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Rammstein “Mutter”: coração fervilhante

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Depois de “Sehnsucht” (1997) e de singles como “Engel” e “Du Hast”, os Rammstein tinham de provar que não eram um sucesso efémero e que, acima de tudo, não eram um flop. Pioneiros do movimento Neue Deutsche Härte, composto por bandas de rock/metal industrial, os alemães lançaram o terceiro álbum “Mutter” em Abril de 2001.

Repleto de músicas cativantes, a conhecida e famosa electrónica dos Rammstein não foi completamente posta de lado em “Mutter”, mas as guitarras ganharam um novo fulgor, tornando-se um álbum mais metal e musculado. «Quisemos fugir da dependência [das tecnologias] e diminuir o papel das batidas electrónicas e escrever músicas mais baseadas em instrumentos. Como resultado, as músicas tornaram-se mais maduras», disse Richard Kruspe à Billboard. Quem também evoluiu foi Till Lindemann, com Kruspe a referir à Lollipop Magazine que o vocalista «não tinha nenhuma formação musical» quando começaram. «Sinto que nos últimos três álbuns ele realmente se desenvolveu e evoluiu. Quando faço as músicas, componho melodias fortes para ele escrever. Desta vez consegues mesmo ouvi-lo a cantar, enquanto antes a modos que falava. Ele desenvolveu o seu próprio estilo de cantar», disse em 2001.

Com seis singles (praticamente metade do álbum), destaca-se a ansiedade e a angústia de “Mein Herz brennt” ou a glorificação do crime pela imprensa em “Ich will”, mas foi “Links 2 3 4” que deu que falar. Conotados à simpatia pelo nazismo – o estigma de se falar alemão era grande –, os Rammstein responderam com um vídeo em que uma colónia de formigas combate gigantes escaravelhos – o proletariado contra as elites. Com um refrão em alusão a “Einheitsfrontlied”, que o dramaturgo Bertolt Brecht escreveu para o Partido Comunista Alemão nos anos 1930, Richard Kruspe esclareceu: «No passado fomos muitas vezes acusados de uma certa inclinação militarista, mas pareceu-nos que ninguém estava realmente interessado em saber a verdade. Para aqueles que nos querem colocar num determinado canto político, a música diz claramente: ‘O meu coração bate à esquerda.’ Mas não queríamos tornar isso demasiado simples, por isso combinámos essa afirmação com música ao estilo militar para torná-la mais artística e mais interessante.»

Crescidos no lado comunista da Alemanha, o guitarrista Paul Launders vai mais longe noutra entrevista concedida em 2001 a um meio norte-americano: «O facto de termos crescido sob o socialismo influenciou-nos bastante. Quero dizer, mesmo dentro do teu país há diferenças – os americanos não são iguais na costa oeste e na costa leste ou no Texas, e é assim na Alemanha. Na verdade, não me arrependo de ter crescido sob o socialismo, porque quanto mais aprendes sobre capitalismo e imperialismo, mais pensas que uma alternativa não é uma ideia tão má. Capitalismo não é um sistema ideal. Pelo facto de o socialismo ter falhado, isso não significa que não haja alternativa ao capitalismo. O que eu mais gostava no socialismo é que não havia ênfase no dinheiro – o dinheiro não importava para nada e no capitalismo o dinheiro obviamente governa tudo. O dinheiro governa a guerra e a TV e, claro, a economia, o que não é o caso no socialismo.»

Atingindo a posição 77 na US Billboard 200, “Mutter” obteria várias certificações platina na Alemanha e em Espanha, bem como vários discos de ouro um pouco por toda a Europa. Assim, os Rammstein provavam definitivamente que não eram um acaso, que o rock/metal industrial estava bem implementado e que a língua alemã era uma realidade no negócio da música, originando até, dizemos, um certo exotismo oriundo de uma banda tão singular que continua a parar o mundo sempre que nos traz uma novidade.

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