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Secrets Of The Moon “Black House”

“Black House” é, assim, um disco agridoce. Se um por um lado consegue ser poderoso e elegante, por outro tem a infeliz capacidade de activar a desatenção de quem ouve, esperando que música-sim-música-não sejamos recapturados.

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Editora: Lupus Lounge
Data de lançamento: 08.05.2020
Género: gothic rock
Nota: 3/5

“Black House” é, assim, um disco agridoce. Se um por um lado consegue ser poderoso e elegante, por outro tem a infeliz capacidade de activar a desatenção de quem ouve, esperando que música-sim-música-não sejamos recapturados.

Longe vão os tempos de black metal para os Secrets Of The Moon. Em boa verdade, quanto mais envelhecemos mais moles podemos ficar, e não quer dizer que os alemães tenham perdido a sua negritude, porque não mesmo, mas, definitivamente, deixaram para trás a estética black metal, algo que não é de agora, tratando-se de uma transformação gradual ao longo de 25 anos de existência.

Com “Black House”, os oriundos da Baixa Saxónia empreendem sem rodeios pelo goth-rock e post-punk num álbum preenchido por alguns reconhecidos convidados, como Jarboe ou membros de Empyrium, (Dolch), The Ruins Of Beverast, Dark Fortress e Enemy Of The Sun, que, à sua maneira, contribuíram com o seu toque mais pessoal.

Atmosférico e muito bem produzido, o actual gothic rock dos Secrets Of The Moon tem tanto de sensual e sedutor, mesmo a pedir aquela dança leve de anca gingante e braços a levitar, como de sombrio e noctívago através de secções mais pesadas que incitam ao headbanging.

Ao longo de cerca de 52 minutos vamos ser abordados por bruxas e entidades nocturnas que nem sempre representam o mais cativante ou encantador no seu todo. Mas indo por partes, primeiro a boa: a abertura com “Sanctum” agarra logo o mais fervoroso adepto de gothic rock na onda de uns Fields Of The Nephilim devido à guitarras e Tiamat à conta das vozes, “Veronica’s Room” grita por uns The Sisters Of Mercy (a certa altura do refrão até parece que vêm aí versos como «in the temple of love»), o tema-título busca inspiração em Alice In Chains (pode parecer forçado mas vais dar-nos razão quando ouvires a faixa), “Mute God” oferece-nos um final exuberante à post-punk revival que, pasma-te, poderia ser ouvido num concerto de Editors e a última “Earth Hour” volta à entoação inicial de goth intenso e roqueiro.

Restam outras quatro músicas, e é aqui que se vira o bico ao prego porque essa restante metade é menos chamativa, sonolenta até. Não cremos que se trata de uma quebra inspiração ou de uma inserção de fillers, até porque baixar o ritmo faz muitas vezes parte de uma narrativa, mas a abordagem menos intensa e mais arrastada dessas escolhas criativas perde o ouvinte penosamente.

“Black House” é, assim, um disco agridoce. Se um por um lado consegue ser poderoso e elegante, por outro tem a infeliz capacidade de activar a desatenção de quem ouve, esperando que música-sim-música-não sejamos recapturados.

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