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Red Fang: próximo nível à katanada

Foto: James Rexroad

Amantes de cerveja, entusiastas de katanas, caçadores de zombies e juízes de concursos air-guitar, os sempre bem-humorados Red Fang têm em “Arrows” o seu quinto álbum.

«De todos os títulos que foram pensados, este foi aquele que toda a gente menos detestou», diz John Sherman, que gravou a bateria no fundo de uma piscina vazia. «Basicamente, é o que acontece com todos os discos.» O baixista/vocalista Aaron Beam acrescenta: «Na realidade foi assim que decidimos o nome da banda. Era o único em que alguém não estava do tipo: ‘NÃO!’»

De segmentos sinistros e experimentais ao stoner sempre denso e ruidoso mas mais veloz do que o normal, passando por influências em The Melvins, o guitarrista/vocalista Bryan Giles afirma que com “Arrows” se «está definitivamente a explorar novo território». «Estou muito feliz, e não quereria estar nesta banda se continuássemos a fazer a mesma coisa repetidamente.»

«Este disco soa-me mais a “Murder the Mountains” [2011] do que qualquer outro que tenhamos feito desde então», retoma Beam. «Não soa a esse disco, mas o “Murder the Mountains” éramos nós a fazer o que queríamos, e isso também é o “Arrows”.»

Conhecidos não só pela música mas também pelo enorme sentido de humor extrapolado nos vídeos, os Red Fang voltaram a fazer das suas no clipe para o tema-título. Tentando sempre estoirar o dinheiro do orçamento com ideias tresloucadas, desta vez usaram uma katana japonesa para se esquartejar objectos como garrafas de plástico, bongos, peluches, despertadores ou as mais típicas melancias. «Se fores jantar com a banda, isso será mais próximo de um dos nossos vídeos do que nós a caminhar em câmara lenta através do nevoeiro com cabeças de bode», assume Giles. «Quero dizer, ninguém acredita nessas tretas.»

A última faixa “Funeral Coach”, que fora o segundo single do álbum, também obtém o seu destaque no meio das várias histórias mirabolantes protagonizadas pelos Red Fang. «Estava a conduzir e vi um carro fúnebre que dizia ‘funeral coach services’», recorda Beam. «Portanto, a primeira coisa que me veio à cabeça foi um gajo com uns auscultadores e folhas de apontamentos a dizer: ‘Ora bem, rapaziada – mais lágrimas! Aos cinco minutos as lágrimas são importantíssimas ou ninguém acredita que se quer saber que esta pessoa morreu.’»

Malucos com sentimentos, os Red Fang acabam por ver “Arrows” como uma forma de agradecimento aos seus fãs, como Beam tão eloquentemente encerra: «Obrigado por comprarem o nosso álbum, seus bastardos sortudos.»

“Arrows” foi lançado a 4 de Junho de 2021 pela Relapse Records.

Texto originalmente publicado no #07 da revista Guitarrista. Sabe mais sobre os produtos da Guitarrista aqui.

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