Nono álbum de Megadeth, “The World Needs a Hero”, lançado em Maio de 2001, deixava para trás o falhanço que fora... Megadeth “The World Needs a Hero”: tentar desfazer o desfeito

«Estávamos a tentar corrigir o percurso dos Megadeth.»

Dave Ellfeson

Nono álbum de Megadeth, “The World Needs a Hero”, lançado em Maio de 2001, deixava para trás o falhanço que fora “Risk” (1999), mas também glórias como “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986) e “Rust in Peace” (1990).

Com este disco de 2001, os Megadeth, formados por Dave Mustaine (voz, guitarra), David Ellefson (baixo), Al Pitrelli (guitarra) e Jimmy DeGrasso (bateria), tentavam recuperar as suas raízes mais thrashy e mais pesadas.

Apesar da banda ainda estar à procura da melhor forma – para além do fiasco em 1999, tinham perdido o guitarrista Marty Friedman e o baterista Nick Menza –, Ellefson recorda num artigo da Consequence of Sound que o trabalho em “The World Needs a Hero” «foi realmente um tempo divertido». «O Al Pitrelli tinha entrado no grupo, por isso era uma espécie de renascimento com uma nova formação. O Jimmy DeGrasso [ainda] lá estava, mas o Marty já tinha ido embora. O Al entrou, e nós a modos que tínhamos aquele novo som, juntos como banda. Eu gosto das músicas. Eram pesadas. Tinham um ritmo um pouco mais lento. Não era realmente um álbum de thrash, mas certamente tinha muita influência de Diamond Head. Portanto, foi uma espécie de transição para nós.» E acrescenta: «Estávamos a sair daquela era em que estávamos presos àquela mentalidade de rock para a rádio. E estávamos a tentar corrigir o percurso dos Megadeth e voltarmos a ser uma grande banda de metal sem ter que se prestar tanta atenção aos sucessos de rádio. Lembro-me que demorei apenas alguns dias para tocar o baixo.»

Na mesma publicação, Dave Mustaine diz que Marty Friedman tinha acabado de abandonar a banda. «O seu corpo estava lá, mas a sua alma foi-se muito antes de realmente partir. Ele queria tocar uma música diferente. Fomos ao Japão e ele ficou muito encantado com as bandas japonesas de j-pop. Porreiro, é a cena do Marty. Ele tem um talento incrível, e se quer ouvir disco [N.d.R.: género musical], é a cena dele. Mas era difícil fazer o Marty feliz e eu ficar feliz.»

«Também estávamos a ter problemas incríveis com [o falecido baterista] Nick Menza, por causa de coisas que estavam a acontecer entre nós», continua Mustaine. «Por respeito ao Nick, não vou dizer nada de mal sobre ele, mas estávamos em fragmentação.»

Último álbum para Jimmy DeGrasso e Dave Ellefson (que só regressaria em 2010), “The World Needs a Hero” foi o único contributo de Al Pitrelli em Megadeth. O disco estreou em nº 16 na US Billboard 200, mas caiu para a posição 59 na semana seguinte, com críticos, nomeadamente Steve Huey da AllMusic, a escreverem que Mustaine estava apenas «a tentar conjurar memórias».

Em Abril de 2002, Dave Mustaine anunciava a separação dos Megadeth devido a uma lesão num braço. Nos meses seguintes, o líder da banda submeteu-se a terapia e, lentamente, começou a tocar novamente. Em 2004, Mustaine reactivou os Megadeth unilateralmente e lançou “The System Has Failed” com auxílio de músicos de sessão, como o antigo colega Chris Poland.