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Lychgate “Also sprach Futura”

Os Lychgate oferecem mais um trabalho vigoroso e pleno de criatividade que foge da linha normal, mas sempre propositadamente complexo, estranho e, de forma elogiosa, desconfortável.

Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 13.03.2020
Género: avant-garde metal
Nota: 3.5/5

«Os Lychgate oferecem mais um trabalho vigoroso e pleno de criatividade que foge da linha normal, mas sempre propositadamente complexo, estranho e, de forma elogiosa, desconfortável.»

“Also sprach Futura”, que podemos ver como variante de “Also sprach Zarathustra”, de Nietzsche, não declara propriamente que deus está morto, nem tenta cultivar uma nova vaga filosófica, mas dirige-nos claramente para o fim dos tempos em quatro capítulos.

Nós explicamos.

“Incarnate” promove o nascimento de Futura como em “Metropolis” (1925), “Progeny of the Singularity” fala-nos de uma máquina superior aos homens que Stanisław Lem nomeou como “Golem XIV” (1981), “Simulacrum” aborda o mito de Pigmaleão que, segundo o poeta romano Ovídio, consistia em esculpir a mulher perfeita, e “Vanity Ablaze” é o culminar da jornada, a auto-destruição da Humanidade pela mão do homem ideal que quis evoluir através das máquinas.

Interessante, numa postura de premonição bastante particular ao misturar vários conceitos que se podem interligar, mas complexo. Complexa é também a música, algo que não será novidade para os conhecedores dos Lychgate, tornando-se, para quem não está familiarizado, ainda mais evidente se pusermos o termo avant-garde em cima da mesa.

Ao longo de 20 minutos dançamos ao sabor de composições ondulares que sobem e descem freneticamente, com os teclados a terem um forte papel nas noções de enjoo e desconcerto – como se tivéssemos a cair em queda livre no fosso espiral de “Vertigo” (Hitchcock, 1958). As guitarras e o baixo também não facilitam, havendo toda uma sensação de histerismo encapsulado que quer ser libertado, mas que anda ali às voltas, preso dentro de uma jaula – na verdade, não vamos mesmo a lado nenhum promissor, porque a estrada faz-se até à destruição total.

Em termos musicais mais objectivos e de maior facilidade de compreensão, “Progeny of the Singularity” orienta-se a um black metal sempre vanguardista, “Simulacrum” aborda um teor doom/death metal que tanto tem amplitude devido às vozes limpas e abertas no início como nos afunda e aperta com ritmos lentos, compassados e esmagadores, chegando mesmo a ser desconfortável se nos embrulharmos na guitarra lead estridente, e a última “Vanity Ablaze”, para quem teve a coragem de se deixar envolver por esta loucura, surpreende pelas palpáveis semelhanças a Opeth antigo.

Sempre dispostos a explorar uma série de conceitos fora do comum popular que não se encontram em filmes ou livros do mainstream, os Lychgate oferecem assim mais um trabalho vanguardista vigoroso, pleno de criatividade que foge da linha normal e sempre propositadamente complexo, estranho e, de forma elogiosa, desconfortável.

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