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Shape of Despair: «Não há passado ou futuro, apenas este momento à deriva perto do firmamento»

Ícones do doom fúnebre, os Shape of Despair continuam a espelhar a crueldade da existência com o quinto álbum.

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Foto: Henri Koivula

«O que mais importa é que ainda temos a atmosfera de Shape of Despair.»

Cerca de sete anos depois de “Monotony Fields”, os Shape of Despair regressam com o seu Inverno nórdico e sombrio através do novo álbum “Return to the Void”, um registo que musical e tematicamente representa uma corrida vagarosa em direcção à escuridão, onde reina a solidão e a falta de esperança.

«Comecei a compor para “Return to the Void” pouco tempos depois de “Monotony Fields”», revela o guitarrista e membro-fundador Jarno Salomaa através da Season of Mist. «Ao princípio, o título da música soou demasiado primitivo. Achei que faria um álbum a solo mas, por um bocado, a música recordou-me o material mais antigo de Raven [banda antecessora]. Natural e eventualmente, começou a parecer uma música de Shape of Despair.»

«“Return to the Void” não é o seguimento de “Monotony Fields” no sentido tradicional», continua. «A composição vem desde as primeiras músicas que fizemos para Raven. Direi que a minha abordagem mudou ao longo de todos estes anos a criar música. Descobri novas e diferentes maneiras para moldar os arranjos e as minhas composições. Penso que o que mais importa é que ainda temos a atmosfera de Shape of Despair.»

Mesmo com estas declarações em mente, este quinto disco continua a ter, sem dúvida, todas as marcas necessárias e reconhecidas dos finlandeses, desde o deslumbramento pelo vazio em “Dissolution” à beleza gélida de “Reflection in Slow Time”, passando pela catedral que colapsa em “Forfeit”.

«“Return to the Void” é um título que achámos que podia descrever o álbum muito bem», diz o vocalista Henri Koivula. «Para nós, é um regresso de várias maneiras. Direccionámos-nos [musicalmente] aos primeiros tempos de Shape of Despair. Para além disso, o Samu [Ruotsalainen, bateria] voltou à banda. No geral, as minhas letras têm uma linha vermelha – um sentido de solidão e depressão. O estado em que descobres que tudo perdeu o seu significado. Não há passado ou futuro, apenas este momento à deriva perto do firmamento.»

Apesar de Salomaa referir que começou a trabalhar neste álbum pouco depois de 2015, o projecto a sério começou só em 2020, já em plena pandemia, e prosseguiu até Maio de 2021. O resultado é massivo, com os Shape of Despair a oferecerem aquilo que melhor sabem: um templo sónico que rumina a crueldade da existência.

«Gravámos nós mesmos o álbum, o que nos permitiu ter a liberdade para se gravar quando e quanto quiséssemos», diz Salomaa. «Foi tudo feito no Inverno, com a mistura a acontecer entre Fevereiro e Março de 2021. Tivemos umas duas semanas para a mistura com o Samu, mas a maioria disso foi feito sem nós. A masterização foi depois finalizada em Maio de 2021. O som é principalmente cru, mas mantém-se pesado. O foco principal era manter o nosso universo sónico intacto. Acho que este álbum tem o som mais exacto que sempre quisemos», conclui.

“Return to the Void” tem data de lançamento a 25 de Fevereiro de 2022 pela Season of Mist.

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