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Mayhem: «Black metal era muito restritivo no início, mas expandiu-se»

Necobutcher sobre punk, black metal e Ghostemane.

Foto: Ester Segarra

Monumento vivo da música mais negra à face da Terra, os Mayhem, enquanto estudantes subversivos do underground durante os 1980s, tornaram-se pioneiros do black metal numa segunda vaga do género na década de 1990, deixando um legado imaculado, entre suicídios e homicídios, que ainda se exalta na sua plenitude.

Após o lançamento do último LP “Daemon” (2019), a banda estava a desfrutar do ímpeto que tinha obtido, não só pelo disco mas também pelos inúmeros concertos por todo o mundo em celebração de “De Mysteriis Dom Sathanas”. A pandemia rebentou e, no processo, tiveram de abrandar abruptamente. Durante este período de incerteza e estagnação global, os Mayhem não baixaram os braços e ressurgiram com o EP “Atavistic Black Disorder / Kommando”, composto por três faixas inéditas oriundas das sessões de “Daemon” e quatro covers de ícones do punk reverenciados por esta banda de black metal.

Questionado pela Metal Hammer se o punk foi uma influência, o baixista Necrobutcher responde: «Fomos inspirados por isso, mas não musicalmente. Era mais a expressão da música e como era apresentada. Black metal não era ‘aprovado’ naquela altura – não havia mercado, não havia editoras, não havia promotores. Estas bandas vinham do Reino Unido ou do Canadá e tocavam em casas ocupadas. Faziam longas digressões, completamente underground. E nós também éramos underground – procurávamos maneiras de pôr a música cá fora. É por isso que criámos a nossa própria editora, a Posercorpse Records.»

Apesar de toda a turbulência por demais conhecida durante os 1990s, Necrobutcher tem saudades dos primeiros tempos da banda. «Quando és novo, tudo é excitante. Exploras – revistas do underground, troca de cassetes. Fomos à [famosa loja de discos] Shades em Londres nos 1980s. Andávamos por lá, a ver aquelas edições limitadas de Venom, e gritávamos como se tivéssemos encontrado o c*ralho de um diamante. Acho que isso ainda está nas pessoas. As pessoas continuam à procura da nova cena ou de aristas novos e malucos. É como esta cena a que chamam trap. É uma cena hip hop, mas alguns são inspirados por black metal, como este gajo que se chama Ghostemane…»

Sabendo que Ghostemane é fã de Mayhem, Necrobutcher remata: «Achei que é excelente que esta música ainda esteja a evoluir e que inspire pessoas doutros tipos de música. Significa que está vivo. Black metal era muito restritivo no início, mas depois expandiu-se – tornou-se sinfónico com Dimmu Borgir, tornou-se viking com Enslaved, tornou-se aquela coisa gritante com Sólstafir… Apenas evoluiu. E ainda está a evoluir com pessoas como Ghostemane.»

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