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Oranssi Pazuzu “Mestarin kynsi”

Os Oranssi Pazuzu arriscam seriamente a terem lançado em 2020 um disco que daqui a uns 20 anos ainda será debatido e aplaudido como um virar de página dentro da mesma página.

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 17.04.2020
Género: psychedelic black metal
Nota: 4/5

Os Oranssi Pazuzu arriscam seriamente a terem lançado em 2020 um disco que daqui a uns 20 anos ainda será debatido e aplaudido como um virar de página dentro da mesma página.

Aquando da audição de “Värähtelijä”, ficámos com a urge de ver Oranssi Pazuzu ao vivo. Afinal, estamos a falar de um disco que meteu o nome dos finlandeses nas bocas de toda a gente pela originalidade, teatralidade e por provarem que o black metal tem a particularidade de ser o subgénero mais inovador e interessante dos últimos vinte anos. Tudo nos indicava que o sucessor desse disco teria de elevar bastante mais a fasquia se quisesse causar-nos pelo menos o mesmo interesse e emoção que “Värähtelijä” conseguiu.

E eis que “Mestarin kynsi” é a prova concreta do que acabámos de afirmar e, mais ainda, consegue tirar-nos do sério no bom sentido, devido à coragem e à forma de pensar fora da caixa que os cinco músicos da terra dos mil lagos insistem em trilhar. Desta vez, não só o experimentalismo e o avant-garde estão presentes, como dão as mãos a muito mais música electrónica e krautrock, sempre com o black metal como pano de fundo. A faixa inicial “Ilmestys” remete-nos para uma paisagem sonora que deve algo a The Ruins Of Beverast, mas que, em crescendo, começa subtilmente a apontar as miras para nomes como Nine Inch Nails e, no final, apresenta-nos um rock muito sujo a flirtar com sludge. Nada de novo até aqui, mas os enormes arranjos industriais e electrónicos, bastante distópicos, são inauditos até mesmo para os Oranssi Pazuzu.

A seguinte “Tyhjyyden sakramentti” não consegue disfarçar o space-rock e o piscar de olho aos Kraftwerk, como se se tratasse de uma colaboração entre os Pink Floyd de finais dos 1970 e dos embaixadores alemães da música electrónica, tudo vestido com um fato espacial ambiental e experimental. Mantém-se a distopia tão presente na voz de Jun-His, e do ambiental passa-se para a agrura fria do black metal assíncrono e dos teclados que arrastam milhões de astros com uma força gravitacional tão intensa que a ela nada escapa, nem mesmo a comunidade mais tradicional. “Uusi teknokratia”, talvez o tema mais avant-garde de todo o registo, vem de seguida e recorda-nos nomes como Pryapisme, Mr. Bungle e, claro, Oranssi Pazuzu. Tema genial a ouvir e reouvir.

“Kuulen ääniä maan alta” é a aproximação máxima ao som de uns Nine Inch Nails, época “The Fragile”, mas sempre com a unicidade dos Oranssi Pazuzu, até porque a voz de Jun-His já é impossível de confundir. Para os mais tradicionais, sim, existe espaço para black metal mais sério e autoritário, que se começa por ouvir em “Kuulen ääniä maan alta” e que continua na final “Taivaan portti”, um encerramento com chave de ouro num disco demasiadamente pequeno para a grandeza que distribui com apenas seis temas.

“Mestarin kynsi” tem andado em rotação constante por estes lados e ainda não temos uma opinião concreta sobre ele. Até porque há coisas que não se explicam, apenas que se sentem. Esta é uma delas, e os Oranssi Pazuzu arriscam seriamente a terem lançado em 2020 um disco que daqui a uns 20 anos ainda será debatido e aplaudido como um virar de página dentro da mesma página. Confusos? Também nós, mesmo ao fim de tantas audições.

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