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Primitive Man “Immersion”

“Immersion” é um registo mais confortável do que “Caustic”, o que certamente se tornará um factor decisivo para dividir as opiniões dos fãs. Um equilíbrio instável entre meditação e abrasão.

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Editora: Relapse Records
Data de lançamento: 14.08.2020
Género: sludge / doom metal
Nota: 4/5

“Immersion” é um registo mais confortável do que “Caustic”, o que certamente se tornará um factor decisivo para dividir as opiniões dos fãs. Um equilíbrio instável entre meditação e abrasão.

Poucas bandas conseguem tornar-se relativamente conhecidas sem perderem um estatuto de underground. O género de música que fazem, e sobretudo as ideias que usam nas suas letras e composições, podem dar um real empurrãozinho nesse sentido, e penso que estamos de acordo quando uma das primeiras bandas que nos vem à cabeça dentro deste conceito é, sem dúvida, Primitive Man.

Juntos desde Fevereiro de 2012, Ethan Lee McCarthy, Jonathan Campos e Joe Linden comprometeram-se desde logo a não dar qualquer descanso ou escape aos ouvidos e mentes de corpos mais atormentados. Embora a sonoridade se faça com recurso ao sludge, doom, drone e noise, conseguem apresentar uma identidade impossível de classificar em termos acessíveis. As temáticas equilibram-se, sem grandes surpresas, entre o estado da sociedade actual, distúrbios mentais e histórias pessoais, contribuindo em muito para que se dê um novo fôlego à palavra niilismo. Os instrumentos transportam tanta ou mais carga emocional do que os vídeos e artwork, que acabaram por se tornar um componente fundamental para compreender esta banda.

O lançamento de “Scorn”, em 2013, foi quanto bastou para merecerem lugar de destaque e desde então contam-se um sem número de splits, com bandas como Hexis, Fister, Uneartlhy Trance e Hell, e ainda o lançamento do por vezes tão mal-amado “Caustic”, segundo full-length da banda lançado em 2017. Talvez tenha sido esse o trabalho que nos confirmou que este se tornaria um projecto nada fácil de digerir e, mesmo dividindo opiniões, terá deixado poucos indiferentes.

“Immersion” veio dar continuidade a este registo, e a tal entidade que se começou por definir com “Scorn” tem vindo a tornar-se cada vez mais forte e definida. Passamos então de “Caustic”, com quase 80 minutos, para uma experiência igualmente imersiva (pun intended), mas apenas com 35 minutos. Não é como se nunca tivéssemos ouvido que quantidade está longe de ser equivalente a qualidade e, mesmo com uma duração para muitos demasiado curta no nicho onde se insere, a banda entrega um dos registos mais hostis do ano corrente.

Distorção e feedback a rodos tornam estas cordas o acompanhamento perfeito de uma bateria que consegue alternar facilmente entre um compasso glacial, como é o caso em “The Lifer”, e blast-beats catárticos, em “Menacing”. Neste terceiro trabalho encontramos menos noise e uma linguagem indiscutivelmente mais riff-oriented, mas nem por isso se perde força no assalto e agressão. Os growls primitivos de McCarthy continuam a merecer destaque pelo seu massivo contributo para a wall of sound que se constrói, mesmo quando mal se consegue digerir tudo o que nos atinge a nível instrumental.

É certamente um registo mais confortável do que “Caustic”, o que certamente se tornará um factor decisivo para dividir as opiniões dos fãs. Um equilíbrio instável entre meditação e abrasão.

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