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Mortis Mutilati “The Fate of Flight 800”

Um oneroso black metal que se quer triste e agoniante, para se carregar aos ombros até as forças desaparecerem e, de voyeurs como Macrabre, passarmos a ser observados – ou pelo menos as nossas lápides.

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Editora: independente
Data de lançamento: 11.09.2020
Género: black metal
Nota: 3.5/5

Um oneroso black metal que se quer triste e agoniante, para se carregar aos ombros até as forças desaparecerem e, de voyeurs como Macrabre, passarmos a ser observados – ou pelo menos as nossas lápides.

Banda que começou a obter algum estatuto de culto na cena depressiva em território francês, os Mortis Mutilati chegam ao quinto álbum, intitulado “The Fate of Flight 800”, carregando uma discografia sólida com títulos como “Mélopée Funèbre” de 2015.

Obcecado pela morte, especialmente na vontade de deambular por cemitérios para imaginar como terá sido a vida de quem ali descansa, com este disco, o mentor Macabre elabora algumas novas abordagens em relação à sua sonoridade depressiva e obscura.

Apesar de continuar a inserir-se no depressive suicidal black metal, que poderá agradar a fãs de Nocturnal Depression, a banda francesa transformou-se em algo mais pesado, mais perturbador e, quiçá, um pouco mais enlouquecido. As guitarras acústicas e os riffs arrastados, muitas vezes desprovidos daquela melodia enternecedora, são parte essencial deste álbum, assim como a voz aflitiva, mas devemos fazer alguns apontamentos sobre os destaques.

Enquanto na terceira “Deathcrown” somos hipnotizados pela voz feminina de Asphodel, que dá ao tema um ambiente fantasmagórico, mesmo de cemitério, à medida que se cruza com versos líricos e riffs melancólicos, a seguinte faixa-título interliga black e doom metal mas também um pouco de experimentalismo semi-acústico com uma pitada de jazz. E não estranhemos se encontrarmos um cheirinho de post-rock na feroz “The Smoke of Your Corpse” através de leads atmosféricos, porque, de facto, uma das ordens neste álbum é precisamente desenvolver ideias outrora escondidas.

Porém, o black metal continua a ser a pedra angular de Mortis Mutilati, disso não há dúvida, e a faceta mais desoladora e depressiva pode ser descoberta na fase final do disco com “Vultures of Steel” e a muito pesarosa “Ashes” que, ao longo dos seus mais de nove minutos, oferece tudo aquilo que a banda andou a mostrar até hoje: um oneroso black metal que se quer triste e agoniante, para se carregar aos ombros até as forças desaparecerem e, de voyeurs como Macrabre, passarmos a ser observados – ou pelo menos as nossas lápides.

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