#Guitarrista

Notícias

Satyricon: «Muitos miúdos na internet falam sobre black metal sem saberem nada»

Cara e mente incontornável do black metal norueguês, Satyr, dos Satyricon, viu o movimento a crescer, fazendo parte dele com álbuns icónicos como “Nemesis Divina” (1996), tentou sempre sair da caixa de pensamento artístico (recorde-se “Rebel Extravaganza” de 1999), venceu um cancro e manteve a chama acesa com o cru e bem-recebido “Deep Calleth upon Deep” (2017).

Em declarações à Metal Hammer, o vocalista/guitarrista diz que a perfeição no heavy metal é sobrevalorizada. «Muitos dos grandes discos de todos os tempos são ásperos. É por isso que tantos de nós ficamos empolgados com as vozes do Paul Baloff na “Bonded by Blood” [dos Exodus]. Porque ele soa como um bully na primeira fila que se quer meter com as pessoas! Gosto muito de coisas como a “Riot of Violence” dos Kreator – creio que é o baterista Ventor que canta nela. Soa feroz e ameaçador! Tens este sentimento: ‘Cuidado com este gajo! Ele não faz prisioneiros!’ Quando sentes isso, ligas-te. No melhor que posso fazer, é isso que tento todas as noites em digressão. Tento colocar-me espiritualmente no ambiente da música e faço com que ressoe como deve ser.»

Sobre a importância de se conhecer e compreender a história do género, Satyr é mais agressivo. «Muitos miúdos na internet falam sobre black metal sem saberem nada sobre isso ou de onde vem», começa. «Tenho a certeza de que não estão familiarizados com o “To Mega Therion” ou o “Morbid Tales” dos Celtic Frost. Não creio que estejam familiarizados com o início de Mayhem. Se estão, não compreenderam. O Fenriz [Darkthrone] uma vez disse, e eu percebo o seu ponto, que as pessoas deviam parar de falar sobre música e [deviam deixar de ser] cromos sobre isso, e realmente ouvirem a música, compreendê-la a um nível mais profundo. Concordo com isso, mas não concordo que seja inútil falar sobre música se estás a tentar compreender por que é que as coisas são como são. Passei anos a tentar que a minha banda apreciasse a importância de por que é que as coisas são como são. Sempre foi a minha abordagem.»

E por falar em comandar uma banda, Satyr remata dizendo que «liderar não é sobre poder, é sobre responsabilidade». «Não percebes nada da psicologia de liderar uma banda quando és um miúdo, mas à medida que cresces percebes que deixar as pessoas falarem sobre as suas preocupações ajuda a pôr as coisas onde queres que estejam. Se não ouves as pessoas, corre mal. Toda a gente é diferente. Algumas pessoas apreciam que lhes dês espaço e influência, e tratam isso como respeito. Outras pessoas pensam que é uma fraqueza que estás a demonstrar e tentam explorar isso. Com essas pessoas, tens de ser bastante firme! Quando és firme com pessoas assim, ficam sempre incrivelmente ofendidas. Portanto, chamas-lhes um táxi.»

Facebook

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021