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Ozzy Osbourne “No More Tears”: acabou-se a brincadeira

No final dos 1980s, Ozzy estava em cacos. Tinha de regressar em força. Fê-lo ao reabilitar-se e ao lançar o maduro “No More Tears” em 1991.

No final da década de 1980, Ozzy Osbourne estava em cacos. Depois de ter sido despedido dos avós do heavy metal Black Sabbath em 1979, Ozzy acabou por obter grande sucesso numa carreira a solo projectada pela esposa Sharon, com álbuns como “Blizzard of Ozz” (1980), “Diary of a Madman” (1981) e “Bark at the Moon” (1983). Contudo, os abusos e a pouca credibilidade que daí advém, que resultaram inicialmente na partida dos Sabbath, continuaram ao longo de mais 10 anos.

Conhecido por largos excessos, Ozzy era figura imparável na imprensa, não tanto pelo seu hard rock / heavy metal super cativante ou pelo glamour do estrelato, mas mais pelas peripécias ultrajantes que originou, como decapitar uma pomba com os dentes, urinar no histórico Álamo ou tentar matar Sharon em Setembro de 1989, momento negro na vida pessoal do vocalista do qual não tem qualquer memória. Sharon, como amor da sua vida e braço direito na carreira, acabou por retirar a queixa contra o marido, mas uma coisa tinha de ficar clara: acabou-se a bebedeira.

Ozzy começou a década de 1990 em reabilitação para se livrar do alcoolismo e para voltar a ligar-se à família que tinha negligenciado. Em complemento, queria também voltar à ribalta musical e fazer do seu sexto álbum um must-have / must-listen do heavy metal.

Apesar de toda a escuridão que antecedeu a composição e gravação de “No More Tears”, a vida em estúdio foi alegre e sem complexos, com Ozzy a rebentar bombinhas de mau cheiro (que «podiam ser usadas para limpar edifícios, não salas», como relembra o guitarrista Zakk Wylde) e com os companheiros a retaliarem deixando fezes nos seus aposentos.

Pensado para ser um disco mais maduro no catálogo de Ozzy, “No More Tears” foi supervisionado pelos produtores John Purdell e Duane Baron. Maioritariamente composto por Ozzy, Zakk e o baterista Randy Castillo, o Prince of Darkness teve ainda a ajuda pertinente de Mike Inez (Alice In Chains), que compôs a entrada de baixo para o tema-título, e do icónico e amigo Lemmy Kilmister, que aparece creditado em quatro faixas, incluindo a famosa “Hellraiser”, que obteria mais reconhecimento mundial quando surgiu na banda-sonora do filme “Hellraiser III: Hell on Earth” numa versão de Motörhead. Também incluída no álbum “March ör Die” (1992), de Motörhead, na passagem dos 30 anos de “No More Tears”, Ozzy partilhou o dueto oficial com o malogrado companheiro de armas, fazendo com que não tenhamos mais de nos ficar por mash-ups amadores feitos por fãs.

Maduro também na ala lírica, o álbum combina epifanias calorosas e insinuações sinistras (que voltaria a repetir em álbuns como “Down to Earth”, de 2001). Enquanto a inaugural “Mr. Tinkertrain” fala sobre pedofilia, o tema-título é sobre um assassino em massa, mas foi a comovente “Mama, I’m Coming Home” que catapultou Ozzy para o topo que almejava e que merecia. Sendo uma das quatro faixas co-compostas por Lemmy, o ícone chegou a revelar na sua autobiografia “White Line Fever” que ganhou mais dinheiro com uma música do que em 15 anos com Motörhead.

Lançado a 17 de Setembro de 1991, “No More Tears” alcançou a sétima posição na popular Billboard 200. Posteriormente, Ozzy foi erradamente diagnosticado com esclerose múltipla, decidindo assim embarcar numa etapa final intitulada No More Tours com o objectivo de se retirar.

Os factos ditam que não se retirou e acabou por se manter relevante na pop-culture, especialmente com o reality show “The Osbournes” (que esteve no ar entre 2002 e 2005), no regresso aos Black Sabbath para o álbum final “13” (2013) e na contínua carreira que prevalece em 2021. “No More Tears” fica para a história como uma das últimas pérolas do heavy metal de massas dos 1990s ao lado de “Black Album” (Metallica), “Painkiller” (Judas Priest) e “Rust in Peace” (Megadeth).

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