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Lacuna Coil “Black Anima”

“Black Anima” é um disco à Lacuna Coil dos dias de hoje – bem produzido, orelhudo, groovy, alternativo e a piscar o olho a quem não está inteiramente ligado ao universo metal.

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Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 11.10.2019
Género: rock / metal alternativo
Nota: 3.5/5

Foi a partir de “Comalies” (2002) que a crítica no geral deixou de ser amiga dos Lacuna Coil. No entanto, isso não impediu que a banda continuasse a crescer, a vender mais discos e a ter mais concertos lotados. A crítica é feroz e passou a ser concretamente com Lacuna Coil quando os italianos puseram praticamente de parte a veia gótica dos três primeiros discos, enveredando por caminhos mais ligados ao rock e metal alternativo. Música e concertos de plástico é o apontamento mais agressivos que podemos encontrar, tanto na imprensa como em conversas com pessoas que perderam afecto pela banda – todavia, mais uma vez, isso não travou a escalada dos Lacuna Coil até ao sucesso.

“Black Anima” vê os italianos a continuarem a percorrer trilhos já conhecidos em álbuns como o antecessor “Delirium” (2016), portanto nada de novo acontece aqui, mas também não podemos dizer que o grupo não se encontra com nova energia. De facto, “Black Anima” é um disco que cumpre e tem um ou outro apontamento interessante, mas não se crê que relance a banda, apenas a mantém onde já está.

“Reckless” e “Layers Of Time” (esta com grandes prestações de Ferro e Scabbia, duas vozes que continuam muito jovens) foram os dois primeiros singles revelados e são também os dois primeiros momentos altos do álbum, surgindo no alinhamento após “Anima Nera” e “Sword Of Anger”, sendo que nesta se faz notar um lead de guitarra cativante. Cedo sente-se também a abordagem djent/groove/nu-metal que os Lacuna Coil constroem através das guitarras gordas, densas, com uma distorção muito pesada e cheias de breaks, como podemos testemunhar na já mencionada “Layers Of Time”, em “Now Or Never” (com um refrão melódico e atmosférico) ou em “Under The Surface”.

Falando em atmosfera, este é um apetrecho que se verifica do princípio ao fim, até porque a produção é da mais cristalina que a actualidade pode oferecer. Ora, toda esta ambiência é oferecida através de arranjos de piano e de electrónica, ou mesmo, e de forma surpreendente, através de orquestrações e coros incluídos na épica “Veneficium”. Emoção é também o que não falta a um disco catchy como este, e isso encontra-se em “Save Me”, aquela faixa mais triste e melancólica que é sempre incorporada para expiar medos, inseguranças e desesperos.

Nem sempre se tem de ir na corrente da maioria, por isso, e tendo em conta que os Lacuna Coil não são os mesmos de 1999 ou 2002, consegue-se perceber a fúria com que alguns analistas bombardeiam os italianos, mas também não podemos ficar enclausurados em dogmas e birras. Será “Black Anima” aquele álbum que o metaleiro acérrimo vai querer ouvir logo de rajada? Não. Será “Black Anima” uma excelente representação daquilo que pode e deve ser metal? Não. Mas também não podemos encerrar-nos em palas. “Black Anima” é um disco à Lacuna Coil dos dias de hoje – bem produzido, orelhudo, groovy, alternativo e a piscar o olho a quem não está inteiramente ligado ao universo metal.

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