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Rings Of Saturn “Gidim”

Com os anos ganha-se experiência e com a experiência ganha-se perfeição. “Gidim” é o culminar de dez anos sempre em busca da perfeição, da originalidade e do surpreendente – e esperemos que a banda nunca se desvie deste caminho.

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 25.10.2019
Género: technical deathcore
Nota: 4.5/5

Dez anos de existência é daquelas etapas especiais para uma banda, e certamente que o será para os Rings Of Saturn (ROS), a banda predilecta de Lucas Mann que durante os primeiros anos da sua carreira sempre foi visto como um projecto engraçado de deathcore que misturava uma atmosfera que parecia saída dos jogos de arcada dos anos 1990. Agora, com cinco álbuns no catálogo e sem paragens durante estes dez anos, os Rings Of Saturn continuam a fazer deathcore com essa curiosa adição sonora – a diferença está na forma como o executam.

Uma coisa que os últimos dois discos anteriores demonstraram muito bem é que, apesar das letras e dos videoclipes, este grupo leva muito a sério o seu trabalho, ao ponto de conseguir aumentar a complexidade sonora em cada disco, ao mesmo tempo que consegue tornar os temas mais aditivos e de fácil audição. E se há dois anos “Ultu Ulla” parecia ter sido o auge da banda ao conseguir fazer um disco de deathcore que mantinha a brutalidade e velocidade do género perfeitamente encaixadas em cápsulas de melodias alucinantes, “Gidim” revela que a criatividade dos ROS está longe de se ter esgotado.

A faixa de abertura, “Pustules”, remete para os tempos mais idos da banda, mas só um bocado, pois os riffs mais intricados e melodiosos juntam-se àquela rítmica mais estática e tradicional de deathcore e tira a ideia de um possível retorno às raízes, se bem que “Gidim” consegue ser mais opressivo do que “Ultu Ulla”, e faixas como a que acabámos de referir e “Hypodermis Glitch” são bons exemplos. Porém, a evolução mostrada no disco anterior continua, e “Gidim” é, sem dúvida, uma continuação positiva do trabalho da banda. Tal como no álbum anterior, há cada vez menos separação entre momentos de melodias hipnotizantes e agressividade crua e simplista – cada tema tem a sua própria identidade e flui maravilhosamente, fazendo também fluir o álbum até este terminar no delicioso instrumental que é o tema-título.

Com os anos ganha-se experiência e com a experiência ganha-se perfeição. “Gidim” é o culminar de dez anos sempre em busca da perfeição, da originalidade e do surpreendente – e esperemos que a banda nunca se desvie deste caminho.

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