Fernando Ribeiro, dos Moonspell, sobre a génese, os processos e o conceito de "Hermitage". Moonspell: «Cada um de nós tem o seu próprio eremitério»
Foto: Rui Vasco

Com data de lançamento a 26 de Fevereiro de 2021, “Hermitage” é o novo álbum dos Moonspell. A Metal Hammer Portugal chegou à fala com o vocalista Fernando Ribeiro, que nos conta sobre a génese, os processos e o conceito do tão aguardado novo trabalho.

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Para dar início à conversa, recordámos que, quando nos concedeu uma entrevista sobre “1755”, disse que, depois desse álbum, haviam de retomar o percurso iniciado em “Extinct”, por ser um disco com sabor a novo começo e por ter uma vida própria. Agora, em 2021 e com “Hermitage”, Fernando Ribeiro fala sobre o caminho feito até aqui.

Ao longo de uma carreira que está prestes a celebrar três décadas, é por demais evidente que os Moonspell nunca se repetem e cada álbum tem uma abordagem muito própria e muito específica, do black metal ao dark e gothic metal, passando até pela electrónica, temos de tudo numa já longa discografia. “Hermitage”, com as suas atmosferas space-rock e prog, não destoa desta observação.

Como sempre com qualquer novidade, os primeiros dois singles, “The Greater Good” e “Common Prayers”, geraram discussão nas redes sociais – enquanto alguns fãs teceram elogios, outros pareceram perder a esperança, talvez muito à custa do portento que foi “1755”. Há quem queira um novo “Wolfheart” ou o seguimento de “1755”, há quem queira a revolução que foi “Irreligious”. É assim e sempre será. Mas os Moonspell nunca ficam quietos no mesmo lugar. Perguntámos: será que “Hermitage” vai chocar muita gente?

Para além das ambiências space e prog de Pedro Paixão, “Hermitage” apresenta também noções blues nas guitarras de Ricardo Amorim e harmonias vocais entre Fernando Ribeiro e o guitarrista, algo que nunca ouvimos com tanta preponderância em músicas de Moonspell como agora. Sabendo que Paixão e Amorim são os dois principais compositores da banda e que trabalham como abelhinhas atarefadas e dedicadas, Ribeiro explica o processo que os fez chegar ao resultado final que é “Hermitage”.

Com a pandemia, começámos a ver, ou a querer ver forçosamente, músicas e álbuns relacionados ao acontecimento, mas que nem sempre o são e, muitas vezes, quando o são é por pura coincidência. A partir do início de 2020 tornámo-nos todas e todos uma espécie de eremitas à custa do distanciamento social, mas uns eremitas estranhos porque, apesar de tudo, ainda temos as redes sociais que nos mantêm em contacto. Sabendo que “Hermitage” toca em assuntos contemporâneos, e não só, e lembrando que algo semelhante foi levado a cabo em “Sin/Pecado”, a perspectiva é agora mais vasta, mais extra-Europa, do que esse álbum de 1998. Fernando Ribeiro fala sobre o eremitério retratado em “Hermitage”.

“Hermitage”, com data de lançamento a 26 de Fevereiro de 2021 pela Napalm Records (mundo) e Alma Mater Records (Portugal), pode ser adquirido aqui.