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Perdidos no Arquivo: Forced Entry

É de reconhecer que, hoje, o grupo é uma banda de culto com muitos novos fãs de metal a procurarem preciosidades e a encontrarem os lançamentos dos Forced Entry como maiores referências.

Uma entrada de rompante (1984-1989)
Os Forced Entry, inicialmente sob o nome de Critical Condition, tornaram-se de imediato numa força a ter em conta pelo seu som bastante agressivo nuns anos 1980 a precisar de uma sacudidela e com muitas bandas a querer abanar o sistema que estava preso a uma crença de prisioneiros e guerras, e que via na música um escape para uma realidade envolvida em batalha e sangue. O grito de revolta foi dado sobretudo por bandas como Metallica, Iron Maiden, Megadeth, Slayer, Anthrax, etc., que acabaram por se tornar nos grandes grupos da geração, deixando para trás bandas que, pelo seu som, mereciam mais atenção, tal como estes Forced Entry.

Para tal, o início da história começou com o trio Tony Benjamins, Brad Hull e Colin Mattson, que se apresentava já com um nome portentoso e cheio de atitude face ao sistema existente. Começaram como banda de covers, mas logo perceberam que não era este o caminho a seguir. Então, em 1986, nasceram os Forced Entry, que mostravam uma nova atitude, tendo lançado em 1987 duas demos que quiseram logo evidenciar as capacidades destes jovens. “All Fucked Up” e “Thrashing Helpless Down” deram-lhes uma certa atenção do público, mas sobretudo da crítica, com o grupo a ganhar o prémio “Melhor Banda de Metal” pelo seu desempenho na demo de quatro faixas “Thrashing Helpless Down”. As produtoras já andavam de olho na banda até que em 1988, aquando do lançamento da demo “Hate Fills Your Eyes”, o grupo assina um contrato profissional com a Combat Records.

Com a assinatura do contrato, em 1989, a banda deixa de andar na gama dos amadores para lançar o seu primeiro álbum intitulado “Uncertain Future”, que acaba por passar um pouco da mensagem que eles inicialmente transmitiam na sua música muito centrada nos temas da política, corrupção, vida, morte e sofrimento. Este disco de estreia é um sucesso, sobretudo no underground, com a crítica a tecer-lhes muitos elogios. Apesar de tudo, não teve a replicação comercial que muitas outras bandas tiveram nesses anos 1980. É um álbum poderoso e até pioneiro no mundo do thrash metal, com power vocals muito acentuadas e um forte apoio no baixo como auxílio a uma guitarra incandescente e uma bateria cavalgante. Artisticamente, o grupo excede-se com um desempenho realmente bom, nunca ficando atrás das grandes malhas que havia na altura. Graças à qualidade do longa-duração, o trio parte em tours de apoio aos Coroner, Sacred Reich e Obituary.

Último lançamento e insucesso comercial (1990-1991)
É nesta altura que os Forced Entry se tornam sinónimo de ‘pioneiros do thrash metal em Seattle’, título que acabaria por não ter grande repercussão na indústria, ao contrário do metal da Bay Area. Apesar do sucesso com a estreia, o segundo disco “As Above, So Below” teve uma péssima recepção, nunca tendo obtido o verdadeiro valor pela crítica nem pelos fãs, infelizmente. É outro lançamento subvalorizado que acabou por ganhar pó nas prateleiras das produtoras, talvez por ter sido lançado na entrada duma nova década tão diferente musicalmente. Com uma toada artística muito similar aos lançamentos anteriores, a capacidade técnica foi melhorada e as murraças líricas são ainda mais densas com faixas poderosas como “Never a Know, But the No”, “Macrocosm, Microcosm”, “Apathy” e “As Of Yesterday”, com os dois primeiros temas a serem lançados também na forma de videoclipe. A promoção de nada lhes valeu já que não houve adesão a “As Above, So Below”, tendo sido dispensados da produtora gerida pela Relativity. Como tal, o grupo nem sequer tentou fazer uma digressão de apoio ao novo álbum que viria a ser o seu último lançamento de estúdio.

EP e término de actividades (1995-2002)
Sem sucesso a assinar um novo contrato com uma produtora – e apesar dos esforços para fazer concertos –, o trio foi forçado a fazer um hiato, sem antes lançar outra preciosidade subvalorizada ou até totalmente desvalorizada. Em 1995, sai “The Shore”, um EP com quatro temas que seguem o caminho iniciado anteriormente, mas com um sentimento mais ferido. O EP é pior qualitativamente, tendo havido uma tentativa de combinar as tendências do thrash metal com as tendências dos anos 1990, apresentando uma toada muito mais groove, algo que poucas bandas conseguiram concretizar com sucesso. A crítica detestou o lançamento com muitos a considerarem “The Shore” uma tentativa falhada de trazer à tona um estilo que teve sucesso no primeiro disco do trio. No entanto, também é verdade que o EP acaba por criar algo que tanto tem sido recriado com sucesso por outras bandas de estilos mais alternativos. A verdade é que os Forced Entry nunca chegaram a ter a empatia dos fãs, nem da crítica, para poderem ser assim tão alternativos, sobretudo quando lançaram “The Shore” de forma independente. Não dá para negar a arrogância de faixas como “Sore”, que apresenta uma batida realmente persistente com uma guitarra muito estridente e veloz em certos momentos, ou “Sole Train”, uma pesada faixa de heavy metal com toques de groove e industrial.

Após um último concerto em Seattle, o grupo só viria a reunir-se em 2002 para o Abrasive Rock Festival, terminando nesse ano a história dos Forced Entry, uma banda de Seattle que foi pioneira do thrash metal da zona mas que nunca obteve o reconhecimento merecido. Também é de reconhecer que, hoje, o grupo é uma banda de culto com muitos novos fãs de metal a procurarem preciosidades e a encontrarem os lançamentos dos Forced Entry como maiores referências.

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