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Papa Roach “Infest”: entre homens e insectos

A 25 de Abril de 2000, o nu-metal conhecia um novo peso-pesado com “Infest”, o segundo álbum dos norte-americanos Papa Roach.

Fundados em 1993 e depois de um primeiro disco falhado suportado por dinheiro proveniente de negócios de droga, que dava pelo nome de “Old Friends from Young Years”, a banda de Jacoby Shaddix aka Coby Dick não desistiu e encetaram-se planos para o domínio mundial a partir do underground. Os planos não saíram furados e o apoio que receberam fora do mainstream levou os Papa Roach a assinarem pela DreamWorks Records para lançarem “Infest”.

Com o objectivo modesto de se meterem numa carrinha e vender alguns milhares de discos por onde passassem, “Infest” mudou tudo e logo na primeira semana venderam-se 30.000 cópias.

Com um som mais orgânico (especialmente devido às guitarras com uma distorção metalizada) do que contemporâneos como Korn e Limp Bizkit (os primeiros continham mais groove e som gordo, os segundos exploravam o hip-hop e o DJing) e com letras de cariz muito pessoal, o breakthrough dos Papa Roach assenta essencialmente nos hooks e riffs cativantes mas robustos, melódicos mas furiosos de Jerry Horton e na voz berrada de Coby Dick que tanto se alicerçava nas noções raivosas do hardcore como na rima rápida do rap.

“Infest” era destinado aos adolescentes espezinhados e descontentes, uma geração que na viragem do século vinha, muita dela, de lares disfuncionais e com pensamentos considerados estranhos para os seus pais. Sem exagero, álbuns como este ajudaram a que os miúdos vítimas destes episódios se unissem através da música para combater aquilo que, na sua visão, estava errado na sociedade circundante.

«Música pode ser um lugar brilhante para as pessoas – pode ser uma fonte de força, pode ser uma fonte de esperança para as pessoas», reflecte o vocalista dos Papa Roach.

Liricamente podemos seleccionar exemplos particulares como o single de sucesso “Last Resort”. O frontman conta: «Era sobre… um dos meus melhores amigos, ele tentou matar-se. Vivíamos juntos. Eu com 17 anos e o meu melhor amigo tentou matar-se. Foi uma experiência traumática.»

“Broken Home” é baseada na má relação que Coby Dick tinha com o pai, “Dead Cell” assenta na falta de palavra através de metáforas, “Between Angels and Insects” abomina obsessões materiais, “Blood Brothers” disserta sobre traição e corrupção e “Binge” enfrenta o alcoolismo.

Platinado por várias ocasiões, “Infest” não encontrou a sua capitalização apenas em vendas e concertos, mas também no uso das suas canções em videojogos (“Tony Hawk’s Pro Skater 2”, “Gran Turismo 3: A-Spec”), filmes (“Queen of the Damned”), séries televisivas (“Smallville”) e wrestling (WWF, agora WWE).

Numa altura em que o metal na sua generalidade estava a recuperar de uma década de 1990 para esquecer em termos comerciais e, por vezes, criativos, bandas como Papa Roach e álbuns como “Infest” foram a porta de entrada para muitos adolescentes que passado poucos anos, quiçá meses, acabavam por dar de caras com thrash, death e black metal à custa do tantas vezes famigerado nu-metal.

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