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Nightwish “Human. :||: Nature.”

Ainda que se tenha de aceitar que os Nightwish quiseram experimentar novas sensações, abrandando o seu lado metal para algo menos explosivo, mais sensorial e íntimo, muitos fãs deverão sentir falta de petardos como “Wishmaster”, “Dark Chest Of Wonders” ou mesmo “Shudder Before The Beautiful”.

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 10.04.2020
Género: symphonic metal
Nota: 3.5/5

Ainda que se tenha de aceitar que os Nightwish quiseram experimentar novas sensações, abrandando o seu lado metal para algo menos explosivo, mais sensorial e íntimo, muitos fãs deverão sentir falta de petardos como “Wishmaster”, “Dark Chest Of Wonders” ou mesmo “Shudder Before The Beautiful”.

A usufruírem de sucesso a uma escala mundial, com milhões de discos vendidos e arenas apinhadas, os Nightwish têm em “Human. :||: Nature.” o seu novo empreendimento discográfico, o nono numa carreira iniciada em 1996.

Sem ser um álbum conceptual, humanidade, natureza, tecnologia e arte são a temática recorrente ao longo de cerca de 80 minutos recheados de um metal sinfónico à Nightwish que parece, por momentos, ter perdido o ímpeto – mas já lá vamos.

“Music” inaugura a viagem com um tacto sonoro a querer fazer jus ao título do álbum através de arranjos musicais que nos remetem à descoberta de uma densa floresta tropical ou, numa outra perspectiva, à descoberta de um oásis verde e fértil no meio do deserto. “Noise” é a música típica de Nightwish e deverá funcionar sem problemas ao vivo devido ao seu poder energético, elevatório e orelhudo – uma bomba para abrir concertos.

Em “Shoemaker” somos seduzidos por um glorioso coro cinematográfico que encerra lindamente uma faixa com o habitual peso sinfónico dos finlandeses e em “Harvest”, uma espécie de balada que passa de semi-acústico para rock folclórico, ouvimos pela primeira vez a voz do flautista de serviço Troy Donockley numa música que muito se inspira em Genesis por altura de “Selling England by the Pound”. Já em “How’s The Heart” voltamos a um ambiente folk num registo mais leve, quase como se estivéssemos a ouvir Blackmore’s Night.

Com “Tribal”, um dos temas mais curtos com pouco menos de quatro minutos, os Nightwish confundem-nos e ficamos sem perceber se estamos num harém norte-africano ou num assombroso teatro à Fantasma da Ópera – uma mixórdia que não faz muito sentido num alinhamento que até estava a desenvolver-se a bom ritmo.

“Endlessness” é a última faixa da primeira parte deste disco e faz-nos chegar a voz do baixista Marko Hietala de uma forma menos usual do que aquela que nos tem habituado ao surgir mais suave e slow-tempo, diferenciando-se assim da sua característica detonação vocal ouvida em temas antigos como “Wish I Had An Angel”.

Por fim, as últimas oito faixas são, na realidade, uma suíte musical intitulada “All The Works Of Nature Which Adorn The World”. Se os fãs estavam à espera de uma conclusão bombástica construída por magníficas composições symphonic metal com início, meio e fim para se contar uma história, então esqueçam desde já essa previsão e desejo. A última meia hora deste “Human. :||: Nature.” é um exercício clássico interpretado pela The London Session Orchestra, em que se pretende oferecer uma experiência cinemática para mostrar, via música, o poder fascinante da natureza, como se estivéssemos a ver um documentário narrado por Sir David Attenborough, havendo ainda espaço para reminiscências de bandas-sonoras de filmes assinados por Darren Aronofsky na realização e Clint Mansell na composição musical.

Ainda que se tenha de aceitar que os Nightwish quiseram experimentar novas sensações, abrandando o seu lado metal para algo menos explosivo, mais sensorial e íntimo, muitos fãs deverão sentir falta de petardos como “Wishmaster”, “Dark Chest Of Wonders” ou mesmo “Shudder Before The Beautiful”. É impossível classificar “Human. :||: Nature.” como um álbum medíocre, até porque Floor Jansen continua a mostrar por que razão é uma das melhores vozes femininas do mundo e Tuomas Holopainen continua a ser um mestre dos teclados e dos arranjos orquestrais, mas poderá, contudo, estar uns furos abaixo do que seria expectável em Nightwish neste ano de 2020. Se fores alguém que segue a banda cegamente, nada do que aqui foi escrito fará sentido; se também tu queres abrandar, então este álbum poderá ser perfeito; se queres os Nightwish retumbantes e, a tempos, imperiais, então vais ter de esperar pelos próximos discos.

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