#Guitarrista

Artigos

Sepultura “Arise”: que comece a magia!

Quarto álbum dos Sepultura, “Arise” foi lançado em Março de 1991.

Publicado há

-

«O “Arise” é a minha cena favorita do que fizemos naquela altura.»

Max Cavalera

Quarto álbum dos Sepultura, “Arise” foi lançado em Março de 1991. Continuando o que já tinha sido começado em trabalhos como o antecessor “Beneath the Remains” (1989), os brasileiros viam-se naquele momento com mais experiência – o que lhes deu ganas para executarem incursões ao ritmo industrial de bandas como Ministry e ao hardcore punk mas sempre com a base death/thrash metal – e com um orçamento maior, especialmente por terem assinado com a Roadrunner Records.

«Assinei Sepultura com base no incrível crescimento que mostraram entre “Morbid Visions” e “Schizophrenia”», disse Monte Conner, da Roadrunner, à Kerrang!. «Entre esses dois álbuns, o Andreas [Kisser, guitarra] entrou na banda. Ele era de longe o melhor músico da banda naquela altura e ajudou a intensificar o jogo de todas as maneiras possíveis, sem mencionar que agora Max tinha um parceiro de composição. Sem querer tirar nada da incrível e poderosa bateria de Igor, foi da parceria criativa entre Max e Andreas que surgiu a verdadeira magia de Sepultura.»

«“Arise” foi definitivamente o lançamento mais importante da banda», continua Monte. «Foi quando o relacionamento com Andy Wallace começou, e continuou até “Chaos AD”, “Roots” e até mesmo aos dois primeiros álbuns de Soulfly. Foi o disco em que o verdadeiro som moderno dos Sepultura começou, e tornou-se a base para toda a música que se seguiria.»

«O “Arise” é a minha cena favorita do que fizemos naquela altura», confessou Max Cavalera à Kerrang!. «Era a melhor mistura de death e thrash metal, o que muitas pessoas ainda fazem mesmo agora. Soa um pouco tribal também. O nosso romance com o tribal remonta provavelmente ao “Arise”.»

A relação com as tribos seria devidamente consumada em 1996 com “Roots”, mas, cinco anos antes, tinha de se começar por algum lado – começou-se com a aliança a Andy Wallace (e neste caso, em “Arise”, também com Scott Burns). «Estávamos a sair do “Beneath the Remains”, que correu bem, mas acreditava que podíamos fazer melhor», diz Max. «Fomos para a Florida gravar no Morrisound, que era o templo do death metal. Muitas grandes bandas gravaram lá: Death, Obituary, Morbid Angel, Sadist. Era Meca. Mas houve muita festa com o “Arise”. Não sei como é que esse disco foi feito! [risos] Os Morbid Angel tinham uma sala de ensaios perto do nosso em Tampa. Nós aparecíamos lá, com um tempo de 38ºC, de calções e chinelos, e eles estavam vestidos a rigor, todos de cabedal. Nós ficávamos do tipo: ‘Estes gajos é que são, pá. Vão ensaiar assim? C*ralho!’»

Depois do lançamento de “Arise” (com entrada no Top 200 da Billboard, na posição 119), os Sepultura embarcaram numa digressão composta por mais de 200 concertos, uma etapa que durou dois anos. Max retoma a palavra: «Demos concertos com Sacred Reich, Napalm Death e Sick Of It All, era a New Titans on the Bloc Tour. Não conseguimos entrar no Clash of the Titans [com Megadeth e Slayer], portanto a Gloria [esposa de Max e antiga agente de Sepultura] teve a grande ideia de se fazer a nossa própria digressão, a modos que a gozar com a outra.»

«Na Rússia vimos filas de pessoas para o pão. Na Indonésia, vimos o poder da polícia.»

Max Cavalera

Acabaram a tocar na Indonésia, país que lhes deu Disco de Ouro, e Rússia. «Tocámos para 3000 pessoas em Moscovo e ficámos muito mais conscientes do mundo à nossa volta», recorda Max. «O que vês na CNN é diferente do que vês quando vais a algum lugar. É uma grande máquina de propaganda. Na Rússia vimos filas de pessoas para o pão. Na Indonésia, vimos o poder da polícia. Quando começou a ficar demasiado maluco, eles pararam o concerto, bateram com bambu no pessoal e fizeram 40000 pessoas sentarem-se e ficarem quietas. Nunca tinha visto tanta demonstração de força na minha vida. Foi incrível.»

De memória em memória, à custa dessa jornada pelo mundo, 1991 começava a demonstrar a direcção conceptual de 1993. «Acho que tudo aquilo culminou no “Chaos AD” – fruto de todas aquelas viagens. Isso abriu os nossos olhos e acabámos a compor um disco muito mais político», conclui Max. Mas isso é outra história

Facebook

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021