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Marilyn Manson: a aparição do anticristo mecânico

Em 1996, quando o guitarrista Zim Zum integra a formação de Marilyn Manson para substituir Daisy Berkowitz – Zim Zum seria o primeiro membro da banda cujo nome não respeitaria a receita que combinava o primeiro nome de uma sex symbol e o apelido de um serial killer -, a banda estava prestes a dar uma curva perigosa rumo ao caminho da mão esquerda com o temível “Antichrist Superstar”, e a assumir uma identidade satânica que deixaria para trás o choque e as experiências de “Portrait Of An American Family”, de 1994, e do EP “Smells Like Children”, editado no ano seguinte. Para que Zim Zum fizesse parte de um disco já gravado e pronto para possuir os adolescentes norte-americanos e do resto do mundo, decide-se incluir como tema de abertura uma versão ao vivo de “Irresponsible Hate Anthem”, que com a sua atmosfera tão pesada, agressiva e suja de pecado, deixaria os fãs com água na boca e a salivar por um registo ao vivo à altura do monstro que era Marilyn Manson na segunda metade da década de 1990.

Este desejo torna-se realidade em 1999, três anos depois de “Antichrist Superstar” e um após uma outra transformação musical e de imagem que surgiria na forma de “Mechanical Animals”. Com temas gravados durante as tours de promoção daquele que era o disco mais recente da banda, “The Last Tour On Earth” – agora sem Zim Zum e com John 5 a trazer todo um novo espectáculo no campo das guitarras – oferece-nos uma introdução para nos prepararmos para o que aí vem, seguindo-se com a explosão do refrão da esquizofrénica “The Reflecting God”, onde Manson grita “shoot, shoot, shoot motherfucker”, e continua o seu percurso num misto de destruição e conforto, levando-nos até êxitos como “Great Big White World”, “Get Your Gunn”, “Sweet Dreams” (aqui com um final repleto de fúria), “Rock Is Dead” ou “The Dope Show”. Antes da interpretação de “I Don’t Like The Drugs (But The Drugs Like Me)”, Marilyn Manson partilha com o público o sonho que teve na noite anterior, arrecadando assobios e aplausos a cada pausa de uma história passada num mundo feito de drogas, onde agentes da polícia existem para dar prazer sexual ao músico. “Foi tão lindo que o próprio Deus desceu à Terra”, conta. Seguem-se os temas mais mórbidos de “Antichrist Superstar”, com o tema-título, “The Beautiful People” e “Irresponsible Hate Anthem”, fechando em beleza e em acústico com “The Last Day On Earth”. Terminado o concerto, “The Last Tour On Earth” oferece uma versão de estúdio do single “Astonishing Panorama of the Endtimes”, presente na banda sonora da mítica série animada da MTV, “Celebrity Deathmatch”.

“The Last Tour On Earth” foi um bom exemplo de como se fazer um álbum ao vivo com tanta distorção e energia, em que um dos únicos apontamentos negativos prende-se pelo facto de nunca ter sido materializado no formato DVD, ainda que parte das imagens possam ser vistas no documentário “God Is in the T.V.”, lançado no mesmo ano. Nesta altura, Marilyn Manson gozava de um sucesso comercial que seria prolongado até ao ano 2000, com a edição de “Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death)” e “The Last Tour On Earth” continua a ser o testemunho vivo de um Homem que outrora foi um demónio.

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