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Omega Infinity: «Queríamos um canal directo e agressivo da nossa escuridão interior»

Ne Obliviscaris e Todtgelichter são as primeiras bandas que surgem quando se começa a ler sobre Omega Infinity, sendo que o mesmo é encabeçado por Xenoyr, um dos vocalistas do grupo australiano Ne Obliviscaris, e Tentakel P , mentor do projecto de post-metal alemão que pode ser considerado como uma banda de culto nesse nicho do underground.

Foto: Michael Braun

Ne Obliviscaris e Todtgelichter são as primeiras bandas que surgem quando se começa a ler sobre Omega Infinity, sendo que o mesmo é encabeçado por Xenoyr, um dos vocalistas do grupo australiano Ne Obliviscaris, e Tentakel P , mentor do projecto de post-metal alemão que pode ser considerado como uma banda de culto nesse nicho do underground. Duas bandas que se distinguem uma da outra quase como o dia da noite, e que diferem tanto ou ainda mais de Omega Infinity.

«É precisamente esse o objectivo», respondeu-nos a banda, explicando que este projecto nasceu da necessidade de Tentakel e Xen expressarem ideias musicais demasiado extremas para poderem ser incluídas nas bandas principais da dupla, tendo em conta que a composição nas mesmas está dependente de mais indivíduos, cada um com a sua personalidade e visão do projecto. «Escrever temas tem sempre bastante fricção e compromisso – o que não é necessariamente mau, já que tanto Ne Obliviscaris como Todtgelichter são, de certa forma, complexos e exigentes demais para que apenas uma pessoa colabore com ideias. Com Omega Infinity apenas queríamos um canal directo e agressivo da nossa escuridão interior. Não queremos pensar em estruturas complexas de temas ou em como podemos acomodar todos os diversos gostos musicais numa única amálgama.»

Com os Todtgelichter congelados desde 2017 devido a «motivos pessoais e profissionais que fizeram com que fosse muito difícil continuar como uma banda que ensaiasse activamente», Tentakel descobriu que conseguia trabalhar muito mais rápido sem ter que pedir a opinião dos outros, desejando explorar ideias muito diferentes das que seriam permitidas em Todtgelichter.

«Cada tema serve de imagem sonora do mesmo corpo celeste que a nomeia.»

Omega Infinity

Já do outro lado do mundo, Xenoyr encontrava-se numa situação semelhante. «Queria fazer algo mais simple, mais negro e abrasivo. Não foi muito antes de sucedeer o último concerto de Todtgelichter que falámos sobre fazer algo diferente.» E foi aí que Tentakel enviou os dois primeiros temas a Xenoyr, perguntando-lhe se queria juntar-se. Com esta vontade em distanciarem-se dos seus projectos principais para explorar uma escuridão mais profunda nasceu Omega Infinity.

Mas para uma banda cuja temática é o cosmos, ter um álbum debutante que aborda o nosso Sistema Solar parece um quanto redutor. No entanto, a banda explica-nos que a situação é bem diferente: «O conceito de Omega Infinity já foi definido para vários lançamentos futuros. Começamos no princípio, no nosso Sistema Solar, com algo que as pessoas já conhecem antes de começarmos a explorar o Vazio. Cada tema serve de imagem sonora do mesmo corpo celeste que a nomeia, com diferentes predisposições e abordagens para criar um fluxo consistente durante todo o álbum.»

Sendo por enquanto um projecto exclusivamente de estúdio, Omega Infinity não faz intenções de começar a realizar espectáculos ao vivo para já. Não só por causa da distância geográfica entre os seus dois membros, nem por causa do cenário actual de pandemia global que vivemos, mas porque os interesses da banda estão muito mais centrados no estúdio: «Preferimos focar-nos em trazer mais do Vazio ao mundo, criar mais música». A banda assegura: «Não têm de se preocupar com a possibilidade de não existirem lançamentos futuros. O conceito do Vazio será expandido e explorado para além do Tempo e Espaço do nosso Sistema Solar.» É uma questão de aguardarmos para ouvir que novidades a dupla nos promete trazer, qual cientista num laboratório da NASA a aguardar pela próxima comunicação de alguma sonda enviada para as profundezas do Espaço.

“Solar Spectre” é o título do primeiro álbum de Omega Infinity e foi lançado a 27 de Março de 2020 pela Season Of Mist.

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