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O que aprendemos com o vídeo “É o Corona”

“É o Corona”, o vídeo que reúne 38 músicos da cena metal nacional e que foi noticiado na imprensa generalista portuguesa (e não só!), levou-nos a tirar duas conclusões.

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“É o Corona”, o vídeo que reúne 38 músicos da cena metal nacional e que foi noticiado na imprensa generalista portuguesa (e não só!), levou-me a tirar duas conclusões. A primeira é que somos mais do que isto. Não me interpretem mal – adoro o facto de ter a SIC Notícias ou publicações como o Público, Expresso, Sábado e Correio da Manhã a noticiar ou comentar algo saído do underground português que não seja um assassinato ou uma peça sobre vandalismo, mas dá que pensar quando uma cover dos The Knack é o suficiente para conseguir o tempo de antena que cada um dos músicos presentes neste vídeo, da autoria da Caminhos Metálicos, não consegue quando se trata de promover o seu trabalho individual. Aborrece-me ver um vocalista tão completo como é Artur Almeida obter uma espécie de reconhecimento anónimo com esta produção e não conseguir o mesmo pelas duas décadas ao serviço dos Attick Demons, e o mesmo pode dizer-se de outras bandas icónicas como os Ramp, Ibéria, Tarantula, Sacred Sin, Heavenwood ou Web, que embora recebam ocasionalmente alguma atenção por parte dos media nacionais, está longe de ser aquilo que na verdade merecem.

Claro que não é todos os dias que temos uma banda como os Moonspell a levar a sua música a 50 cidades europeias em apenas 53 dias, um feito para a cultura portuguesa que foi devidamente assinalado, por exemplo, com uma reportagem na SIC Notícias. Contudo, pergunto-me se a cena metal não teria mais força e representação em Portugal se estivéssemos a partilhar as conquistas das nossas bandas. Caso tenha passado ao lado dos “grandes” da comunicação, nomes como Besta, Sinistro ou Gaerea, os últimos dois assinados pela francesa Season of Mist, têm tours combinadas na Europa, América do Sul e Ásia. O grindcore dos Holocausto Canibal é também uma aposta frequente na Europa, Brasil e até nos Estados Unidos, assim como o brutal death metal dos Analepsy que os conduziu até ao Japão. Quanto aos Serrabulho e ao seu grind festivo que tem viciado a Europa, todos sabemos o porquê de não lhes ser dado qualquer tipo de atenção nos principais meios de comunicação: têm muito cocó! Nas letras e no merch! Fosse Portugal um país que valorizasse todo o espectro da sua cultura, e talvez o reconhecimento e o apreço que daí advém gerasse a oportunidade de quebrar cada vez mais barreiras.

A segunda conclusão é esta: são 38 músicos que compõem a cena underground e que contribuem para o seu crescimento. Vejo o Augusto Peixoto (Host, Head:Stoned, Cycles) e percebo que sem as suas contribuições musicais para o metal nacional, provavelmente não estaria hoje à frente da Metal Hammer em Portugal, pois foi um dos músicos que me motivou a escrever e a criar publicações. Deslizo os olhos pela lista de nomes que participaram neste vídeo e apercebo-me que já conversei ou, pelo menos, publiquei algo sobre todos eles, e posso garantir-vos que é um sentimento avassalador. Tomamos as bandas e os músicos da nossa cena por garantidos mas é em alturas como esta que percebemos realmente todo o seu valor. Deixam de existir grandes ou pequenos e cada criação musical tem como propósito entreter-nos e escrever aquele que será um dos capítulos mais importantes da nossa música. Ainda que sozinhos todos estes músicos enfrentem diversos obstáculos, provaram que unidos chegam onde quiserem. Que esta lição nunca seja esquecida. O nosso muito obrigado!

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