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KK’s Priest: «Este álbum é uma declaração, isto é KK Downing»

KK Downing recorda o pesadelo que foi sair de Judas Priest em 2011 e o renascimento com KK’s Priest.

«Sou devoto a Judas Priest.»

Guitarrista dos Judas Priest desde 1970, foi com espanto que se tomou conhecimento de que KK Downing deixava os maiores defensores do heavy metal em 2011. Cerca de 10 anos depois, o veterano volta à ribalta com o seu novo projecto KK’s Priest e com o portentoso álbum “Sermons of the Sinner”.

Com uma nova vida artística aos 69 anos (faz 70 em Outubro de 2021), KK Downing não esquece o pesadelo que foi a saída de Judas Priest e, convenhamos, a imprensa também não o deixa esquecer.

Em declarações à Classic Rock, o guitarrista recorda: «Em 2010, as coisas chegaram ao ponto de ebulição e tive uma espécie de esgotamento, acho eu. Já não conseguia fazer aquilo. Demasiados elementos já não estavam bem. O Rob [Halford, voz] tinha feito dois álbuns num ano e fez uma digressão com a sua banda a tocar músicas de Priest. Fizemos o Ozzfesr e fomos ao Peru, e não foi muito bom. Depois pediram-me para fazer um EP de cinco faixas para promover a digressão de despedida – tínhamos acordado que seria o fim da banda, e eu disse não. Basicamente, disse-lhes que se f*da, e enviei a minha carta de reforma. Tentei manter as coisas amigáveis, mas confiei naqueles gajos para ter a certeza que receberia o que tinha direito [financeiramente]. E depois, após três meses, comecei a mudar de ideias. Falei com o Ian [Hill, baixo] sobre a digressão e pedi para ver o alinhamento, do qual gostei. Achava que o Glenn [Tipton, guitarra] o fizesse à sua maneira, mas era um excelente alinhamento. Na manhã seguinte lançaram a nota de imprensa [a anunciar que se ia retirar]. Fiquei vazio. Então fiquei à espera, expectante por uma oportunidade [para voltar]. Depois, quando o Glenn se retirou [das digressões em 2018 devido à doença de Parkinson], achei mesmo que me chamariam. Quando não me chamaram, fiquei desanimado, completamente eviscerado. Desde então, escrevi-lhes algumas vezes, mas cheguei à conclusão de que a porta está fechada. Por isso, segui em frente.»

Quem também está de regresso aos grandes holofotes é o vocalista Tim “Ripper” Owens, que já tinha passado pelos Judas Priest entre 1996 e 2003 em substituição do insubstituível Rob Halford. «Tinha muita esperança que o Ripper quisesse isto. Não sei o que faríamos se ele tivesse dito que não», exulta o guitarrista sobre a parceria com o vocalista em KK’s Priest.

Novamente, KK Downing é impelido a voltar ao passado. «Mantivemos contacto. O que aconteceu [com a saída de Ripper dos Priest] foi apenas um conjunto de circunstâncias infelizes. Ele é um excelente vocalista, e os fãs sabem que, geralmente, há uma voz associada a uma banda: Klaus [Meine] é a voz dos Scorpions, como o Bruce [Dickinson] é a voz dos Maiden, e o Dave [Lee Roth] será sempre a voz de Van Halen porque os vi com ele pela primeira vez. É isso que aconteceu com Priest. Fizemos uns álbuns com o Ripper, e se tivéssemos composto um tipo de material diferente talvez as coisas não tivessem sido como foram.»

«Agora que consigo fazer isto sem o Glenn, o Rob ou o Ian, é um prazer absoluto e um deleite.»

Claro que “Sermons of the Sinner” tem semelhanças com Judas Priest, afinal KK Downing ajudou a compor aquelas músicas durante cerca de 40 anos. Um dos apêndices passa pela faixa “Return of the Sentinel”, uma sequela do álbum “Defenders of the Faith” (1984). «Não posso mudar quem sou», assenta KK Downing. «Digo-o musical e emocionalmente, ou como pessoa. Sou devoto a Judas Priest. Nunca fui o gajo que foi embora e tocou com outras bandas ou que tinha o próprio website e vendia as próprias t-shirts. Este álbum apresenta uma declaração: isto é KK Downing. Não andarei por cá para sempre, e quero que as bandas mais novas ouçam e pensem: ‘Isto é excelente.’ Não seria óptimo se tivéssemos uma versão jovem de Deep Purple ou Scorpions? São os Greta Van Fleet outros Led Zeppelin? A resposta é provavelmente que sim.»

Os Judas Priest continuam e a carreira de KK Downing também. Apesar de amargurado por não ter a hipótese de voltar à banda que ajudou a construir e a desenvolver, o guitarrista não vê o seu pessoal passo em frente como vingança. «É completamente a palavra errada. Agora que consigo fazer isto sem o Glenn, o Rob ou o Ian, é um prazer absoluto e um deleite. Não tinha a certeza sobre fazer o livro [autobiografia intitulada “Heavy Duty: Days and Nights in Judas Priest”]. Os fãs conhecem-me, mas apenas como parte da equipa. E eu jogo para a equipa. Mas uma das razões para fazer o livro e este álbum é que queria que os fãs me conhecessem, como eu sou. KK’s Priest é sobre isso.»

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