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Samael “Ceremony of Opposites”: em honra de Baphomet

Background
Fundados em 1987, os Samael tiveram os seus primeiros anos fortemente inspirados em bandas como Hellhammer e Celtic Frost, duas seminais bandas de black metal e que eram, ao mesmo tempo, compatriotas. Obscuros, opressivos e blasfemos, os suíços lançaram o primeiro álbum “Worship Him” em 1991 e o segundo “Blood Ritual” em 1992. A revolução dar-se-ia em 1994…

“Ceremony of Opposites”
O ano de 1994 deu-nos álbuns de Tiamat, Satyricon, Darkthrone e Mayhem, todos de importante relevância para a evolução da música extrema e todos oriundos do norte. Mais a sul, no centro da Europa, era lançado o terceiro álbum de Samael. “Ceremony of Opposites” fica para a história como um dos discos lançados em 1994 que ajudou a revolucionar o black metal e, com o passar dos anos, todo um género musical.
Mais adulto a nível instrumental, mas sempre polémico e sem limites na ala lírica, “Ceremony of Opposites” largou praticamente a veia thrash metal de “Worship Him”, transformando-a em algo já relacionado ao industrial e ao gótico. Porém, a base black metal existe ao longo das 10 intensas faixas, com especial destaque para “Black Trip”, “Celebration of the Fourth”, “Baphomet’s Throne” e “Flagellation”, algumas das quais a banda ainda interpreta ao vivo na actualidade.
“Ceremony of Opposites” é feito de malhas que tanto nos surgem tensas como compactas, bateria que trabalha para a equipa, teclados esporádicos que fornecem um ar cerimonial que vai de encontro ao título e, claro, letras repletas de blasfémia. Se por um lado “Baphomet’s Throne” é uma ode ao oculto, pedindo que a nossa mão seja guiada até ao trono de Baphomet, por outro “To Our Martyrs” não está com meias medidas e o ataque é feroz: “I spit at your god’s face / I piss on the cross / I vomit on the holy bible / I shit on the blessed whore and her bastard son / I desecrate, crush and destroy / All which is sacred, all which is blessed / I’ve found the one who lives in me”.
Quem também teve o seu toque no resultado final do disco foi Waldemar Sorychta, produtor que está ligado a Tiamat, Lacuna Coil e Moonspell, e que ao longo dos anos se tornou como um quinto elemento nas hostes de Samael, tamanha é a proximidade e cumplicidade profissional.

Legado
Antes do lançamento de “Hegemony” (2017), a banda embarcou em várias digressões para tocar “Ceremony of Opposites” na íntegra, e Portugal foi um dos países contemplados com um concerto no festival Under the Doom em 2016.
Para além das edições originais, em que se inclui um belíssimo picture-disc, os Samael reeditaram o álbum em 2005 juntamente com o EP “Rebellion”.
A verdadeira mudança estética e sonora dar-se-ia em 1996 com “Passage”, o icónico álbum da década de 1990 que misturou electrónica com metal, deixando para trás os elementos mais enegrecidos e originando uma nova forma de ver o mundo e tocar a música, especialmente devido aos conceitos luzidios, messiânicos e positivistas, ainda que, de certa forma, ocultistas.

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