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Mushroomhead “A Wonderful Life”

Setenta minutos que teimam em soar ao mesmo, como se desligássemos o nosso aparelho auditivo e continuasse a tocar algo à nossa volta pelo qual já perdemos a atenção.

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Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 19.06.2020
Género: alternative/industrial metal
Nota: 3/5

Setenta minutos que teimam em soar ao mesmo, como se desligássemos o nosso aparelho auditivo e continuasse a tocar algo à nossa volta pelo qual já perdemos a atenção.

Seis anos depois do último álbum, os norte-americanos pioneiros do metal industrial e alternativo no seu país natal estão de volta aos discos com “A Wonderful Life”, um título que respira ironia, não só pelos tempos que vivemos como também pelo conteúdo musical agressivo e enegrecido que protagonizam desde a primeira metade dos anos 1990.

Com uma imagética vestida de máscaras mesmo antes de Slipknot serem conhecidos, os Mushroomead acabaram por ficar na sombra, mas nunca desistiram, nem deixaram de ser considerados uma peça fundamental do metal alternativo.

Ao oitavo álbum, o octeto, que inclui oficialmente Ms. Jackie como vocalista integral da banda compondo assim um trio vocal (duas vozes masculinas, uma feminina), lança um álbum demasiado comprido, com 13 faixas + 4 bónus que se desenrolam ao longo de cerca de 70 minutos. É verdade que a arte não se deve medir assim, mas, tendo-se em conta os padrões de hoje e a pouca diversidade do álbum (já lá vamos), este é um ponto que tem de se firmar nesta análise.

Depois das quatro primeiras faixas algo insossas que enveredam pelo rock/metal alternativo de mais fácil absorção, ainda que se encontrem alguns momentos de groove intenso e a implementação de teclados/arranjos, é na quarta “The Heresy”, com letras anti-guerra, que surge a voz de Ms. Jackie num tema que se assemelha muito a Lacuna Coil.

“What A Shame” apresenta-se com um sabor a terror clássico e gótico numa mistura entre industrial e valsa, e “Pulse” inclui coros apocalípticos. Por outro lado, se o nu-metal é um espectro que vai pairando sempre ao redor da banda, então “Carry On” representa uma das maiores evidências quanto a isso, com estrofes quase em modo rap e refrãos radio-friendly.

Mais à frente, “The Flood” funciona quase como balada em que reinam arranjos espaciais e refrãos épicos dentro do que é o rock/metal alternativo norte-americano. A seguinte “Where The End Begins” mete-se por um caminho idêntico, mas de forma mais lenta, mais introspectiva e com teclados a soar a cravo que voltam a empregar um pouco das tonalidades de terror.

Mesmo havendo um conjunto de camadas que se sobrepõem sem se atropelarem (de guitarras a bateria, passando pelo trio vocal e pelos imensos arranjos atmosféricos/electrónicos que dão uma certa cor ao disco), a produção, que é muito profissional, soa demasiado plástica, parecendo assim que falta um toque humano e analógico – são escolhas que se sentem imediatamente e que tanto podem ser aplaudidas como criticadas negativamente, indo do gosto auditivo de cada um.

As faixas atrás referidas podem até nem ser vistas como as melhores por quem deitar uma ouvidela ao álbum, mas são, apesar de tudo, aquelas que sobressaem mais ao longo de uns 70 minutos que teimam, ao fim de um bocado, em soar ao mesmo, como se desligássemos o nosso aparelho auditivo e continuasse a tocar algo à nossa volta pelo qual já perdemos a atenção. Tal desfecho é a morte de qualquer artista. “A Wonderful Life” podia muito bem ser cortado quase a meio, mas talvez a crítica final não fosse muito diferente: se não tivéssemos que apontar o seu comprimento, iríamos apontar a sua plasticidade.

Para fãs de Korn, Lacuna Coil e Within Temptation.

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