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Perdidos no Arquivo: Coroner

De um início como equipa dos lendários magnânimos do metal os Celtic Frost, os Coroner foram aprendendo ao longo dos anos para poderem começar a produzir música que se distinguisse do metal habitual.

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O epítome do thrash metal técnico (1983-1987)
De um início como equipa dos lendários magnânimos do metal os Celtic Frost, os Coroner foram aprendendo ao longo dos anos para poderem começar a produzir música que se distinguisse do metal habitual. Os pupilos lá se quiseram tornar nos mestres, começando por produzir canções próprias, com “Death Cult” (1986), uma demo que mostra uns Coroner liderados por Tom G. Warrior, dos Celtic Frost, na voz. A demo contém quatro faixas gravadas de forma crua e simples, para também denotar uma vertente mais primitiva de um thrash metal que ainda ia ser, significativamente, melhorado.

Mas de 1986 a 1987 passa-se um ano que amadurece esta banda, passando a contar com Ron Broder no baixo e na voz, Tommy Vetterli na guitarra e Marky Edelmann na bateria. Em 1987, sai então o grande “R.I.P”, que é fundamentalmente um álbum de thrash metal com toadas de metal progressivo fortemente apoiado no avant-garde, que os Coroner muito ajudaram a fundar. O disco, composto quase inteiramente por êxitos da banda, reforça uma nova tendência no thrash metal, muito mais técnico com faixas como “Coma”, “Reborn Through Hate” e “When Angels Die” que contêm fortíssimos solos de guitarra e um Broder a irromper-nos pelos ouvidos para uma experiência musical absorvente. O longa-duração é visto como um clássico, apesar de nem todas as críticas serem fenomenais. No entanto, a sua rapidez e agressividade cruel, à excepção dos instrumentais lentos e pesarosos, destaca-o como um dos melhores da sua geração.

Um castigo a preto e branco (1988-1989)
Sem muitas delongas, os Coroner avançam para mais um disco de estúdio, desta vez, em 1988, com o segundo lançamento “Punishment for Decadence”. O álbum segue a filosofia do anterior, mantendo uma enorme velocidade, apresentando um thrash metal mais refinado e apurado, com faixas como “Masked Jackal”, “Sudden Fall”, “Shadow of a Lost Dream” e “The New Breed” a serem consideradas como obrigatórias para os fãs. Não há dúvidas de que este álbum é mais evolutivo e complexo do que “R.I.P”, mas também não há dúvidas de que não perde as suas principais características. Esta foi uma fase de trabalho criativo intensivo que veio a trazer à luz o seu terceiro disco. Em 1989, sai o incrível “No More Color”, que é decerto um álbum mais escalado com a inclusão do jazz fusion, do rock/metal progressivos e com muito dele a ser do estilo avant-garde, chegando a incluir a música clássica como veículo motor para uma revolução ainda maior no metal.

“No More Color” é para muitos o melhor disco dos Coroner, mesmo conseguindo superar lançamentos posteriores, na década de 1990. Neste, reforça-se ainda mais um estilo que viria a ser muito Coroner, bem como muito thrash metal técnico/avant-garde. De muitas formas, como se verifica, os suíços tornaram-se em génios inspiradores que ajudaram a veicular diversos estilos musicais e que serviram de exemplo a muitas outras bandas como Death, Sodom e Exodus. Na verdade, este terceiro tento coloca os Coroner numa dimensão única, com temas como “Die By My Hand”, que demonstra uma enorme componente técnica, “No Need to be Human” apresenta uma vertente mais melódica, havendo ainda a rápida e progressiva “Read My Scars” e a muito pesada e heavy metal “D.O.A.”. Para além do lado mais convencional da música pesada com a inclusão do heavy metal e do thrash metal, ou até da vertente mais progressiva, o lado mais alternativo também foi explorado com o metal industrial, que se tornou ainda mais evidente nos próximos dois lançamentos.

O pico artístico e a despedida (1990-1996)
Apesar da qualidade discográfica, a componente comercial não foi a que mais se destacou destes anos. A verdade é que os Coroner, infelizmente, não se tornaram em estrelas da indústria, ficando a faltar o reconhecimento da crítica profissional em muitos momentos. Por esse motivo, a banda acabou por se separar anos depois, não antes do lançamento de mais dois discos de estúdio: “Mental Vortex” e “Grin”. Para muitos, o longa-duração de 1991 é o pico de qualidade de uma banda ainda muito subvalorizada, apesar de pioneira em tantos aspectos. O que antes era uma preparação para um estilo mais progressivo e industrial, tornou-se numa confirmação com “Mental Vortex”, que é fundamentalmente um álbum de metal progressivo e industrial, com forte inspiração no thrash metal, invertendo um pouco as tendências de composição. É muito difícil destacar um tema do outro – todo o álbum é uma referência, tendo sido usado em concertos na altura e na reunião que havia de acontecer. Se há quem não adore os dois primeiros lançamentos, este quarto disco viria a ser o que mais louros haveria de receber pela crítica e pelos fãs, sendo o melhor disco da banda e um dos melhores de todos os tempos. Gravado em Berlim em 1991, “Mental Vortex” debruça-se sobre a condição humana e as complexidades contemporâneas, com temas inteligentíssimos como “Divine Step (Conspectu Mortis)”, “Son of Lilith”, “Metamorphosis” e “About Life”. O álbum conta também com a cover “I Want You” (She’s so Heavy)”.

Antes da prematura despedida, em 1993 os suíços preparam o último lançamento de estúdio até hoje, apesar do regresso ao activo. “Grin” torna-se num grande exemplo de inovação que foi sendo implementando ao longo da sua carreira. O quinto álbum ruma ao metal industrial e progressivo, deixando o thrash metal mais veloz. Apesar da inovação – e da inclusão do avant-garde de uma forma maioritária –, “Grin” torna-se pioneiro e inspiração para muitas bandas do metal industrial. Para além de ser um álbum extremamente criativo e arriscado, é também incrivelmente inteligente, focando-se nos mesmos temas do disco anterior. “Grin” é pesado, complexo e extremamente inovador, mistura o metal industrial e o progressivo de forma exímia, sem nunca perder o tino no peso da sua música.

Os anos 1991 e 1993 foram fenomenais, não só em termos de lançamentos como em concertos. No entanto, ficou uma sensação de pouco, pois o impacto comercial nunca era suficiente. Como tal, o trio suíço decide terminar actividades, mas com impacto, lançando duas compilações: “Coroner” e “The Unknown”, em 1995 e 1996 respectivamente. Na verdade, ambas as compilações não passam disso mesmo, à excepção de remixes ou novas gravações de músicas, bem como faixas ao vivo. No entanto, “Coroner”, de 1995, apresenta novos temas que se destacam pela sua componente altamente industrial. Nesta fase, já o grupo se havia separado, para voltar apenas mais de uma década depois.

Reunião e futuro (2005-)
Com o encerramento de actividades, muito pouco se soube dos Coroner. Só a partir de 2005 é que se cogitou o regresso ao activo, primeiro para concertos de reunião e depois para um novo álbum. Não foi em 2005 mas em 2010 que se verificou o regresso dos suíços para uma série de concertos de reunião, tendo, inclusive, passado por Portugal, no então Vagos Open Air 2012. O concerto memorável foi já marcado por rumores de um novo álbum que nunca se veio verificar. No entanto, a prenda para os fãs foi mais concertos, mas nunca o desejo de um novo disco se veio a realizar. O trio pareceu tremer quando, em 2014, Markus Edelmann sai do grupo, deixando-o por se opor à produção de um novo álbum, ao contrário dos outros dois membros. Logo viria a ser substituído por Diego Rapacchietti nesse mesmo ano. Várias foram as notícias de um novo álbum que seria lançado em 2017, mas nunca aconteceu. Agora, muito recentemente, noticiou-se a entrada em estúdio dos Coroner para lançamento previsto a anunciar.

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