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Rammstein: 20 curiosidades sobre “Mutter”

Golpes falhados, porrada em bares e o cão de Hitler – eis os segredos do álbum “Mutter” dos Rammstein.

Golpes falhados, porrada em bares e o cão de Hitler – eis os segredos do álbum “Mutter” dos Rammstein.

Rammstein é o sucesso mais improvável do metal. Nascidos em 1994, numa Alemanha recentemente reunificada, o sexteto de Berlim passou de metal electrónico a hinos de estádio, reforçando a sua reputação como o produto mais explosivo, provocativo e visualmente impressionante da música pesada. As roupas incendiadas, os bebés explosivos, os enormes canhões de esperma, as máscaras perversas, o teclista a ser cozido numa panela por um vocalista que empunha um lança-chamas a sério – é tudo bizarro, mas é apoiado por alguns dos riffs mais musculados e inegavelmente cativantes desde que Tony Iommi cortou metade dos seus dedos.

E foi o terceiro álbum, “Mutter”, que consolidou essa noção – simplesmente já não dava para os considerar uma novidade. Lançado a 2 de Abril de 2001, o trabalho de onze faixas é frequentemente citado como a obra-prima dos Rammstein e um marco não apenas do metal industrial mas do metal em geral.

Com a nova edição da Metal Hammer a apresentar uma celebração épica de “Mutter”, eis 20 curiosidades que te podem fazer pensar ‘mein Gott!’.

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1. Os Rammstein quase que se separaram durante a criação do álbum devido às tentativas que o guitarrista Richard Z. Kruspe levou a cabo para acabar com o processo de composição celebremente democrático. O baterista Christoph Schneider disse: «O Richard tentou liderar a banda e isso chegou a um ponto em que não aguentávamos mais. Ele estava a tentar controlar tudo, ele não queria que ninguém mudasse nada do que saísse da sua boca – foi um momento complicado.»

2. O vocalista Till Lindemann e o teclista Flake Lorenz conheceram o lendário produtor Peter Tägtgren durante a gravação de “Mutter”. De acordo com Till, Flake «estava bêbado e a criar problemas, a antagonizar os grandalhões», num bar de motoqueiros na Suécia, e tinha arrancado o feltro todo da mesa de bilhar. As coisas estavam prestes a ficar um bocado complicadas, mas Peter interveio e neutralizou a situação. Till iria trabalhar com Peter mais tarde no seu projecto simplesmente chamado Lindemann entre meados e finais dos 2010s.

3. Argos, que interpretou o cão de Hitler no filme “Der Untergang”, acompanhou os Rammstein enquanto compunham “Mutter”. Era do chef contratado pela banda e era, segundo os relatos, um bom menino.

4. “Mutter” é o primeiro disco dos Rammstein a omitir o engenheiro de mistura Ronald Prent, um homem cujas contribuições para o som inicial da banda foram descritas como essenciais. Este terceiro álbum viu a banda a afastar-se da mistura electrónica e dançante de outrora e a dar um passo em direcção a um som mais orgânico.

5. Dave Ogilvie, associado aos Skinny Puppy, foi inicialmente apontado como candidato para misturar o álbum devido ao seu trabalho com Nine Inch Nails em “The Perfect Drug” (1997). O icónico produtor Andy Wallace também pairou como candidato, mas nenhum dos dois estava disponível na altura.

6. Esta foi a primeira vez em que os Rammstein trabalharam com uma orquestra. Antes de “Mutter”, qualquer coisa que se ouvisse semelhante a arranjos de cordas tinha sido sintetizado por Flake. Desta vez contrataram a Deutsches Filmorchester Babelsberg para fornecerem tons dramáticos a “Mein Herz Brennt”, “Mutter” e “Nebel”.

7. A capa de “Mutter” é um nado morto. A banda encontrou os fotógrafos da imagem, Geo e Daniel Fuchs, numa edição da revista alemã Max e foram originalmente atraídos pelas suas fotos de três embriões de urso polar preservados.

8. As fotos promocionais de “Mutter”, que mostram a banda preservada em fluido, exigiam que cada membro ficasse submerso na água, preso pelos pés a um peso no fundo de um tanque em acrílico e amarrado com um cinto. Segundo Flake, o tanque começou a cheirar mal à medida que a sessão avançava por causa dos peidos que davam na água.

9. “Los” e “Ohne Dich”, que figuram no quarto álbum “Reise, Reise”, nasceram durante o período de “Mutter”. A primeira foi guardada (originalmente tocada em formato rock, do qual a banda não gostou) e a segunda foi omitida porque não queriam incluir outra balada.

10. Nove das onze músicas de “Mutter” foram estreadas a 16 de Abril de 2000, quase um ano antes do lançamento. Foi um concerto apenas para o clube de fãs (na sala Knaack em Berlim, com capacidade para 1000 pessoas) que também incluiu a versão inicial de “Ohne Dich” e o instrumental “5/4”.

11. O single principal de “Mutter” e obrigatório em concertos, “Sonne”, foi originalmente composto como tema de entrada para o pugilista ucraniano Vitali Klitschko – havia até títulos como “Klitschko” e “Der Boxer”. No entanto, Vitali desistiu da utilização da faixa por considerá-la dramática demais. Agora é político e, ao que sabemos, não iniciou nenhum comício com a contagem numérica de “Sonne”.

12. O vídeo de “Ich Will” é uma encenação da banda a assaltar um banco e culmina no rebentamento de Flake. Foi lançado a 10 de Setembro de 2001. Naturalmente, não recebeu muita cobertura dado o que aconteceu no dia seguinte.

13. Este período também marcou o início de uma relação tensa entre os Rammstein e os EUA. Richard estava em Nova Iorque quando os aviões colidiram com as Torres Gémeas e a banda foi em digressão pelos EUA no final daquele mês, abrindo para Slipknot e System Of A Down. A ansiedade de Flake à volta dos ataques terroristas de 11 de Setembro fez com que fizesse as malas e partisse com várias datas por realizar – o resto da banda seguiu-o depois. Só regressariam nove anos depois.

14. O lado B de “Ich Will” é a música “Halleluja” que entrou na banda-sonora de “Resident Evil” em 2002. “Halleluja” também apresenta os sinistros samples vocais que se ouvem em “Sonne”.

15. As seis primeiras faixas de “Mutter” foram singles, embora a inaugural “Mein Herz Brennt” só tenha recebido esse tratamento em 2012, quando foi relançada com uma versão ao piano.

16. O hino “Mann Gegen Mann”, que entrou no quinto disco “Rosenrot”, também foi concebido durante a era de “Mutter”.

17. A penosa conclusão de “Mutter”, intitulada “Nebel”, só foi tocada ao vivo 20 vezes – todas durante a digressão de Verão em 2001. Na verdade, das músicas que surgem depois do tema-título do álbum, apenas “Rein Raus” foi tocada novamente após a digressão de “Mutter”. E mesmo assim, só apareceu no alinhamento duas vezes desde 2002.

18. Apesar de ter alcançado apenas a posição 86 nas tabelas britânicas, os Rammstein foram cabeças-de-cartaz na Docklands Arena de Londres, com capacidade para 15000 pessoas, em 2002. Acontece que mesmo que as pessoas não quisessem ouvir músicas sobre overdoses, problemas com mães, sexo e morte, estavam bem a assistir àquilo a ser tocado com grandes quantidades de pirotecnia e robôs que lançavam esperma.

19. Durante a digressão de “Mutter”, a banda era expelida de um útero gigante que pairava sobre o palco. Usavam apenas fraldas e iam aos tropeços até aos seus instrumentos envoltos numa névoa pós-parto.

20. “Mutter” foi duas vezes Platina na Alemanha, com vendas superiores a 600000 cópias físicas. É mais do que “Looking for Freedom” de David Hasselhoff, que só foi Platina uma vez, o equivalente a 500000 cópias. Talvez Hasselhoff tivesse vendido mais CDs se tivesse feito aquela actuação no Muro de Berlim enquanto disparava foguetes com a pila.

Consultar artigo original em inglês.

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