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Naglfar “Cerecloth”

A novidade dos suecos oscila entre o frenesim da velocidade e o peso de alguma lentidão.

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 08.05.2020
Género: black metal
Nota: 3/5

A novidade dos suecos oscila entre o frenesim da velocidade e o peso de alguma lentidão.

Prolíficos criadores de black metal, com álbuns a serem lançados em curtos intervalos de tempos, os fãs de Naglfar tiveram de esperar cerca de oito anos pelo sétimo “Cerecloth” que, segundo o guitarrista Andreas Nilsson, trata da «habitual morte e destruição» adjacente ao género e à banda.

Na sua generalidade, a novidade dos suecos oscila entre o frenesim da velocidade e o peso de alguma lentidão, algo que se evidencia se pusermos lado a lado temas como “Vortex of Negativity” e “Like Poison for the Soul”. Mais detalhadamente, o tema-título, que inaugura esta proposta, exibe um riff afiado e memorável que dá o mote para o resto do álbum, mas depois de todo um black metal que, digamos, não oferece nada de excitante (apesar de bem executado), só à sexta “The Dagger in Creation” voltamos a sentir aquele ímpeto inicial através de guitarras implacáveis e incessantes, oferecendo-nos um bom momento de black metal melódico e rápido em doses generosas. A seguinte “A Sanguine Tide Unleashed” segue um rumo idêntico da predecessora, mas ainda com mais violência e malevolência, reduzindo-se a melodia mas aumentando-se a intensidade e a meticulosidade. Um apontamento ainda para a penúltima “Necronaut”, uma faixa curta que surpreende pela sua passada slow/mid-tempo, desenvolvendo-se depois numa incursão épica e melancólica que parecia não entrar nestas contas mas que se alinha bem aqui.

O trabalho das guitarras é maioritariamente exímio e são capazes de construir uma certa elegância negra que se traduz em leads melodiosos, mas no cômputo geral ficamos sem perceber ao certo se “Cerecloth” é carne ou peixe. O lado mais negativo tem a ver com a falta de diversidade vinda do vocalista Kristoffer W. Olivius, que devia acompanhar o exemplo de impetuosidade das guitarras mas fica-se pelo berro sempre igual do princípio ao fim. Já a bateria de Efraim Juntunen, que é um mero hired-gun neste disco, existe demais – sim, estamos perante uma percussão certinha e trabalhadora, mas elementos como os címbalos são tão utilizados e estão com um nível de volume tão alto que roubam o spotlight de outros componentes muito mais interessantes.

“Cerecloth” tem, enfim, a particularidade de despertar dois resultados em quem se atravessar à sua frente: ou se fica desiludido à primeira audição e arruma-se para o lado ou dá-se uma segunda hipótese para que se tente encontrar algo que ficou perdido à primeira. É pena, mas “Cerecloth” não soa assim tão estimulante e revigorante como se poderia desejar.

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