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Katatonia “City Burials”

“City Burials” não é um álbum mau, simplesmente não será capaz de agradar a todos os fãs, concretamente aos que ainda vibram com o passado. Haverá decerto quem coloque este disco num pedestal devido a todo o sentimentalismo emanado, mas enfado e aborrecimento serão certamente pormenores apontados por alguns ouvintes.

Editora: Peaceville Records
Data de lançamento: 24.04.2020
Género: atmospheric/depressive rock
Nota: 3/5

“City Burials” não é um álbum mau, simplesmente não será capaz de agradar a todos os fãs, concretamente aos que ainda vibram com o passado. Haverá decerto quem coloque este disco num pedestal devido a todo o sentimentalismo emanado, mas enfado e aborrecimento serão certamente pormenores apontados por alguns ouvintes.

Depois de um hiato que durou cerca de um ano e que deixou os fãs em alvoroço com a visão de que a banda poderia mesmo acabar, os Katatonia surpreenderam durante a fase final de 2019 quando revelaram que estavam em estúdio a preparar 2020. Dessa estadia em cabines de gravação resultou “City Burials”, o aguardado 12º álbum dos suecos.

Longe vão os tempos seminais do death/doom metal com álbuns como “Dance of December Souls” (1993) e “Brave Murder Day” (1996) que ajudaram a definir um novo estilo. Daí para a frente, os Katatonia enveredaram pelos caminhos do rock depressivo, com excelentes discos como “Viva Emptiness” (2003), afastando-se cada vez mais do metal extremo. Ainda que isso não seja propriamente mau, porque as bandas devem evoluir e encontrar novas formas de criação que as satisfaçam, registos como “Dethroned & Uncrowned” (2013) ou “The Fall of Hearts” (2016) firmam sem rodeios que o passado está mesmo lá atrás – “City Burials” dá-nos ainda mais razão.

O disco começa bem com “Heart Set to Divide” e “Behind the Blood”, dois temas típicos de Katatonia que exemplificam a sua imagem de marca sónica através de riffs fortes e vozes melancólicas a fazer lembrar “The Great Cold Distance” (2006). A segunda até é capaz de surpreender com leads heavy metal que homenageiam as influências da banda e com um refrão lindamente catchy. Porém, à terceira “Lacquer”, os nórdicos já começam a mostrar ao que vêm com uma composição algo baseada em electrónica, pelo menos na parte rítmica, a fazer lembrar Wisdom Of Crowds, o projecto paralelo do vocalista Jonas Renkse com Bruce Soord (The Pineapple Thief).

Mesmo que as guitarras de Anders Nyström continuem a ser ouvidas, como na claustrofóbica “Rein”, na exótica “Neon Epitaph” ou na furiosa “Fighters”, o grupo tende a amolecer a cada faixa que passa. Claro que isso não tem de ser obrigatoriamente mau ou relegado sem pestanejar para a crítica negativa, mas temas como “City Glaciers”, “Flicker” ou “Vanishers” são maioritariamente enfadonhos, salvando-se apenas alguma da atmosfera de fundo, os refrãos, um riff muito específico na segunda e as influências em Porcupine Tree no terceiro. A sublinhar o atrás referido, na nona posição surge “Lachesis”, um tema calmo e suave que não chega a dois minutos e que não acrescenta rigorosamente nada ao álbum.

Claro que a produção é excelente e cheia de atmosfera, claro que Jonas Renkse é um vocalista fantástico que canta cada vez melhor, mas teme-se, pelo menos para os mais duros e saudosistas, que este é o caminho a seguir nos territórios de Katatonia, algo que a banda não tem sequer escondido à medida que soma trabalhos à discografia. Exemplo disto é, por exemplo, Anathema que do death/doom metal passaram para o rock depressivo e instalaram-se depois no post-rock positivo. A única diferença é mesmo essa última palavra – positivo –, pois os Katatonia continuam inseridos num caixilho de melancolia, como se todas as fotos fossem a preto e branco e fossem perdendo os contornos com a passagem do tempo. Nem todas as bandas, especialmente as que carregam 30 anos de carreira, estão dispostas a andar para trás e para a frente, como uns Paradise Lost que tanto aparecem com um disco de death/doom metal em 2017 (“Medusa”) como seguem depois para o gothic metal em 2020 (“Obsidian”).

Posto isto, “City Burials” não é um álbum mau, simplesmente não será capaz de agradar a todos os fãs, concretamente aos que ainda vibram com o passado, seja ele de 1993 ou de 2003. Haverá decerto quem coloque este disco num pedestal devido a todo o sentimentalismo emanado, mas enfado e aborrecimento serão certamente pormenores apontados por alguns ouvintes – é que por ser tão meloso acaba por ser insosso.

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