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Necrobutcher: «Eu saí de Mayhem? Nunca saí de Mayhem, c*ralho.»

Necrobutcher sobre Dead e Euronymous, a morte que sempre o acompanhou e a família.

«Cresci num bairro duro onde carradas de pessoas morreram – drogas, acidentes de carro, suicídios.»

Nos Mayhem desde a fundação em 1984, Jørn “Necrobutcher” Stubberud, ao contrário de outros do seus pares, não precisa de corpse-paint para ser considerado uma das caras mais conhecidas e um dos nomes mais relevantes do black metal. Tendo a banda lançado o EP “Atavistic Black Disorder / Kommando” em Julho de 2021, que contém músicas originais e versões de grupos punk que influenciaram os noruegueses, a Metal Hammer [#353] chegou à fala com o baixista, que aproveitou a oportunidade para sublinhar que nunca abandonou Mayhem durante a primeira metade dos 1990s.

«As pessoas dizem que deixei Mayhem. Está errado. Comecei a banda, desenhei o logo e trouxe o Øystein [Euronymous, guitarrista]. Ele era um idiota do c*ralho, tirou fotografias ao cadáver de um amigo [o vocalista Dead, que se suicidou em 1991]. Eu disse: ‘Queima a merda dessas fotos antes de me ligares.’ Não queimou. E depois? Virou tudo do avesso e chamou aquele assassino [Varg Vikernes, de Burzum] para me substituir. Toda a gente sabe essa história. Eu saí de Mayhem? Nunca saí de Mayhem, c*ralho. Estou cansado deste equívoco.»

Personagem de uma história real em que os capítulos andam de mão dada com sucesso e tragédia, Necrobutcher não esquece quem partiu. «Penso muito no Dead e no Euronymous, porque todos os dias sou relembrado disso quando me fazem perguntas sobre eles. Gosto que as pessoas continuem a falar destes gajos que só chegaram aos 22 e 25 anos. Mas eles foram só duas pessoas que conhecia que morreram. Cresci num bairro duro onde carradas de pessoas morreram – drogas, acidentes de carro, suicídios. Lembro-me bem desses gajos todos, mas mais ninguém, para além das suas famílias, sabe quem foram. Também eram meus amigos.»

«Gosto de ser pai. Gosto ainda mais de ser avô.»

Imponente em palco e sem papas na língua quando fala à imprensa, não podemos esquecer que Necrobutcher chama-se realmente Jørn, e essa pessoa fora do palco é um homem de família. «Gosto de ser pai. Gosto ainda mais de ser avô. Tive uma filha aos 23 anos. Isso muda-te. Tive de pegar em mim e pensar: ‘Tenho de a sustentar, tenho de ter uma casa e um carro melhor para poder ir buscá-la ao infantário sem que chamem a protecção de menores.’ Agora tenho um neto – chama-se Jørn como eu, portanto devo ter feito algo certo. Chamamos-lhe Junior. É como ter um filho, mas com menos responsabilidade e mais diversão. Não é fã de Mayhem. Ainda.»

«Várias pessoas comparam-me ao Lars Ulrich [Metallica]. Isso é porque sou um gajo pequeno e sou balístico a toda a hora», diz o norueguês em relação à sua presença destemida na imprensa. «Porquê? Porque alguém tem de ser balístico, mas apenas quando as coisas correm mal – como quando nos asseguram que é suposto o backline estar na sala de concertos mas não está. Não sou o gajo que fica balístico porque pediu um monte de M&Ms e os azuis ainda lá estão.»

Pioneiros do black metal, tanto sónica como esteticamente, a parafernália obscura, sinistra e medonha em palco foi sinónimo de Mayhem durante vários anos. Continuam a apresentar a visão que têm de si mesmos e do género, mas agora mais sóbrios e maduros. Necrobutcher recorda, por fim, como tudo começou: «Tínhamos um concerto em 1985 e encomendámos quatro cabeças de porco. Mas o concerto foi cancelado e tínhamos aquelas cabeças de porco. Pu-las no congelador da minha avó e ficaram lá durante um ano. Tirámo-las para uma sessão de fotos. Uma das fotos acabou num single chamado “Ancient Skin” [1997]. Sempre usámos cabeças de porco para o efeito de choque. Isso não tinha nada a ver com crueldade animal – aqueles porcos já estavam mortos. Já não encomendamos cabeças de porco. Por vezes, os promotores arranjam-nos cabeças de porco quando nem sequer as pedimos. Eles vêem o rider e dizem: ‘Onde estão as cabeças de porco?’»

Lê também a entrevista “Mayhem: punk na veia” aqui.
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