa máscara à Wayne Static. É igualmente macabro, comemorativo, controverso e completamente bizarro.

«Isto é para comemorar o disco e para comemorar o Wayne», diz Ken Jay. «Para recordar os bons momentos que tivemos. Mas isto também é catarse para todos nós.»

Wayne Wells e Ken Jay chegaram a Los Angeles, vindos de Chicago, no início dos anos 1990, exactamente quando o nu-metal estava a começar a fazer-se sentir nos clubes da cidade. Conheceram-se em Windy City, quando o baterista fez o teste para Deep Blue Dream, a banda de Wayne.

«Entro lá e toco durante cerca de 30 segundos, e o Wayne simplesmente interrompe-me», recorda Ken. «Eu penso: ‘Oh, ele detesta-me.’ E ele disse: ‘Ken, pagar-te-íamos para tocares nesta banda.’ E foi isso. Depois fomos beber uma cerveja e acho que ele não disse mais nada.»

Demorou alguns anos para a dupla encontrar o seu lugar em LA. Chamaram-se Drill no início, recrutando Koichi Fukuda e Tony Campos e experimentando uma variedade de sons, desde post-grunge a punk hardcore. Mas as coisas começaram a mudar depois de terem alterado o nome para Static-X, a nova direcção com um toque industrial a encaixar-se na cena emergente do nu-metal.

«Entrámos naquilo quando os Coal Chamber eram bastante grandes, System Of A Down, Snot», diz Tony. «Eles estavam todos prestes a fechar acordos. Nós apenas fomos com isso.»

Durante o florescimento do nu-metal, cada banda tinha a sua característica distintiva, e nos Static-X era Wayne. Com o seu cabelo altíssimo e camisolas ao estilo de Freddy Krueger, o vocalista era em parte aberração, noutra parte personagem de desenhos-animados, a cuspir letras sobre tudo, desde coprofilia a abuso de drogas (a profética “Push It”).

Era a banda-sonora perfeita para a época. O álbum de estreia dos Static-X, “Wisconsin Death Trip”, foi lançado em 1999 e vendeu um milhão de cópias – não eram os números de Korn ou de Limp Bizkit, mas não eram desprezados.

Todavia, o sucesso trouxe os seus próprios problemas. As digressões eram longas e exaustivas. Koichi Fukuda saiu antes do lançamento do segundo álbum, “Machine”, de 2001, Ken Jay saiu antes do seguinte, “Shadow Zone”, de 2003. Ken é relutante em entrar em detalhes, mas insiste que nada poderia ter evitado que isto acontecesse.

«Em retrospectiva, não», diz. «A longo prazo, Wayne fez as suas escolhas, e eu estar lá não afectaria isso de uma forma ou de outra.»

Essas escolhas tornar-se-iam gradualmente aparentes à medida que a década avançava. Wayne estava a lidar com um crescente vício em drogas e álcool. Embora Ken ou Tony não estejam dispostos a distribuir culpas publicamente, membros da banda sugeriram que o seu envolvimento com a estrela porno Tera Wray – mais tarde sua esposa – foi o ponto em que as coisas começaram a dar em asneira. O casal conheceu-se no Ozzfest, em 2007, e casaram um ano depois.

«Não havia uso excessivo de medicamentos prescritos durante o apogeu de Static-X», escreveu o ex-agente de digressão da banda, Eric Dinkelmann, numa partilha no Facebook em Fevereiro de 2019.

«Isso era algo que não existia antes da Tera aparecer. Ninguém diz que os medicamentos prescritos que Wayne tomava não eram do Wayne. Eram da Tera. A Tera viciou o Wayne em medicamentos prescritos a ela.»

I’ll just knock out some actual quick *truths* for people seeing as I’ve worked for Static-X since back in 2001: For…

Publicado por Eric Dinkelmann em Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Tony Campos manteve-se em Static-X até ao final dos anos 2000, mas a situação tornou-se insustentável para os dois. «Eu nunca desisti, a banda simplesmente desfez-se», diz.

As tensões privadas entre os dois logo se transformaram em hostilidade pública. Wayne afirmou que a sua amizade não era nada mais do que um «acordo de negócios» e acusou o ex-colega de ciúmes depois de Tera ter começado a dar entrevistas (mais tarde alegou que estava a brincar, embora isso tenha ajudado pouco para salvar o relacionamento dos dois homens).

Eram oito da manhã quando Tony recebeu uma chamada do agente de digressão de Wayne para dizer que este tinha falecido em sua casa em Landers, Califórnia.

«Achei que fosse uma piada de merda», diz. «E depois fiquei em choque.»

Uma autópsia determinou que Wayne morrera de toxicidade múltipla de medicamentos prescritos combinado com álcool. Anos de «abuso crónico de drogas e álcool» também eram um factor. Tinha apenas 48 anos.

Houve uma reviravolta final. A 13 de Janeiro de 2016, Tera foi encontrada morta em sua casa. Tirou a própria vida.

Em Outubro de 2018, quase quatro anos após a morte de Wayne, os três membros originais sobreviventes anunciaram que se reunirão para marcar o 20º aniversário de “Wisconsin Death Trip” e homenagear o seu falecido colega. Tony e Ken resolveram as suas diferenças antes da morte de Wayne, mas isto era algo maior. «Tudo isto faz parte de um processo de cura maior», diz Ken.

Embora a notícia da reunião tenha sido recebida positivamente, com a família de Wayne a dar a sua aprovação, houve um enorme choque. Em vez de trazerem um vocalista estabelecido – e reconhecível –, optaram por recrutar um vocalista que chamam apenas Xer0, completado com uma mitra de cabelo negro penteado para cima e, mais controversamente, a usar uma máscara que se parece com um Wayne Static zombie. Foi uma decisão considerada por alguns sectores como equivocada na melhor das hipóteses e uma manobra doentia na pior.

Tony Campos é educadamente impenitente. «Sim, consigo ver como algumas pessoas ficarão chocadas e passadas com isto. Mas quando souberem o que está a acontecer, entenderão.»

Ken Jay tem uma visão mais estridente sobre o assunto. «O Wayne tinha um sentido de humor terrivelmente mórbido. Posso dizer honestamente que ele acharia isto engraçado.»

A verdadeira identidade de Xer0 permanece um mistério. O candidato mais popular é Edsel Dope dos Dope, uma banda que andou em digressão com Static-X no passado e que depois abriu para eles na digressão de regresso aos Estados Unidos. Pressionados sobre quem está por trás da máscara, Tony e Ken permanecem firmes. «Estamos a divertir-nos muito ao mantermos as pessoas no escuro sobre isto», diz Tony.

De qualquer maneira, o vocalista surgiu em “Project Regeneration”, um álbum póstumo de Static-X, com lançamento em Julho de 2020, que apresenta «performances e composições vocais inéditas» do falecido ao lado de vozes convidadas, entre os quais apenas Xer0 e Al Jourgensen (Ministry) se confirmaram.

«Haverá pelo menos sete ou oito músicas com as vozes de Wayne», disse Tony. «E há cinco que desenvolvemos a partir das últimas demos do Wayne. Portanto, as impressões digitais do Wayne estão em todo o disco.»

Mas também carrega em si uma pesada carga emocional para as pessoas que Wayne deixou para trás, principalmente devido ao facto de que as suas amizades permaneceram irreparáveis na altura em que morreu.

«Se o Wayne se tivesse limpado e distanciado das influências negativas, estaria aqui connosco agora», diz Tony. «Éramos amigos há tanto tempo. Com esse caminho, ele foi abaixo.»

«Se ele estivesse aqui, provavelmente estaríamos apenas sentados, a tomar café, a vermos algum filme idiota dos anos 80», acrescenta Ken. «Não sei se haveria muita conversa.» De repente, a sua voz parece calorosa e triste ao mesmo tempo. «O Wayne era assim. Ficaria de bem com isso.»

Consultar artigo original em inglês.

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