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Myrkur “Folkesange”

“Folkesange” oferece-nos uma Myrkur que, apesar de já ter provado o seu talento vocal, se eleva a si própria e a quem a ouve, tamanha é a afinação e a emoção, mostrando aqui ser uma das melhores.

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Editora: Relapse Records
Data de lançamento: 20.03.2020
Género: folk
Nota: 3.5/5

“Folkesange” oferece-nos uma Myrkur que, apesar de já ter provado o seu talento vocal, se eleva a si própria e a quem a ouve, tamanha é a afinação e a emoção, mostrando aqui ser uma das melhores.

Depois do primeiro embate com os mais acérrimos adeptos de black metal aquando do lançamento do EP (2014) e do primeiro LP (2015), Myrkur reinventou-se quando surgiu com a segunda proposta, “Mareridt”, em 2017, acabando por ser amplamente aplaudida pela forma como aliou black metal e folclore de forma mais própria e com menos influências/orientações criativas vindas do seu exterior.

Três anos volvidos, a dinamarquesa deixa de parte a distorção das guitarras e os berros para abraçar apenas a ala folclórica, algo que é cada vez mais normal neste tipo de projectos, como já aconteceu recentemente com Winterfylleth ao lançarem o acústico “The Hallowing of Heirdom” (2018).

Com a inclusão de instrumentos já habituais, como nyckelharpa, e com a continuação do uso de kulning (método vocal para chamar rebanhos), o conceito deste “Folkesange” possui uma narrativa que se debruça em rituais de passagem e em tradições escandinavas, oferecendo-nos uma Myrkur que, apesar de já ter provado o seu talento vocal, se eleva a si própria e, consequentemente, a quem a ouve, tamanha é a afinação e, acima de tudo, a emoção – mostra aqui ser, sem dúvida, uma das melhores.

Imersivo a toda a largura, o álbum acaba por conter várias facetas. Enquanto “Fager som en Ros” é dançante, “Leaves of Yggdrasil” e “Tor i Helheim” são introspectivas e ternas, algo que, à semelhança da imersão, também ocorre praticamente em todo o disco. E quando não há uma abordagem instrospectiva, há sempre o lado ternurento que fica, como em “Reiar”. A melancolia também não é esquecida – nem no álbum, nem nesta análise –, tendo a sua aparição em “Gudernes Vilje”, e para cantar e ouvir ao crepúsculo já com a fogueira ateada temos “Harpens Kraft”. Por fim, apesar de haver um registo geral escandinavo, “House Carpenter” apresenta um certo teor folk norte-americano.

Para quem queria descobrir o que Myrkur ia fazer no campo do folk/black metal após “Mareridt”, vai ter de esperar e deixar-se envolver nesta renascença da música folclórica, nesta descoberta de heranças culturais que a dinamarquesa achou por bem partilhar através de uma simplicidade melódica e atmosférica que nos prende automaticamente à Natureza e aos seus mitos.

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